3 de out. de 2021

"Sabedoria de Coruja"

"Sabedoria de Coruja" 

É muito conhecida e usual a expressão “sábio como uma coruja”. De onde provém ela? Da antiga Grécia. A coruja grega que é semelhante à existente em toda a Europa, Estados Unidos e Brasil, era muito estimada pelos gregos que a consideravam o símbolo da deusa da sabedoria, Atena. Alguns escritores chamam Atena a Deusa da Coruja. Narram eles que foram encontradas velhas estátuas com cabeça de coruja e corpo de mulher.  A reputação de sabedoria da coruja é naturalmente devida ao seu olhar concentrado e firme, simplesmente um atributo da sua deusa Atena, a quem essa ave servia. Pela fixidez e imperturbabilidade de seu olhar que parece eternamente incidir sobre o objeto de um estudo assaz demorado é que os antigos chegaram á sugestionar-se pela sua pretensa sabedoria.

 

15 de jun. de 2021

A magia do número "SETE"

A magia do número "SETE"

 Por: Luiz R. de Almeida

O número 7 goza, desde a mais alta antiguidade de virtudes sagradas. Vejamos alguns exemplos da sua importância, principalmente entre os judeus e seus derivados, para depois tratar dele sob o ponto de vista popular. 

Os dias da criação foram 7, há 7 dias na semana, 7 fases da lua. O ano do sabath era o sétimo, o do jubileu era o 49º (7 x 7) . Há 7 bíblias, 7 Igrejas na Ásia, 7 graças, 7 pecados mortais, 7 idades na vida do homem, 7 divisões nas orações do Senhor, 7 lâmpadas da arquitetura. 

Os apóstolos escolheram 7 diáconos. Enoque (que foi para o céu sem morrer) foi o sétimo a partir de Adão, e Cristo o 77º em linha reta . Nosso Senhor falou 7 vezes na cruz, onde esteve durante 7 horas. Ele apareceu 7 vezes, e depois de 7 vezes, 7 dias enviou o Espírito Santo. O Espírito Santo tem 7 dons: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

Há 7 céus, 7 planetas, 7 estrelas, 7 sábios, 7 notas musicais, 7 cores fundamentais, 7 sacramentos na Igreja Católica e 7 maravilhas do mundo. 

Roma é conhecida como a “cidade das 7 colinas”. O sétimo filho era considerado como possuidor de grande sabedoria, e o 7º filho como tendo o poder de curar doenças.

O 7 ocupava o seu lugar na Numerologia como símbolo de boa fortuna, não devido a qualquer qualidade particular do número em si, mas por consistir de 3 e de 4 e possuir os méritos de ambos. Três era importante para consistir de um, que significa homem, e de 2, que significa mulher, e ser o símbolo da vida. 

Quatro era o número consagrado a Júpiter, rei dos deuses, e o símbolo do esforço recompensado. Sete continha toda a importância espiritual de 3 e toda a material de 4, e qualquer assunto em que esse número entrasse, não podia deixar de ser bem sucedido!...

No entanto, o povo descobriu que “Sete é conta de mentiroso”, porque a palavra mentira tem 7 letras. 

Diz ele: “Sete ofícios, quatorze desgraças”, isto é, 7 artes, 7 profissões, 7 funções, 7 obrigações são sempre causadores de duplas calamidades. 

Sete cães a um osso é outro prenúncio de desgraças. Sete paredes é sinônimo de “tuberculose”, porque a terrível moléstia tem fama de varejar 7 prédios contíguos. Sete virtudes é uma das inúmeras denominações da “aguardente”. 

“Pintar o sete” é ceder-se fazer coisas extraordinárias: diabruras, desatinos.

“Sete palmos de terra” — pequena extensão de terreno, a necessária para uma sepultura.

“Fechar a 7 chaves” — Fazê-lo muito bem, com toda a segurança, com especial cuidado.

 

FOLCLORE

Sete e sete são quatorze,
Com mais 7 vinte e um,
Quem não sabe ler soletre
As paixões de cada um. 

No jogo do “sete e meio”
ou em outro jogo qualquer,
o 7 é minha parada...
ganho sempre de colher. 

Saudade! palavra linda,
De 7 letras: Saudade.
É noite que tem ainda
Lampejos de alacridade. 

“Setembro” — sétimo mês”
segundo a etimologia.
Mas... é pilhéria, é mentira,
é o nono... quem diria?...

Entre as antigas locuções famosas, havia uma que se tornou popular em alusão a quem faz ou diz algum despropósito, é a seguinte “um domingo sete”. 

Daí a quadrinha: 

Todo sandeu que se mete
a querer ser muito experto
passa por “domingo sete”
e é logo descoberto. 

A origem dessa expressão é a seguinte: “Era uma vez um homem tão pobre quanto inteligente e engenhoso, que, ao passar certa noite por um bosque, viu uma turma de bruxas dançando ao compasso de uma musicazinha cuja letra era a seguinte:

“Segunda e terça e quarta três,
Segunda e terça e quarta três”. 

Ouvindo-as o nosso homem por simples brincadeira quando as bruxas tornaram a cantar, interrompeu-as, dizendo:

“Quinta e sexta e sábado seis”. 

Agradecidas as cantoras a quem havia tão bem completado o dístico da sua cantiga, ofertaram-no com uma bolsa cheia de moedas de ouro. 

Louco de alegria, o homem foi contar o sucedido a um compadre que tinha tanto de avarento como de sandeu. Quando este soube do caso, deitou a correr para o bosque onde não tardou a escutar a voz alegre das bruxas que cantavam:

“Segunda e terça e quarta três,
Quinta e sexta e sábado seis”. 

Pensando ganhar também uma bolsa de ouro, interrompeu-as, acrescentando:

“E domingo sete”. 

As bruxas indignadas, em vez de ouro, deram-lhe uma grande surra, e ele voltou para casa ainda mais depressa do que um “indesejável” em terra alheia. 

Portanto, caros leitores, o número sete não goza, para o nosso povo, das virtudes sagradas que lhe atribuíam os antigos. Muito pelo contrário, este número fatídico revela, apenas, a “mentira” em todas as suas manifestações maléficas e desabonadoras. 

E, antes de terminar, lembro-vos que, dos pecados mortais, os mais graves são: “a soberba”, a “ambição" ou "avareza" e a “luxúria” que, justamente, tem sete letras...


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Pesquisa e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2021)

22 de mai. de 2021

A respeito da expressão "COMER COM OS OLHOS"

A respeito da expressão "comer com os olhos"

Por: Luís da Câmara Cascudo 

"Comer com os olhos" é olhar cobiçosamente os alimentos. Ter  "olho pidão", faminto, insaciável; ficar com insistência. O povo concede aos olhos faculdades mágicas e também a transmissão de força magnética. Cobras e jacarés chocam os ovos com o olhar. Também os lacertílios, enfim todos os sáurios. Origina o Quebranto e o Mau-Olhar. A inveja é o olhar malfazejo, in-video. Olhar de seca-pimenteira, de azar, de mofina. Certos olhares absorvem a substância vital dos alimentos, deixando-os inúteis à nutrição. Soberanos negros da África Ocidental não consentiam testemunhas às suas refeições. Comiam ocultos e sozinhos. Os sertanejos acreditam que o olhar fincado no comer, tira a sustânça. Uma nossa empregada, em junho de 1954, enxotou o meu basset que mirava o jantar, aguardando a ração: “Saia daí Gibi, você está tirando as fôrças do meu comer!” Nos pejis dos candomblés, umbandas e xangôs, os orixás utilizam as oferendas pelo olhar. Havia em Roma uma modalidade do silicernium, festim fúnebre, oferecido aos Deuses Manes, durante o qual a família, cliente e amigos  não tocavam nos alimentos, limitando-se a olhá-los em silêncio e fixamente. Quod eam silenter cernant, neque dequstant. Participavam do ágape com a intenção visual. Comiam com os olhos.

21 de fev. de 2021

A origem da "MÁSCARA"

A origem da máscara

Segundo o Aurélio, a palavra máscara vem do italiano maschera, e denota a peça com que se cobre parcial ou totalmente o rosto para ocultar a própria identidade. As primeiras máscaras foram confeccionados a partir de cascas de árvores; depois fabricaram-nas de couro (forradas de pano), de pau e de cobre, e o seu uso remonta aos disfarces das festas de Baco e à origem da tragédia, tendo-se servido delas, alternativamente, as festas religiosas, a elegância, a conspiração, o teatro, o crime, jogo etc. Os atores gregos e romanos representavam mascarados. Em França serviram-se de máscaras em algumas festas do século XIV; e, a propósito dos festins e justas que se deram para celebrar a chegada de Isabel de Baviera a Paris, diz um historiador que "príncipes e princesas, fidalgos e damas se entregaram, à sombra das máscaras com que ocultavam o rosto, os excessos da devassidão". Carlos VI gostava dos bailes de máscaras, que começaram nessa época; e as mulheres da corte de Francisco I foram as que primeiramente adotaram as máscaras loups, que eram de veludo forrado de tafetá branco. Nesses tempos de confusão feudal, os senhores, depois de terem saqueado os transeuntes, escondiam-se muitas vezes à ação da justiça, usando máscaras; outros iam mascarados ao momo e ao jogo de azar. Em 1535 foi decretada pelo parlamento a apreensão de todas as máscaras e proibida a sua fabricação. O reinado de Henrique III vulgarizou definitivamente as máscaras. Os cortesões, assim como as damas, usavam loup, e o Henrique III dormia com uma máscara untada por dentro, com pomada e alvaiade. No dia de entrudo de 1583 saiu o rei com seus amigos prediletos, mascarados, pelas ruas de Paris. No tempo de Henrique IV só os fidalgos e as donzelas nobres tinham o privilégio de usar máscaras. No tempo de Luís XIII caiu em desuso o uso da máscara. A revolução proscreveu as festas do carnaval, todavia, os franceses, em 1799, restabeleceram a liberdade do enigmático objeto.

14 de fev. de 2021

A origem da "GUERRA"

 

A origem da "GUERRA" 

A palavra é explicada etimologicamente pelo alemão wërra, que  corresponde ao moderno wirre, que significa confusão, discórdia, contenda, e daí se originam também o baixo latim verre (século IX), o holandês medieval werre e o inglês war. O antigo alto alemão wërra está em relação com o verbo moderno werwirren (confundir, perturbar) porque representava briga, querela (em francês mêtée), ou “zuffa alla mescolata", de que fala Guicciardini, descrevendo a batalha de Fornovo que era própria dos alemães, segundo observa Pianigini, em oposição à guerra de esquadrões contra esquadrões, própria dos romanos (latim bellum, correspondente a duellum e praelium). Bellum, que podia se confundir com bellus (belo), foi abandonado pelas línguas neolatinas, sendo aceito o vocábulo germânico, que melhor corresponde às novas formas de combater.

31 de jan. de 2021

A origem dos "SINOS"

A origem dos sinos

A palavra sino tem sua origem no latim signum, e significa: sinal, marca. Conquanto é difícil descobrir a origem dos sinos, é muito curiosa a sua história. Entre os antigos fazia-se uso dos sinos tanto nas atividades profanas como nas sagradas; informa-nos Estrabão que se anunciava as horas do mercado pelo toque de um sino; também se lê em Plínio que em volta do sepulcro de um rei da Toscana estava pendurada uma grande fileira de sinos. Costumavam os romanos marcar a hora do banho com o  toque de uma sineta; os guardas noturnos também traziam uma sineta que tinha por fim despertar os criados nas casas dos grandes. Também está ainda por averiguar a data em que se começou a fazer uso dos sinos nas igrejas para convidar os fiéis à oração, à missa etc., mas supõe-se, e é crença quase geral, que um bispo de Nola, por nome Paulino fora o primeiro que no ano de 400, pouco mais ou menos da nossa era, introduziu este uso nas igrejas da sua diocese.

27 de set. de 2020

A origem do "OSTRACISMO"

 

A origem do "OSTRACISMO"

Ostrakon era um vocábulo que os gregos da antiguidade empregavam para designar os recintos de barro ou alvenaria em que eram encerrados os cidadãos considerados perigosos à segurança do Estado. Na explicação de Houaiss, era o desterro político, que não importava ignomínia, desonra nem confiscação de bens, a que se condenava, por período de dez anos, o cidadão ateniense que, por sua grande influência nos negócios públicos e por seu distinto merecimento ou serviços, se receava que quisesse atentar contra a liberdade pública.

A origem da palavra "ETAPA"

A origem da palavra "ETAPA"

Na sua origem, a palavra “etapa” (do francês étape) designava o conjunto de víveres e forragens preparados para serem distribuídos às tropas quando chegavam ao ponto que lhes era designado para descansarem e passarem a noite. Ainda hoje, na terminologia das casernas, tem significação parecida. Entre outros sentidos, significa a distância existente entre uma paragem e outra em qualquer percurso.

O uso do termo "VÍRUS"

O uso do termo "VÍRUS"

O termo vírus é usado desde os tempos de Celsus,  que o empregou para designar o agente causador da raiva, doença transmitida por cães raivosos. Pasteur empregou a mesma palavra em seus trabalhos sobre a raiva. Foi, entretanto, Ivanovski que em 1892 fez uso da expressão "vírus filtrável" para definir o agente infectante de plantas, obtidos de filtrados, sem bactérias e sem outros elementos visíveis que pudessem ser considerados como causadores de doenças. Desde então o termo generalizou-se, sendo retirada da expressão a palavra filtrável, permanecendo apenas vírus como definidor de agentes infecciosos menores do que bactérias e que se replicam somente no interior de células vivas hospedeiras.

20 de set. de 2020

Origem das cartas de Jogar (BARALHO)

Origem das cartas de Jogar 

Divergem muitíssimo as opiniões sobre a origem das cartas de jogar. 

Segundo uns foram inventadas pelos chineses no principio do século XII, levadas pelos mongóis para a Ásia Ocidental e introduzidas na Europa pelos cruzados, segundo outros foram levadas para Itália pelos romanos. Finalmente, segundo Duchesne, foi entre os anos 1369 e 1392 que elas apareceram pela primeira vez em França, atribuindo-se a sua invenção a Jacques Gringonneur, pintor medíocre dessa época. 

O que há, porém, de positivo é que as mais antigas cartas conhecidas, foram fabricadas no século XIV, em Veneza. 

As mais antigas cartas de fabricação francesa foram pintadas á mão por Gringonneur em 1392, para o rei Carlos VI. 

Os baralhos primitivos eram simples coleção de estampas, destinadas mais á instrução que ao divertimento dos homens. 

Com a invenção da gravura, no século XV, as cartas aperfeiçoaram-se e multiplicaram-se infinitamente. 

Os primitivos baralhos eram adornados com figuras muito diferentes das usadas hoje; estas, segundo a opinião de alguns autores, remontam ao século XVI. 

A maior parte destes autores diz que o rei de espadas (pique) Davi, é o emblema de Carlos VII; o rei de ouros (correaux) Carlos representa Carlos Magno ; o rei de copas (coeur) é a figura de César, finalmente, o rei de paus (trefle) representa Alexandre. 

César e Alexandre não são certamente o imperador de Roma e o rei da Macedônia, mas sim soberanos franceses, pois as cabeleiras, com que eles são representados, não são peculiares aos macedônios ou romanos mas sim aos franceses daquela época e ainda porque nas cartas antigas são sempre representados os mantos reais adornados com flores de lis, que os franceses usavam. 

A dama de paus — “Argine”, anagrama de Regina — representa a rainha Maria de Aujon, mulher de Carlos VII; a dama de espadas (Gallas) representa a legendária guerreira Joana d'Arc; a dama de ouros, representa a imperatriz Judite, mulher de Luís, o benigno, segundo uns, e Machel, Agnés Sorel, segundo outros; a dama de copas significa Isabel de Baviera, mulher de Carlos VI. 

Ogier e Lancelot, valetes de escadas e paus, são dois heróis do tempo de Carlos Magno e companheiros deste; Heitor de Gallardon e Lahire, valetes de copas e ouros, são dois notáveis capitães do tempo de Carlos VII. 

Os azes (az deriva-se do latim “as”, que designava uma moeda dos romanos), significavam riqueza e dinheiro.

Os pontos tinham ainda, a sua significação: — as espadas e os ouros (piques e carreaux) representavam as armas assim chamadas; os paus (trefle) designavam a guarda de uma espada, e as copas (coeur) significava a bravura.

10 de set. de 2020

De onde veio o "PERU"?


De onde veio o "PERU"?

O peru, galináceo Meleagris gallopavo, embora considerado oriundo da Índia em tempos remotos e incertos, na espécie que se tornou doméstica é de origem americana. Os gregos e os romanos já se referiam aos meleagris (galos da Índia) mesmo antes de Cristo, mas como ave muito rara, como o foi mesmo até o século XV. Jacques Coeur, o grande comerciante e argentário enobrecido por Carlos VII, trouxe da Índia alguns casais de perus como aves raríssimas, ainda em 1450.  Afirmam, porém, alguns franceses que o bom Rei René tornou o peru conhecido na França no próprio ano em que morreu, em 1480. Outros dizem, entretanto, que só no século XVI, sob o reinado de Francisco I, lá ficou sendo conhecido o dindon, trazido da América pelo Almirante Chabot, valido daquele monarca. Examinando-se bem o  caso chega-se, porém, à conclusão de que os meleagris dos gregos e romanos e os dindons vindos da Índia eram espécies selvagens, indomesticáveis, pois não existe entre os perus domésticos nenhum tipo que não seja oriunda do Meleagris americano nas suas duas variedades — Meleagris Ocellata, oriundo do Iucatã e de Honduras, com bela plumagem dourada nos machos, e Meleagris  gallopavo, vulgar na América do Norte e no México, onde os espanhóis já o encontraram domesticado pelos astecas e donde foram ter à Europa, em quantidade tal que, embora raros ali no século XV, tornaram-se tão vulgares no século XVI que eram comidos até nas festas dos campônios, não obstante aluda apreciados, como até hoje, nos banquetes reais. É fora de dúvida, porém, que o peru doméstico, embora chamado na Europa da Renascença "galo da Índia", é de pura origem americana, do mesmo modo que os habitantes autóctones da América, até hoje, são denominados Índios. Aos faisões chamavam os europeus "galos de Limoges", e às nossas "galinhas de Angola", de hoje (a pintade dos franceses), chamavam "galinhas da Turquia", que são os mesmos Numida meleagris, cujas pintas brancas nas penas a lenda afirma serem manchas causadas pelas lágrimas de Eurimedeia e Melanipe, irmãs de Meleagro, transformadas naquela galinácea por vingança de Ártemis. Assim, o Pavo dos espanhóis, o Polo da Índia dos italianos, o Dindon dos franceses,  o Turkey cock dos ingleses e o nosso Peru são todos descendentes do Meleagris  gallopavo, encontrado pelos espanhóis nas Antilhas e no México, já domesticado pelos astecas. E peru ou perum, sem etimologia certa, só pode ser o nome indígena, que foi o guardado pelos colonizadores portugueses e, portanto, o mais exato para designar o galináceo, de carne tão delicada, mas caluniada, às vezes, por pessoas que, excedendo-se nos seus repastos festivos, atribuem a perturbação gástrica, decorrente dos excessos, à inocente carne da pobre ave. Mas é a sina de cada um. Essa nobre ave, outrora qualificada, pela sua bravura, entre as aves heroicas, assemelhadas a Meleagro, o herói do ciclo dos Argonautas, tendo o seu caráter deturpado pela escravidão a que o egoísmo da espécie humana a submeteu, é hoje simples símbolo da estupidez! Pobre galináceo!

Por: "SAPO"

A etimologia de "BELZEBU"


A etimologia de "BELZEBU"

Os hebreus designavam por esta palavra o rei dos espíritos malignos e deles nos provém certamente essa denominação. É muito discutida sua etimologia. Supõem uns que se forma dos vocábulos hebraicos Baal-ze-bud,que significa ao pé da letra deus mosca ou deus das moscas. Outros, baseando-se em que foi uma divindade cujo templo principal estava em Acaron,  no pais dos filisteus, supõem a palavra formada de duas palavras sírias Beed d’bob, mestre na arte da calúnia ou caluniador, sentido que recorda o da palavra grega diabolos, da qual tomamos o nosso diabo. Há, também, quem lhe atribua origem hebraica, traduzindo-a por príncipe da idolatria.

6 de set. de 2020

A origem da expressão “OK!”


A origem da expressão “OK!”

A expressão “O. K.” anda de boca em boca, significando que se compreendeu, resolveu, aprovou ou combinou alguma coisa. Entretanto, quantos conhecem a origem do “O. K.? Eis a origem: Andrew Jackson, aos treze anos, entrou para o exército americano e tomou parte em batalhas célebres das forças dos “insurretos”. Tornou-se jurista, oficial superior, diplomata e político, chegando a ser presidente da república norte-americana. Apesar disso, a sua ortografia deixava muito a desejar, sem que ele se esforçasse por corrigi-la. Conta-se que durante uma campanha, um ajudante-de-campo levou-lhe uma mensagem que devia ser por ele aprovada com as iniciais “A. C.” que correspondiam à fórmula clássica abreviada de “All correct”, isto é, "muito bem”, “está correto”. Jackson, que devia traçar apenas duas letras “A. C”, aproveitou a oportunidade para perpetuar dois erros ortográficos. Com efeito, “All correct” pronuncia-se “Ol Korrect”, e o ilustre general escreveu as duas letras tal como as pronunciara: “O. K.,  e assinou. Desse modo, a fórmula “O.K.” tinha nascido. O exército, por pilhéria, adotou-a. E ela subsistiu até hoje, espalhada pelo mundo inteiro.

30 de ago. de 2020

O sentido de "VÍNCULO"


O sentido de "VÍNCULO"

Os escravos feitos pelos conquistadores romanos eram conservados juntos, em cadeias ou cordas, que tinham, em latim, o nome de vinculum (de vincio), que quer dizer união. Daí a origem da palavra portuguesa vínculo, que significa: tudo que ata, liga ou aperta; nó, ligação moral etc.

De onde veio a " TARIFA"


De onde veio a " TARIFA"

Acredita-se que a palavra tarifa se deriva do nome da cidade de Tarifa, situada à entrada do estreito de Gibraltar, no ponto mais meridional do continente europeu, a poucos quilômetros de Marrocos. Quando os Mouros estavam de posse das duas "colunas de Hércules", era lá que exigiam um direito de entrada de cada navio que quisesse penetrar no Mediterrâneo.

A origem da palavra "CANDIDATO"


A origem da palavra "CANDIDATO"

A palavra candidato, designativo de todo aquele que pretende cargo ou dignidade, tem origem no latim candidatus de candidus, candida, candidum: alvo, branco. O motivo por que em sua evolução  passou a ter aquele significado, se prende ao fato de que na Roma antiga todos os que aspiravam a algum cargo público trajavam uma toga branca, simbolizando assim na alvura das vestes a pureza das intenções.

22 de ago. de 2020

A origem da palavra "DECRÉPITO"


A origem da palavra "DECRÉPITO"

A comparação da vida humana com o arder ou o apagar-se de uma lâmpada, encontra-se vulgarmente nos autores latinos, com se vê das palavras “senas decrepiti”. Plutarco faz a seguinte exposição desta metáfora: os antigos nunca apagavam as suas lâmpadas, mas deixavam-nas apagar por si mesma, evento este que, como todos podem observar, sempre culmina em pequenos estalidos. Daqui veio que estar uma lâmpada a ponto de apagar-se ser chamada de decrepitare, ou seja: dar estalidos. Essa é a razão porque se deu o nome decrepiti (decrépitos) aos velhos que estão com um pé na sepultura.

A origem do "BOMBOM"


A origem do "BOMBOM"

A origem da palavra é o adjetivo francês “bon”, repetida à maneira das crianças, cujos primeiros gritos são: papá, vovó, dadá, totó etc. O seu aparecimento deve ser contemporâneo ao aparecimento do açúcar na Europa, isto é, no século XIII. A primeira experiência com a cana, trazida do Oriente após a Cruzada, data de 1230. A fabricação de “bombons”, primeiro grosseira, melhora progressivamente, adquirindo certa perfeição nos séculos XV e XVI. Francisco I tinha o costume de oferecer “bombons” aos artistas dos quais acompanhava os trabalhos, no Louvre ou em Fontainebleau. Ele exigia, à mesa das refeições, pratos de “bombons” variados. Henrique IV tinha os bolsos cheios deles, e Luís XIII e Luís XIV ofereciam-nos às damas durante as festas da Corte. O “bombom” foi a única moda que, durante sete séculos, jamais foi esquecida.

De onde veio o "SALAMALEQUE"

 De onde veio o "SALAMALEQUE"

Os orientais, mais particularmente os árabes, abordam-se com a expressão "selam haleik" ou "selam haleikum", que significa: "paz sobre ti ou paz sobre vós". Tais palavras, que constituem verdadeira saudação muçulmana, são pronunciadas com maior gravidade e solenidade, e não com a indiferença dos nossos tradicionais "como vai?" e "bom dia". Foi durante o período de ocupação da Argélia pelas tropas francesas que a expressão entrou para o idioma francês e se espalhou por todo o mundo para designar uma saudação de solenidade exagerada ou de polidez forçada.