15 de ago de 2018

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25 de mai de 2018

A etimologia de "Farroupilha"


A etimologia de "Farroupilha"

A abonação mais antiga deste termo, em documentos oficiais do século XVIII, foi encontrada pelo indefesso pesquisador rio-grandense Aurélio Porto, a quem a história pátria já deve tantos esclarecimentos. Chamavam-se ali, depreciativamente, farroupilhas uns descontentes nas proximidades do Rio de Janeiro, que vieram à capital protestar contra medidas do governo daquele “tempo do onça”.

O que significava esse termo, diz-nos em 1727 o pai da lexicografia portuguesa, o Pe. Bluteau, no Supplemento ao Vocabulario: “FARROUBILHA: Termo chulo. O que anda mal vestido e desfarrapado; pobretão." Neste primeiro registro da palavra, o qual parece ter passado despercebido até hoje, o bom Bluteau enganou-se decerto, quanto ao b em vez do p de farroupilha, bem como no d insólito antes de esfarrapado.

Em 1813 escreve o carioca Moraes Silva na celebrada 2ª edição do seu Diccionario: "FARROUPILHA: pessoa esfarrapada", ao que a última 9ª edição só acrescentou: "maltrapilho, pelintra". O Diccionario de Constâncio, cuja 1ª edição é de 1836, dá também “FARROUPILHA: pessoa esfarrapada", o que copiaram fielmente os de Faria e Lacerda. De 1837 data o Diccionario de Synonymos de José da Fonseca, que mais tarde Roquete e Faria acrescentaram aos seus. Eis que lá se acha: "Farroupilha, esfarrapado, farrapão, maltrapilho".

Evidencia-se daí que já antes e independentemente da revolução rio-grandense de 1835, vivia farroupilha qual termo geral português. Não há dicionário posterior que o não registre, como naturalmente também o de Domingos Vieira de 1873. Contemporâneo de 1881 dá até uma abonação de Castilho, não influenciado, decerto, pela revolução gaúcha: "Acolho um farroupilha, dou-lhe a minha alma, e ele, até a mulher, me quis roubar." Farroupilha não é, pois, somente termo regional ou nacional brasileiro, mas genuíno português d'aquém e d'além mar.

Farroupilha derivaria de farroupo? Esta palavra, segundo o Elucidário de Viterbo, que com mais correção escreve farropo (autorizado também por Gonçalves Viana), designou no século XV provavelmente carneiro (grande e castrado), como em Turquel, perto de Alcobaça na Extremadura, ainda é o cordeiro (Cândido de Figueiredo). Hoje, porém, "em algumas terras" (Viterbo), sobretudo "no Alentejo" (Conde de Ficalho), passou a significar o porco (grande e castrado). Moraes, já em 1813, cita a respeito o "Regimento dos verdes e montados": "Farroupo é o porco que ainda não passa de ano". Acrescenta também o diminutivo Farroupinho, o porco de menos de um ano, que já não é bácoro; o marranito ou bacorote, como diz José da Fonseca.

Esse farroupo, ou antes farropo, vem possivelmente do árabe charuf ou charof (carneiro, cordeiro), dum modo semelhante como de al-charrub tiramos alfarroba. Em todo caso, farroupo parece termo raro, quase obsoleto, só em algumas regiões de Portugal usado para porco e antigamente para carneiro.

Derivar desse nome regional, quase desconhecido, o universal farroupilha, já de antemão se afigura improvável. Só Aulete aventurou, dubitativamente e em segundo lugar, para farroupilha uma "formação da raiz farrapo (ou farroupo?)”

Mas, neste último caso, era de esperar o masculino farroupilho, significando porquinho ou primitivamente carneirinho, sendo daí difícil a passagem semântica para o sentido esfarrapado, indicado por todos desde Bluteau. Tanto mais que farrapo estava à mão, admitido também expressamente por Constâncio, Faria, Lacerda, pelos competentes Adolfo Coelho e Gonçalves Viana, por Figueiredo, Lemos, Jackson, Silva Bastos, Brunswick, Séguier, Antenor Nascentes, o próprio Aulete em primeiro lugar, por todos enfim! E veremos adiante como essa etimologia de farrapo, ou antes farpa, plenamente se justifica.

Vejamos agora a etimologia de farrapo ou farpa, para preparar a de farroupilha. Sem entrarmos em minúcias, aqui numerosas e complicadas, basta dizer que a última ciência etimológica, representada sobretudo pela 3ª edição, agora em 1935 terminada, do Romanisches Etymologisches Wóterbuch de Meyver-Lübke, corrobora cada vez mais a probabilidade de virem tanto farrapo, como farpa e felpa dum mesmo radical galo-romano. Como tal adopta Meyer-Lübke, segundo glossários do X século, o latim medieval faluppa, (palhinha) modificado também para falapa, frapa, farupa, etc. Daí viriam o italiano frappa, igual ao nosso farpa, ao antigo francês frepe, ferpe, felpe, de onde tiramos felpa, etc. Farrapo mesmo será um substantivo verbal de farpar, que se alargou para fa(r)rapar, usado por Gil Vicente. O rr dobra do português farrapo aparece ainda simples no correspondente espanhol harapo, mas com tendência de duplicar-se em arrapo e des(h)arrapado. O antigo espanhol haldrapa, haldraposo, insinua uma influência de drapo = trapo (francês drap), que determinou talvez também a forma masculina harapo, farrapo, a despeito de farpa feminina.

Pode derivar-se agora, de um modo mais inteligível, farroupilha de farrapo ou antes farpo, o que no fundo vale o mesmo. A terminação diminutiva ilha, propriamente feminina, pressupõe um étimo feminino, como também farpela, pela mesma razão, deve ser derivada antes de farpa que de farrapo. Pois bem, por analogia de farpela, “roupa reles”, admitamos farpilha, de sentido semelhante. Esta forma alargou-se, porém, fa(r)ropilha, quase como farpar para farrapar, farrapo, só que tomou o o: farropilha (sendo ou de farroupilha capricho ortográfico. Esse o se explica: ou por certa predileção da labial (p) por o, do que Cornu dá bastantes exemplos, sendo conhecidíssimo: por em vez de per, ou por um regresso, marcado com formas hoje extintas, aos étimos antigos foluppa, faruppa, faropa etc. Corresponde assim, por exemplo, no mesmo radical, ao piemontês flapa (casulo), o toscano-lombardo falopa. Não se esqueça, aliás, que farropilha é forma popular, chula segundo Bluteau, onde as vogais variam às vezes como ao acaso, não admirando assim a mudança de farpilha para farropilha. Comparem-se as formas populares francesas, do mesmo radical e sentido (= farropilha, maroto): antigo frapaille, moderno frapouille ou fripouille.

O significado de farropilha teria sido, na origem, quase o mesmo que farpella ou “roupa esfarrapada”. Cedo, porém, passou o termo a designar um homem1 vestido de tal roupa, um esfarrapado, tornando-se assim também masculino. Disto não faltam exemplos, até da mesma desinência: o pandilha é o cumplice duma pandilha ou “panelinha conluiada”; o potrilha é propriamente um atacado da potra (ou da potrilha); o bigorrilha parece corruptela popular do figurilha (que faz uma figurilha ou figura pequena, um vil ou miserável). Significativo é que Cândido de Figueiredo explica tanto o pandilha, como o potrilha por farroupilha e bigorrilha! Usa-se no sul do Brasil também o americanismo espanhol: o cajetilha, para designar um habitante presumido das cidades, nome derivado de cajetilla (caixinha), talvez por significar (caixinha), de cajeta (de trinque).

Lembremos ainda que também o galego tem farroupeiro (esfarrapado ou farropilha) Ponderando tudo, convencer-nos-emos de que farropilha é tuna antiga herança da língua popular portuguesa, herança que faríamos mal em trocar por um artificial farrapilha que como tal nunca viveu.

Por fim, a questão da ortografia exata: farroupilha ou farropilha? Sem dúvida alguma, à vista da derivação exposta, não se vê em nada justificado o ou, que deveria representar um au, al, oc ou o-i primitivos, que aqui nunca existiram. Por qualquer capricho, começou-se a escrever uma vez farroupilha, talvez por instintiva assimilação a roupa. E assim ficou, graças à rotina ou à célebre lei da inércia. Já vimos que, no diferente farroupo, Viterbo citou dos documentos a forma correta farropo, não aceita contudo. E temos mais o toucinho, a garoupa ou choupa etc., com ou indevidos.

Mas neste tempo da simplificação ortográfica, poderíamos e deveríamos restabelecer a grafia correta: farropilha, farropo etc. Vemos, porém, que se alteram a talante símbolos antiquíssimos, fundados na história da língua e aconselhados pelo bom senso já para distinguir mas formas meramente arbitrárias, introduzidas por acaso e por capricho mantidas, conservam-se carinhosamente, sem utilidade nem razão. Receemos que também farroupilha vá gozar desse privilégio, embora este, como outras regalias nunca tenham entrado nas aspirações dos verdadeiros farropilhas!

J. A. Padberg-Drenkpol
Revista "Excelsior", abril de 1935.

O significado de "Consoada"


O significado de "Consoada"

Interessante é a origem da palavra consoada, que é um banquete realizado na véspera de Natal, ou um “presente que se dá desde o Natal aos Reis”, e, em geral, qualquer "refeição ligeira que se toma à noite nos dias de jejum" (Lelo Universal). Desde Constâncio (1836) pensaram muitos, até Aulete e ainda Cândido de Figueiredo, numa derivação de consolar, como se a consoada fosse para consolar-se do jejum precedente. Domingos Vieira viu em consoar, uma modificação de con-cear (cear juntos). Outros propuseram como étimos até o latim contio de conventio (reunião), ou simplesmente con-sonare, sendo a consoada uma espécie de consonância.

A verdadeira origem, porém, ficou revelada pela grande romanista germano-portuguesa Carolina Michaëlis de Vasconcellos. Aponta ela o advérbio arcaico suum (suû, sum) que não é outra coisa senão o latim subunum = in unum: juntamente, em companhia, e que ocorre precedido de em, de, de com: em suum, de suum, de consuum. Desta última locução antiga deriva consoar ou propriamente consuar (consubunare: coadunar-se), sendo, pois, a consoada no fundo uma reunião cordial, uma espécie de ágape, ou como bem traduziu Bento Pereira há centenas de anos: symposium: banquete em comum.


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É isso!

A etimologia de “Berlim”


A etimologia de “Berlim”

Apesar da existência de um urso nas armas da cidade, parece pouco provável que Berlim venha de Bear (urso). Assim se recorreu para explicar a formação da palavra, a várias etimologias eslavas. Outra teoria, porém, diz que a origem de tal termo derivaria do céltico biodin, espécie de balsa para a travessia de rios, ou então bairlin, que quer dizer dique, cais. Já para um tal Leger, que foi uma eminente autoridade em linguística do século XIX, o vocábulo origina-se de berl, que no antigo eslavo significava fortaleza fortificada. Todavia, para além dessas teorias, a controvérsia ainda persiste.


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É isso!

A etimologia de “Jiboia”

A etimologia de “Jiboia”

Segundo Teodoro Sampaio, a palavra jiboia vem do tupi (gi-hi-boi) e significa “cobra das rãs”. A etimologia parece fazer sentido, tendo em vista que muitos ofídios eram denominados por mboi/mboia, precedido de um nome de animal. Por exemplo: paruaboia (cobra do papagaio), tarauyra-boia (cobra da formiga tarauyra), tucano-boia (cobra do tucano), cururu-boia (cobra do sapo cururu) etc. 


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É isso!

O significado de “Tiririca”


O significado de “Tiririca”

De tiririca, diz o etimólogo Teodoro Sampaio que é o gerúndio-supino de tiriri, que significa cortar. Para B. Caetano, o gerúndio tyryry quer dizer: arrastar, ir de rojo ou rastos. Sabe-se que tiririca é a denominação comum de plantas de diferentes gêneros, da família das ciperáceas, as quais alastram-se com facilidade pela terra, daí a sua correta etimologia. Na linguagem coloquial, o termo também denota uma pessoa dominada pela raiva, que “fica tiririca da vida”.


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É isso!

A Origem de “Pirapora”

A Origem de “Pirapora”

Pirapora, nome de cidades do Brasil, é de origem tupi, nome este traduzido por “a morada do peixe”. Porém, segundo Teodoro Sampaio, tal termo significa também “o peixe salta” (peixepirá, e saltopora ou pura).

A curiosa origem de “Canguru”


A curiosa origem de “Canguru”

Li recentemente que a palavra Canguru (kangaroo) provém de uma curiosa confusão. Quando o célebre capitão Cok estudava as costas da Austrália, ainda desconhecidas, e povoadas unicamente pelos Papous, avistou um dia à beira-mar um indígena que acabava de matar um animal, o qual tinha um aspecto muito estranho. Cok mandou logo uma embarcação para terra, e o chefe que a comandava conseguiu comprar o bicho, que não tinha semelhança com nenhum outro animal conhecido. Cok enviou novamente o oficial para procurar saber como os indígenas chamavam a esse animal desconhecido. Já que não conhecia absolutamente a língua deles, o inglês só podia interrogar por gestos. A única resposta que conseguiu foi: Kan-gou-rou. Voltou para bordo e anunciou que o animal era um kangourou. O nome pegou e espalhou-se por toda a Europa. Na Austrália, porém, era totalmente ignorado, e depois que se estudou a língua dos Papous a confusão ficou explicada. O indígena, que não percebia absolutamente o que o marinheiro procurava, respondeu-lhe " Kan-gou-rou” , o que não era o nome do bicho mas significava "Não compreendo".

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É isso!

A respeito do “Beijo” e do “Ósculo”

A respeito do “Beijo” e do “Ósculo”

Beijo não tem outra etimologia senão a harmonia imitativa a que os gregos chamam onomatopeia.  

Ósculo vem de os, oris, que quer dizer boca.  De maneira que ósculo significa literalmente “movimento de boca”.  

Beijo
é uma palavra comum. 
Ósculo é palavra poética. 
O mundo dá beijos. A poesia dá ósculos
O beijo pode ser lascivo. 
O ósculo é sempre puro e terno.


18 de mai de 2018

Etimologia mística de “Jerusalém”


Etimologia mística de “Jerusalém”

No cume dum cerro nu, dominando os vales erguiam-se as grossas muralhas de  Jebusalaim, capital dos jebuseus, inexpugnável  e altiva, encerrando a sua fonte perene de Gihon, que passou a se chamar Fonte da Virgem. O monte fortificado e povoado de Sion desafiava a cobiça dos hebreus, que empreendiam vagarosamente a conquista difícil da Palestina. Saul deixara várias vezes a cidade de Gabaa e impelira os seus soldados até à base dos muros desafiadores; mas a falta de recursos e de máquinas de guerra o forçava a não dar início ao cerco.

Porém o talento político e estratégico de Davi, quando guiou a nação dos Beni-lsrael, compreendeu quanto representaria para o futuro de seu povo e para o completo domínio da região a posse da fortificação jebusita. Sua obra era a continuação da obra dos sufetas ou juízes, unir a nação, dar fim às rivalidades, ter sempre sob a mão Efraim e Judá, e tirar do seio do povo de Jacó todos os espinhos dolorosos. Desses o maior era aquele constante, impertinente desdém da forte Salim (lugar de segurança), povoação destinada a centralizar o governo real e a simbolizar a homogeneidade do povo de laveh. Diz Renan que foi Davi quem criou Jerusalém, quem fez da capital israelita o polo magnético do amor e da poesia religiosa do mundo.

Os grandes doutores da Igreja arranjaram  etimologias místicas simbólicas para esse nome singelo de Jebusalaim (fortaleza dos Jebuseus). São Jerônimo divide deste modo: Jebu, Salém + Jerusalém. Jebu quer dizer calcada aos pés, salém  significa paz, e a combinação adulterada dos  dois, Jerusalém,  traduz-se por visão de paz.  A  divisão ternária representa a Santíssima Trindade e a explicação da origem da palavra é inteiramente mística. Só depois de calcada aos pés, de humilhada, a gente se pôde elevar até à paz. Para o mesmo  santo, Adão vivera os últimos anos de sua  vida e morrera nessa ditosa cidade, sendo sepultado na colina do Calvário, de maneira que o  lugar onde se enterrara o homem que cometera o primeiro pecado vira o sacrifício do "homem” (Jesus) que veio resgatar todos os pecados. Santo Agostinho apoia a mesma etimologia. A designação  Hierosolima, de puro sabor grego, é uma criação romana. Ela aparece a primeira vez no discurso de Cícero – “Ad Atticus”.

João do Norte (1921).

23 de nov de 2016

A etimologia da palavra “Emboaba”

A etimologia da palavra “Emboaba”
Procediam os portugueses inversamente, abreviando, segundo o gênio do seu idioma, as palavras longas dos índios. Temos exemplos nos nomes das plantas, dos animais e dos lugares, quase os únicos que do vocabulário indígena passaram para o brasileiro. Aqui damos um exemplo:

De bacobá (kir) ou pa cobá (guaro) fizeram os portugueses pacoba ou pacova (banana).
De porog, cuia ou cabaço vazio, fizeram porongo ou vurungo.
De irará (eira: mel, yard: colher) fizeram irara (o papa mel).
De guabirá, guabiró fizeram guabiroba, guavirova.
De pag fizeram paca.
De mandiog fizeram mandioca.
Goyó-covo (o rio Iguaçu), Goyó-en (o Uruguai), Guayra (o celebre salto do Paraná, Urubupungá (cachoeira notável do mesmo rio) Came (nação), Paraná, Paranaguá se deviam escrever Goyó-coro, Goyó-en, Guayrá, Urubupungá (e o sr. Cândido Mendes escreve assim no seu Atlas, e também o sr. Pompeu na sua Geographia), Camé, Paráná, Paránaguá. Entretanto no Paraná pronuncia-se Goyó-covo, Goyó-en, Gudyra, Urubúpúngá, Cam.
Não é pois fora do natural que de abomboaé fizessem os portugueses abambode, abamboá (cabelo diferente).
De abamboá para mbamboá é facílima a passagem, atendendo à propriedade do b medial para atrair o m. Esta regra, mui conhecida nas línguas americanas e africanas (assim como a do d para atrair o n), corresponde à análoga das línguas neolatinas, em que o m tem a propriedade de atrair o b, e o n o d. E a perda do a inicial é outro fato geralmente conhecido.
Não há pois dificuldade para converter abamboá em mbamboá.
Mas, pela mesma razão que do guarani guabirá, guabiró fizeram os portugueses guabiraba, guabiroba, fizeram de mbamboá, mbamboaba, mbamboava.
Uma vez nacionalizada a palavra, decorre naturalmente o boava, como hoje se diz em São Paulo e no Paraná.
O som nasal de mb, nd, ng é de todas as línguas, é da fonética geral do homem, e não somente das línguas americanas, como se persuadiu o nosso sábio indianólogo Sr. Dr. Batista Caetano. Desde muito haviam os linguistas reparado que nas línguas dravidianas, por exemplo, palavra alguma começava por explosiva fraca, g, d, b; e quanto às línguas africanas, mais ou menos conhecidas no Brasil, lembraremos que no bunda ou angolano e no congo são tão comuns como no guarani e no tupi os sons nasais de mb, ad, ng. Chamaremos a memória do leitor para as palavras ngola (nação), nbonde (reino), ngana (senhor), ndendê (palmeira), mbunda (nação), mbdca (nação), marimbondo (inceto), ngunga (sino), macamba (gente do mesmo bando), mumbica (ruim), mandinga (remédio), samba (adoração a Deus), muxinga (chicote), canga (emparelhar, jungir dois a dois), tanga (saiote), cabungo (urinol), mucamba (criada), pango (uma erva que se pita como o tabaco), banzé (súcia), zungu (barulho), candonga (mentira), cacunda (costas), candombe (dança), jongo (dança), quibando (peneira), mulambo (farrapos), catinga (mau cheiro), munjolo (máquina de pisar grãos), marimbau ou mbirimbau (instrumento músico), fandango (dança), bumbo (tambor), quingombó (erva comestível), berinjela (idem), cumbuca (cuia), maganga (chefe, principal), macazamba (torto, feio) e infinitas outras que ouvimos tantas vezes e vemos em Cannecattim.
Entretanto as línguas neolatinas não admitem as nasais mb, nd, ng, sem que sejam precedidas de vogal. E daí vem que daquelas palavras africanas as que ficaram no brasileiro ou perderam a primeira consoante ou tomaram vogal inicial: mbirimbau ficou berimbau, ou converteu-se em marimbau; ngana passou a angana; Ngola a Angola ; mbaca perdeu o m inicial e ficou baca; mbunda ficou ambunda e também bunda; nbonde passou a anbonde, e depois a bonde.
Finalmente a troca do b pelo v, e vice-versa, é fato constante nos portugueses; e o venerável Anchieta, exemplificando a mudança que fazem os galegos do b para o v, aponta a palavra abá: “ut pro abá dizendo avá”.
Daí ambouba, mboaba, mboava, boava.
Foi esta última forma, boava que ficou no Paraná e interior de São Paulo, como alcunha dada não só aos portugueses, mas ainda aos filhos da terra que, nos traços do rosto, na cor, no acento carregado da palavra, na quadratura figura, no gesto bruto e pesado, se parecem com os incultos filhos de fora. “É um boava” dizem lá como nós aqui: “É um galego”.
Aforou-se o vocábulo como próprio e exclusivo do dialeto brasileiro. No princípio abambaaéabá, amamboaé, mambode, ambode, emboava, boava, uma delas era a voz com que o gentio do Brasil denotava a gente estranha que, pela vez primeira, pisava as suas praias, invadia os seus campos, rasgava os rios, embrenhava-se pelas florestas, devassava-lhe os segredos do lar. Emboabas eram os paulistas, os mineiros, os goianos, os cuiabanos, os portugueses de qualquer parte que surgissem.
Do Oiapoque ao Prata, do Oceano ao Paraguai há entre as diversas tribos uma palavra para designar o inimigo, o invasor, a gente nova, o estranho, o filho de fora. Na costa, em geral, entre os tupis o estrangeiro é o tapuia (aquele que não é tupi), isto é, o selvagem, contraposto ao índio civilizado, domesticado, índio manso, índio tupi (tanto é certo que as ideias de paz e de ordem são, no coração dos homens e dos povos, correlatas de civilização!)
No Maranhão chamam-se os Caraús de cupés, os brancos, os que não são bronzeados como eles, os diferentes, os outros, os estranhos.
Em Goiás apelidam os Chambioás aos cristãos de turís.
Nas Missões os brancos são caraíbas; e ainda hoje no Paraguai o índio se orgulha chamando-se de abá (o homem por excelência), em contraposição ao caray (o estrangeiro), que ninguém sabe donde vem, gente à toa.
Entre os bugres de Guarapuava, os portugueses, sinônimo de estrangeiros, são cuprís, isto é, os brancos, quase os cupés dos Caraús, e um pouco dos turís dos Chambioás.
Os Caiuás, dos aldeamentos à margem do Paranapanema, no Paraná, chamam os brancos de caraíbas, que cor- respondem aos caraíbas dos guaranis paraguaios.
Note-se que caraíba quer dizer astucioso, manhoso, e se aplicava especialmente ao feiticeiro, que tinha partes com o diabo. Y assi Io aplicaron a los Españoles, e muy impropriamente al nombre cristiano, y a cosas benditas, y assi no usamos del en estos sentidos — diz Montoya, queixoso de tanta irreverência; mas sem razão, que os pobres dos selvagens a tinham às carradas.
Os franceses são tapuy-tingas, tapuias brancos, tapuias outros, inimigos de fora da terra, descendentes de outra raça que não a americana.
Nos sertões do Mucuri os brancos são os chretonhe, kretonhe, cristãos, como os portugueses se apelidavam, aparentando terem vindo à América com o pio fim de dilatar a fé de Cristo.
Ainda hoje os Caiuás tratam os estrangeiros de amôabá (gente estranha, homem diferente).
Era, assim, por esse tempo, emboaba voz exclusiva do índio para apelidar o português; mas depois, tomada pelos invasores a posse da terra, nacionalizados os portugueses em paulistas, mineiros, goianos, cuiabanos, baianos, maranhenses, pernambucanos, eram eles, não mais os índios, os senhores da terra, e seus filhos os naturais dela. Emboabas, não, já não o eram: o emboaba era o estrangeiro, e o estrangeiro, o não brasileiro, era o recém-chegado do Reino.
Destarte pouco a pouco foi a alcunha ficando só para os portugueses, cuja avidez dos bens do Brasil e sobranceria aos naturais dele os fazia odiados de todos os moradores, fossem índios ou brasileiros. No motim do rio das Mortes, território das Minas (1708), chamado a Guerra dos Embobas, o índio não apareceu: brigaram os emboabas (ou os portugueses) com os paulistas (ou os brasileiros).
Esse ciúme de nacionalidade perdurou até se consolidar a nossa independência política; e são conhecidos os barulhos a que deu lugar no Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Pará, em toda a parte.
O português, o pé de chumbo, o galego, o mariola, o marinheiro, o lapuz (não havia apelido ridículo que se lhe poupasse, e até lhe encurtavam o nome do país e da pátria, chamando- de portuga!) era, nada mais, nada menos, o emboaba dos tempos coloniais: primeiro, o português que vexava o índio; depois, o português que vexava o brasileiro.
Sem fazer grande cabedal do modo da formação etimológica da palavra emboaba, venha de aba-mboaé-abá, ou de amoabá, ou de amôaba, ou de amboaé-hab (particípio de aycó: ser), o essencial de assentar é a significação lexicográfica. Ora cremos ter tirado a limpo que emboaba nunca significou o calçudo, pernivestido, expressão de mofa ou desprezo; porém sim, e só, sempre o estrangeiro, o homem de fora, o inimigo oriundo de outra raça, o português, expressão de desconfiança a princípio, de ódio depois, e ódio plenamente justificado para com as feras que Portugal alijava aos montes nas praias da colônia.


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A. J. de Macedo Soares (Revista Brasileira, setembro de 1879 – Adaptação ortográfica: Iba Mendes)

A história da “rosa”

A Rainha

A história da rosa é tão longa quanto a história da própria humanidade.

Desde tempos remotos, o homem civilizado tem encontrado nela a sua mais fiel companheira e por isso mereceu dele, o cognome de "rainha das flores”, lugar hoje ocupado pela orquídea. Mas como  quem foi rei não perde a majestade, considerá-la-emos, ainda, como uma rainha entre todas as flores do mundo.

A rosa tem origem no planalto do Irã, na antiga Pérsia, e sua etimologia é repleta de simbolismo. Nos nomes "verad" (caldeu), "vard" (árabe), "varda" (armênio), "rhodson" (grego), "rosa" (latino) e "gul" (persa e turco) todos reconhecem a mesma raiz "vrdh', que quer dizer crescer. É, pois a rosa o símbolo do crescimento e da própria vida. Um símbolo que concretiza, o desejo civilizador da beleza, mostrando o progresso dos povos.

Originou-se na Média e na Pérsia o culto à rosa. É, também, naquela região que se encontrava uma das principais, senão a mais importante área de distribuição do gênero Rosa.

Depois as rosas tornaram-se conhecidas dos babilônicos, através dos médio-persas. Também os hebreus aprenderam dos babilônicos a amá-la e a cultuavam com tanto carinho que se tornou o símbolo da castidade da noiva israelita o "diadema de rosas".

Introduzindo-a na celebração de suas festas, os egípcios também cultuaram a rosa. Mais tarde a filha das montanhas da Irânia, desceu à planície grega, depois a Armênia, a Frígia, a Trácia, a Macedônia e finalmente a Hélade.

Segundo os escritos antigos, também a Síria remota teve, ligados ao da rosa, os seus dias de maior esplendor.

Entretanto foi na Itália que a cultura da rosa encontrou o mais avançado grau de perfeição.

Poetas e pintores, escritores e filósofos de todos os países, têm rendido as mais exaltadas homenagens à beleza e incomparável graça da "Rainha das Flores".

Parece-nos que, no vernáculo, pertencem ao mestre Eça de Queirós, as mais belas e eruditas páginas escritas sobre a rosa, não resistindo a trazer para aqui, algumas frases do grande escritor português tão estimado no Brasil, retiradas do livro "Notas Contemporâneas":

O culto na Grécia e na Itália punha o seu luxo na profusão das rosas. Rosas em torno às imagens e juncando as aras. Rosas coroando os Augures e pontífices. Rosas sobre o dorso e nas pontas das reses votivas. Rosas em festões, de coluna em coluna, rosando a palidez dos mármores.

Nas festas chamadas "Rosália", dedicadas a Vênus, nas calendas de maio, todas as cortesãs de Roma, envoltas em véus amarelos, numa procissão lasciva e devota, ao som lento das cítaras, iam levar à Grande Deusa, sua padroeira, as primeiras rosas do ano.

Era como a proclamação sacramental da primavera e do amor. Numa outra das lindas festas rurais da Itália, as de Déa-Dia, deusa da lavoura e dos campos, a confraria dos Freires Arvales ofertava, nos altares, pães cobertos com rosas, e depois da oblação, quando se dispersava, gritando a palavra de bom agouro "Feliciter! Feliciter!" ia atirando pelas ruas e sobre o povo, às mãos cheias, as rosas que o contato do altar tornara sagradas. Na primavera, todos os lares domésticos eram enfeitados com rosas. E não havia colono na terra pagã, que, ao primeiro bafo dos Zéfiros quentes, não pendurasse um ramo de rosas à entrada de sua cabana, ou no tronco rude do Deus dos Hortos, ou entre os cornos de Pan.

Pouco a pouco, como a filosofia vinha afirmando à alma do homem que ela é imortal, à maneira dos deuses — estas grinaldas e capelas de rosas, que se davam somente aos imortais, começaram a ser ofertadas aos homens, sobretudo às mulheres, pelo que nelas havia de divino. A rosa tornou-se em breve a flor oficial do amor. Era em forma de coroa que as rosas se depunham, no fresco alvor da madrugada, à porta da bem-amada, para lhe honrar e ornar a casa como um templo. A coroa de rosas recolhida significava da parte dela, um "sim" de doce promessa. As rosas deixadas fora desdenhosamente, a murchar ao pó e à chuva, exprimiam o amargo "não".

Tíbulo, numa das suas elegias, lança em rosto a uma insensível dama a imensa e dispendiosa quantidade de coroas que ele depusera em vão no limiar da sua morada. Esta amontoação de rosas desprezadas, apodrecendo à porta das matronas, chegou mesmo, no tempo em que se conservava nos lares romanos a tradição das Lucrécias e das Pórcias, a inquietar os edis, responsáveis pelo asseio das ruas: — e a virtude doméstica foi a desolação dos varredores urbanos, quase todos escravos asiáticos e (Ó humilhação) lusitanos! Depois com o declinar da República e dos costumes, todo o ramo de rosas depositado a uma porta.

Se a rosa estava assim associada ao cerimonial dos amores, não presidia menos profusamente à composição dos festins. O mundo antigo comia entre rosas. Coroas de rosas nas cabeças frisadas ou calvas dos convivas; cordões de rosas, a tiracolo, alegrando a túnica escura dos escravos; festões de rosas nos muros de mármore cor de rosa; rosas tapetando o chão; rosas alastrando a mesa; pétalas de rosas flutuando no vinho; chuva de rosas chovendo dos tetos dos velários, ao estridor das liras. Mesmo uma parca merenda no campo não se fazia sem luxo de rosas. O simples e honesto Horácio consente em que tudo falte na sua mesa rural, menos o aroma e brilho das rosas. “Sim, meu Dellius, canta ele, jantemos sobriamente, à sombra de um pinheiro, na relva bem verde, junto de um regato sussurrante, e que não haja senão um prato, e uma ânfora — mas braçadas de rosas".


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Adaptado de: Rossini Pinto: Vida Doméstica”, setembro de 1959.

22 de nov de 2016

O significado do nome “Curitiba”

O interessante texto a seguir, fora extraído da revista “A Divulgação”, de sua edição de abril de 1954, de autoria de Arion Dall'Igna Rodrigues, que aborda uma polêmica etimológica envolvendo a origem do nome Curitiba. Vejamos...

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Curitiba: Tupi ou Guarani?

É Curitiba nome de origem tupi ou guarani? Os autores que, até aqui, têm apresentado a etimologia do nome de nossa Capital, não o indicam, como em geral não fazem distinção entre nomes que provenham de um ou de outro desses idiomas indígenas. Assim Teodoro Sampaio em "O Tupi na Geografia Nacional"; assim (para citar um autor paranaense) Romário Martins em "Toponomástica Indígena do Paraná" (Rev. do Círculo de Estudos Bandeirantes. I, 1, set. de 1934: republicado em "Alba", set. de 1938, sob o título "Vozes Indígenas na Toponímia do Paraná").

Antes de abordar o problema, é necessário saber o que se entende por tupi e por guarani. Mesmo entre os especialistas, nem sempre é feita a conveniente distinção entre esses termos. Em se tratando de línguas, temos por mais acertado fazer uma delimitação no espaço e no tempo, a fim de bem conceituar ambos os nomes. Por tupi designamos a língua que, à época da descoberta do Brasil, era falada pelos índios tupinambás (nome genérico para os tupinambás propriamente ditos, os tamoios, os tobajaras, etc.), que ocupavam o litoral entre Cananeia e o Maranhão, e a qual ficou sendo conhecida dos portugueses como "língua geral" ou língua brasílica"; por guarani indicamos o idioma falado pelos índios guaranis carijós, etc.), que habitavam ao sul de Cananeia, estendendo-se para o oeste até o Paraguai e para o sul até o Uruguai. E distinguimos, quanto ao tempo, — tupi antigo e guarani antigo, esse tupi e esse guarani respectivamente — do tupi moderno ou nheengatu, falado ainda hoje na Amazônia (particularmente no Rio Negro) e do guarani moderno ou avanheém, usado atualmente pela população rural do Paraguai e de algumas províncias argentinas.

A diferença entre o tupi e o guarani antigos não é muito grande; era possível, mesmo, a intercompreensão dos indivíduos que falavam uma e outra língua. Se bem que se manifeste também no vocabulário e na morfologia, a diferença é principalmente fonética, isto é, de pronúncia. A s tupi corresponde h em guarani: tupi (ir), guarani ; tupi seté (corpo dele) guarani heté; a pw tupi corresponde kw em guarani; tupi pwã (dedo da mão), guarani kwã; tupi pwerab (sarar), guarani kwerá; a k tupi corresponde g guarani: tupi kutuk (ferir), guarani kutug; tupi mondok (cortar), guarani mondog, etc. Justamente por ser pequena a diferença entre as duas línguas, torna-se difícil, às vezes, saber se um nome provém de uma ou de outra, pois seria idêntico em ambas. Quando se trata de topónimos, porém, o conhecimento da área de distribuição geográfica de cada idioma remove, ao menos em parte, essa dificuldade. Sabendo-se que o Paraná esteve compreendido dentro da área guarani — e não tupi — a origem de seus nomes deve ser procurada no guarani e não no tupi (não se está considerando, é claro, o caso de nomes provenientes de línguas indígenas não pertencentes à família tupi-guarani, como o caingangue).

Para o nome Curitiba, entretanto, não só a região em que ocorre indica ser oriundo do guarani. O estudo do seu étimo confirma que é palavra proveniente dessa língua e que não pode ser interpretada como tupi. O étimo evidente de Curitiba é kurity'ba, palavra do guarani antigo que significa pinheiral, derivada que é do nome kuri, que ocorre na forma de kuriy, registrada no século XVII pelo padre Montoya, e que propriamente significa "árvore kuri", termo com que era designado o pinheiro; o segundo elemento — ty'ba — é sufixo abundancial, neste caso equivalente ao sufixo português — al. Mas, enquanto o guarani antigo possui um nome especial para o pinheiro, dá-se também que o tupi antigo não apresenta nenhuma denominação própria para essa árvore. O maior e mais antigo dicionário do tupi antigo até hoje publicado, o "Vocabulário na Língua Brasílica", de autor anônimo, registra, para traduzir o português "pinhão" e "pinheiro", respectivamente pina e pinay'ba. Esta última palavra formada de pina, evidente portuguesismo, e y'ba (árvore): árvore do pinhão. Ora, se o tupi teve de emprestar do português o nome de pinhão (pina), é óbvio que não possuía termo próprio para designar a planta, o que, aliás, é muito natural, pois a Araucária brasiliensis tem seu habitat limitado ao sul, coincidindo aproximadamente com o domínio guarani, e é desconhecida para o norte, onde se falava o tupi.

21 de nov de 2016

A origem do “brasão”

A etimologia da palavra brasão é incerta. Alguns dão-na como de origem latina; outros do inglês; há também os que afirmam derivar de blasen, palavra alemã, que significa tocar trompa. Esta opinião parece mais verossímil, porque antigamente, quando um cavaleiro se apresentava na barreira do torneio, o seu escudeiro tocava a trompa, para anunciar a sua chegada, e os arautos de armas iam reconhecer o campeão, e antes de o introduzir descreviam em altas vozes os seus brasões de armas. Maigne afirmou, ainda, que brasão é um antigo termo francês, sinônimo de escudo ou broquel, o qual é encontrado em poemas da Idade Média, de maneira que talvez por metonímia fosse empregado para designar a arte heráldica, que propriamente falando, é o estudo dos escudos ou broqueis de brasões de armas.

Concernente à história dos brasões, à medida que seu uso se espalhou, nasceu a necessidade de submetê-los a regras claramente determinadas, para impedir abusos, e a esse conjunto de regras deu-se o nome de arte heráldica ou simplesmente brasão. Chama-se pois heráldica a ciência que ensina a conhecer os brasões de armas, nomeá-los e explicar todas as suas partes, segundo seus termos. A ação de os explicar chama-se brasonar.

As armas ou brasões de armas eram emblemas concedidas ou autorizadas pelos poderes soberanos, para servirem de marcas distintivas a pessoas, famílias, cidades, corporações, países etc.    Havia três tipos dos brasões de armas: brasões de armas inteiros, partidos e parlantes. Os que não se enquadravam nas regras do brasão de armas eram considerados falsos ou de inquerito (enquete), que quer dizer — contra as regras.  Os Brasões de armas inteiros eram aqueles que pertenciam ao chefe ou filho primogênito do uma casa nobre. Os partidos pertenciam aos irmãos mais moços o aos ultimogênitos (caçulas), os quais, para assinalar seus graus ajuntavam, suprimiam ou substituíam as cores ou partes do escudo, dando origem assim ao brasão de armas de seus próprios pais, ao que se denominavam de partir, que era a ação de juntar uma cotica ao escudo. As armas parlantes são as que exprimiam todo ou em parte o nome da casa que as usava, e geralmente eram consideradas de mal gosto.

Os brasões de armas dividiam-se em sete classes, distintas e particulares. A primeira compreendia as armas de cada família nobre; a segunda, às que pertenciam às dignidades e funções eclesiásticas ou militares; a terceira eram às de “concessões”, pertencentes aos soberanos, as quais podiam ser intercaladas nas de uma família; a quarta, as de “padroados”, que eram próprias de um soberano,  estado ou de uma cidade livre; a quinta de feudos ou domínios, isto é, a de diversos estados ou terras que eram posses do soberano; a sexta (de “pretensão”) eram de origem doméstica; e, por último, a sétima eram aquelas pertencentes às comunidades, cidades, academias, corporações etc. Alguns dos antigos estudiosos do assunto acrescentaram às essas mais outras quatro, a saber: as de “aliança”, contendo costados ou divisões de escudo provenientes dos avós maternos; as de “sucessão”, das quais se serviam na falta de herdeiro de sangue; as de “substituição”, que eram aquelas de uma família  extinta, da qual se tomavam o nome e as armas; e as de “assunção”, as quais eram juntadas às divisões do escudo, em comemoração de um grande feito.


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É isso! 

29 de ago de 2016

O significado do nome Bismarck

Li num jornal do século passado que o nome Bismarck (Otto von Bismarck, grande estadista alemão do século XIX) viria por corrupção de bischoff (bispo) e mark (limite, fronteira), e significaria, por consequência: fronteira do bispo, isto é, circunscrição episcopal. Os antepassados do chanceler alemão foram de fato os primeiros personagens do bispado de Haiberstadt.


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É isso!

A simplicidade da Letra

A letra é um símbolo muito mais simples e tratável que a imagem. Isto decorre da própria etimologia de letra. O célebre antiquário Vossius deu para o radical do termo letra uma palavra grega - litos - que é em latim exatamente simplex, exilis: coisa simples. De litos o legere romano, de onde litera é para nós letra.


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É isso!

26 de ago de 2016

A origem do biscoito

A forma mais antiga de se utilizar da farinha de trigo é o biscoito. Ninguém, porém, pode afirmar em que época foi, pela primeira vez, empregada a fermentação para se fazer o pão, mas o que incontestável é que os bolos feitos com farinha e águas, sem fermentação, que é o biscoito, é muito mais antigo do que o pão. Li num periódico que no fundo das camadas dos lagos da Suíça que datam da idade neolítica, foram achados bolos feitos de farinha e água, sem fermentação. O biscoito é, portanto, a forma primitiva da utilização da farinha de trigo e tem a vantagem de se conservar muito tempo e ser de fácil fabricação. Quase todas as nações antigas usavam de biscoitos nas guerras e nas longas viagens terrestres e marítimas. Os gregos davam-lhes um nome, que equivale a "pão que vai duas vezes ao fogo", e os romanos a denominavam de panis nauticus. A palavra biscoito significa que a preparação da massa ia "duas vezes" (bis) ao fogo, e os franceses dizem biscuit: bis (duas vezes) e cocto (cozido). Atualmente o processo de fabricar biscoitos é bem diferente, pois vai ao fogo uma só vez. Sobre o assunto ironizou alguém num jornal de 1888: "Daqui a alguns séculos os etimologistas atrapalhados para aplicarem a origem da palavra biscoito, indo uma só vez ao fogo, hão de descobrir em qualquer língua Welche que bis significa um."



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É isso!

A origem do Jornal

A palavra jornal origina-se do francês journal, que por sua vez tem origem no italiano digionale (formado de diurnalis, derivado de dies, jour), que significa diário. No século XIX, aqui no Brasil, o termo foi duramente atacado pelos puristas da língua, como foi o caso de Felinto Elysio, que via a palavra como um "galicismo intolerável", sugerindo que se empregasse tão somente a palavra diário para se referir ao periódico diário. Para ele tal termo deveria ser usado apenas em referência ao que o jornaleiro ganha diariamente, o pagamento feito por dia de trabalho (diária, féria, remuneração). O pedantismo linguístico, porém, fora superado e ninguém mais questiona o uso do vocábulo para designar a publicação periódica (geralmente diária), a qual contém notícias nacionais e internacionais, editoriais, artigos, quadrinhos, classificados, anúncios etc. Também é sinônimo de: folha, gazeta e periódico.



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É isso!

A origem da Rússia

Especula-se que tal palavra referia-se na sua origem ao Rio Neman: russ, russia, ou da palavra finlandesa ruotsi, com a qual os finlandeses designavam os estrangeiros, e mais particularmente os suecos, que se estabeleciam na costa oriental do Báltico, pela embocadura do Niemen. Apenas no século IX é que o nome de russos (ou rossos) começou a figurar na história.  Foi no ano de 839 que uma embaixada de russos se apresentou em Constantinopla, e em 852, que uma flotilha russa entrou nas águas do Bósforo. O fundador da Rússia foi Rurick, chefe dos yareghs, povo estabelecido nas margens do Báltico, nas proximidades da embocadura do Niemen.



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É isso!

A origem do Senado

Do latim Senex (velho) origina-se a palavra Senado (senatus), que representa um congresso de homens de certa idade para cima (entre nós 40, 35  e agora de 29 anos), aos quais são confiados os negócios do estado da mais alta importância, levando-se em conta que só em certa idade é que o homem com sua notável  experiência e o exercício de certas habilidades, e com o fruto de suas lucubrações pode, apresentando certo grau de instrução, tomar decisões mais segura e acertadamente, não apenas porque o muito errar lhe tem ensinado a acertar, como porque certas paixões que deslumbrarão os olhos da mocidade, já neles não tem preponderância.

Na Roma antiga referia-se à assembleia dos patrícios, que constituía o Conselho supremo da nação.

O senado brasileiro é uma das duas casas legislativas que formam o Congresso Nacional, composta de representantes dos estados da federação e do Distrito Federal, eleitos pelo voto popular direto a mandatos de quatro anos, passíveis de reeleição.



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É isso”!

A origem da cariátide

A palavra cariátide é um termo utilizado na Arquitetura e se refere a coluna ou pilastra, originária da Grécia antiga, geralmente com a forma de figura feminina, para sustentar cornijas ou arquitrave (Michaelis). Segundo um documento que encontrei de 1859, o termo tem a seguinte procedência:


“Tendo os habitantes da Cária feito uma aliança com os persas contra outros gregos, estes subjugaram os primeiros e passaram os homens ao fio da espada, fazendo as mulheres suas escravas e obrigando as infelizes a conservarem seus compridos vestidos e ornatos, para simbolizar a expiação daquele crime.  Os arquitetos, na sua santa indignação contra os traidores, substituíram as colunas e pilastras por mulheres vestidas como as carítas, para transmitir à posteridade a maneira do seu cativeiro e infame traição que lhe deu causa. Tal é a origem da palavra, que se aplica desde então, tanto na escultura como na arquitetura, a todas as estátuas de mulher, todas ou parte vestidas, e que se colocam em lugar de colunas, para sara sustentar os entablamentos. ”


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É isso"!

As etimologias de Maria segundo o Padre Vieira

Em seu belíssimo “Sermão do Santíssimo Nome de Maria”, o genial Padre Antônio Vieira (um dos maiores oradores da Língua Portuguesa em todos os tempos) nos brindas com a sua sapiência e o seu vasto conhecimento da etimologia latina. Fazendo uso de expressões da língua de Roma, exalta ele as virtudes de Maria (mãe de Jesus Cristo), justificando-as pelo viés etimológico e teológico. Se não nos convence com sua Teologia, certamente persuade-nos com sua habilidade no manejo correto do nosso idioma. Vejamos...

As significações do nome de Maria: Stella Maris, Domina, Illuminatrix, Amarum mare, Deus ex genere meo.

Depois de declarado quem foi e quem só podia ser o autor do nome de Maria, que foi Deus, segue-se, como prometi, examinar a significação ou signifi­cações do mesmo nome. A língua hebreia, a caldaica, a siríaca, a arábica, a grega, a latina, todas conspiram em o derivar de diversas raízes e origens, por onde não é uma só, senão muitas as etimologias deste profundíssimo e fecundíssimo nome, e o mesmo nome, segundo a propriedade de suas significações, não um só nome, senão muitos nomes.

 A primeira etimologia, e sabida de todos, é que o nome de Maria significa Stella maris: estrela do mar. O mar é este mundo, cheio de tantos perigos, combatido de todos os ventos, exposto a tão frequentes tempestades, e em uma tão larga, temerosa e escura navegação, quem poderia chegar ao porto do céu, se não fosse guiado de lá por aquela benigníssima estrela? Quibus auxiliis possunt naves inter tot pericula pertransire usque ad littus patriae? Por que meio poderão os navegantes, entre tantos perigos, chegar às praias da pátria? – pergunta o Papa Inocêncio III – e responde que só por meio de duas coisas: nau e estrela. A nau é o lenho da Cruz, a estrela é Maria: Certe per duo, videlicet, per lignum et stellam, ide est, per lidem crucis et virtutem lucis, quam peperit nobis Maria maris stella.

A segunda significação e etimologia do nome de Maria é Domina, Senhora por antonomásia, porque do seu domínio e império nenhuma coisa se exclui: Senhora do céu e Senhora da terra, Senhora dos homens e Senhora dos Anjos, e até Senhora por modo inefável do mesmo Criador do céu e da terra, o qual lhe quis ser, e foi sujeito. Ouçamos o altíssimo pensamento de S. Bernardino, e tão verdadeiro como alto: Ille qui Filius Dei est et Virginis benedictae, volens paterno principatui quodammodo principatum aequiparare, ut sic dicam, maternum in se qui Deus erat, matri famulabatur in terra: Aquele Senhor, que é Filho de Deus e da Virgem, querendo em certo modo igualar o senhorio de sua Mãe ao senhorio de seu Pai, se sujeitou e fez súdito da mesma Mãe na terra. – E isto com tanta verdade – conclui o santo – que assim como verdadeiramente dizemos que todas as coisas obedecem a Deus, até Maria, assim é verdadeiro dizer que todas as coi­sas obedecem a Maria, até Deus: Sicut verum est divino imperio omnia famulan­tur, et Virgo, ita quoque verum est Virginis imperio omnia famulantur, et Deus.

A terceira etimologia e interpretação do nome de Maria é Illuminatrix, ou Illuminans eos, isto é, a que alumia a todos os homens. Por isso é comparada a Senhora àquela coluna de fogo que de noite alumiava todo o exército e povo de Israel no deserto, enquanto caminhavam peregrinos para a Terra de Promissão: Tolle corpus hoc solare, qui diminuta mundum: ubi dies? Tolle Mariam, quid nisi caligo involvens, et umbra mortis, et densissimae tenebrae relinquuntur? Tirai do mundo este corpo solar, esta tocha universal, que o alumia diz – S. Bernardo – e onde estará então o dia, ou quem o fará? – Do mesmo modo, se tirardes do mundo a Maria, tudo ficará às escuras, tudo trevas, tudo sombras mortais, tudo uma noite perpétua, sem que jamais amanheça. – E que muito é – diz o mesmo santo – que Maria alumie a terra e os homens, se, depois que entrou no céu, a mesma pátria dos bem-aventurados e a mesma Corte do empíreo ficou muito mais alumiada e ilustrada com os res­plendores de sua presença? Mariae praesentia totus illustratur orbis, et ipsa jam caelestis patria clarior rutilat virgineae lampadis irradiata fulgore.

A quarta interpretação, e que parece menos alegre, do docíssimo nome de Maria é Amarum mare: mar amargoso. Mas como podem caber as amarguras do mar, ou um mar inteiro de amargura, no nome daquela Senhora a quem nós saudamos e invocamos com ode doçura nossa? Já se vê que aludem estas amargu­ras às dores do pé da Cruz, das quais estava profetizado com o mesmo nome de mar: Magna est velut mare contritio tua (Grande é como o mar o teu desfalecimento” - Lam. 2, 13). – Mas, posto que as águas daquele turbulento mar foram tão amargosas para a Mãe angustiada que as padeceu, para nós, que logramos os efeitos delas, são muito doces. Porque, ainda que a miseri­córdia da Senhora foi sempre grande, as dores que então experimentou, fez a mesma misericórdia mais pronta para socorrer e remediar as nossas. Não tem menos autor esse reparo daquelas amarguras que o angélico Santo Tomás. Diz S. Paulo que Cristo quis padecer para se poder compadecer de nós: Non habemus pontifi­cem, qui non possit compati infirmitatibus nostris, tentatum per omnia (“Não temos um pontífice que não possa compadecer-se das nossas enfermidades, mas que foi tentado em todas as coisas” - Hebr. 4, 15). – Pois Cristo, ainda que não fosse possível, nem padecesse, não se podia compadecer de nós e remediar-nos? Sim, podia – diz Santo Tomás – mas não com tanta presteza e prontidão, porque enquanto Deus só conhecia as misérias; por simples notícia, e depois que padeceu conheceu-as por experiência: Sciendum quod... posse ali-quando importa! non nudam potentiam, sed promptitudinem et aptitudinem Christi ad subveniendum: et hoc quia scit per experientiam miseriam mostram, quam ut Deus ab aeterno scivit per simplicem notitiam. – Necessário foi logo na Mãe — assim como no Filho - que a experiência das dores e amarguras próprias lhe acrescentasse a compaixão das alheias, e excitasse e estimulasse nas suas a prontidão de remediar as nossas.

 A quinta etimologia, e também a última, como a maior e mais excelente de todas, é singularmente do grande doutor da Igreja Santo Ambrósio, qual diz que o nome de Maria significa Deus ex genere meo: Deus da minha geração. - Speciale Maria Domini hoc nomen invenit quod significar Deus e; genere meo. - Não declarou o santo a origem de tal nome, mas depois lhe descobriram as raízes outros autores, na derivação de duas palavras hebraicas. E que significação pode haver, nem mais alta nem tão imensa? S. Paulo em Ate nas, ensinando aos areopagitas a grande dignidade do homem e parentesco que tem com a divindade, diz que somos geração de Deus; e para isso lhes alegou como coisa conhecida até dos mais sábios gentios, o verso de Arato, poeta da sua mesma nação: Ipsius enim et genus sumus (“Porque dele também somos linhagem” - At. 17, 28). - De sorte que os homens somos geração de Deus, e Deus é geração de Maria: os homens geração de Deus, porque Deus nos deu o ser; Deus geração de Maria, porque Maria deu o ser a Deus. E isto é o que significa o nome de Maria: Deus ex genere meo. - Vede se tive razão de lhe chamar imenso, como agora lhe chamo sobre-imenso. E por quê? Porque, sendo Deus imenso e infinito, uma parte de que se compõe o nome de Maria é todo Deus. Quis Deus acrescentar o nome de Abrão, e a significação dele, que era grande: e que fez? Tirou uma letra do seu nome, a acrescentou-a ao nome de Abrão. Isso quer dizer: Nec ultra vocabitur nomen tuum Abram sed appellaberis Abraham (“Daqui por diante não te chamarás mais Abrão, mas chamar-te-ás Abraão” - Gên. 17, 5). - Este foi o acrescentamento de nome; e o do significado foi tal que, declarando-o o mesmo Deus, disse: Faciam te crescere vehementissime (Gên. 17, 6): Far-te-ei crescer veementissimamente. - Invente a gramática outros termos maiores de se explicar, por que os superlativos já são curtos. Se os aumentos que uma só letra do nome de Deus causou no nome de Abraão foram veementíssimos aqueles com que todo o nome de Deus entrou no nome de Maria, e o encheu Maria, Deus ex genero meo - quais seriam? Reserve-o para si o mesmo Deus, que só ele o pode compreender.