30 de nov de 2018

A origem da “Anedota”


A origem da “Anedota”

Entre os antigos da Grécia havia duas sortes de literatura: aquela que recebia divulgação e a que só era lida em particular. Esta última era chamada “ananekdotos", isto é "não-publicados". A palavra foi formada com os vocábulos "a" "an" significando "não" e "ekdotos" que quer dizer "levado para fora". Desta fonte surgiu a palavra anedota que originalmente conservava o significado grego isto é "narrativa não publicada". Mas, as narrativas inéditas, especialmente sobre coisas curiosas e pessoas famosas, despertam sempre grande interesse.

Assim, as "anedotas" eram constantemente narradas em todas as ocasiões, e a palavra perdeu seu significado original, passando a significar simplesmente uma história, um incidente ou pilhéria.

Na acepção corrente, anedota é sinônimo de "piada", história para rir. Sua origem, porém, não foi essa. Por isso se diz, quando se conta algum fato, mesmo sem humor, da vida de uma pessoa importante, que se narrou uma anedota.

Origem da palavra "gueto”


Origem da palavra "gueto”

Foi na idade-média que se criaram os primeiros ghetti cujo nome, segundo alguns, teria por origem a palavra judaicorum que, pouco tempo depois do ano 1000, servia efetivamente para designar o bairro israelita de Viena. Tendo sofrido uma alteração, essa palavra tomar-se-ia em gindaica, depois gietto e, por fim, ghetto. Deve, pois, ser de origem italiana.

A origem do “boicote”


A origem do “boicote”


A origem da palavra boicote (inglês boycott), hoje muito empregada em todos os idiomas, é a seguinte: o capitão inglês Boycott era um administrador rural a serviço de Lord Earne, no  distrito de Conemara, na Irlanda. Como administrador, tinha o encargo de avisar aos arrendatários quando estes deviam desocupar as terras, em caso de não pagamento da renda com pontualidade. Os arrendatários vingavam-se, recomendando uns aos outros que não dessem importância a qualquer solicitação do capitão, isto é, que tornassem a vida dele a mais difícil possível naquela região. Daí o emprego que hoje é dado à palavra "boicote".

Os sentidos de “Club”

Os sentidos de “Club”

Muita gente ignora, com certeza, a origem da palavra inglesa "Club”, geralmente adaptada em todos os países, para designar “grêmios, associações, reuniões etc.”, destinadas a fins políticos, científicos, recreativos etc. 


A palavra club significa: maça, cacete, pau grosso; as primeiras assembleias populares que se formaram em Inglaterra para a queda da monarquia, quando se deu a luta entre os "cabeças redondas” e os “cavaleiros”, tomaram aquela designação. Eram “caceteiros” como se dizia antigamente. 


“Club-law”, que, no sentido figurado, é a lei, o estatuto de um " club";  no sentido literal é "a lei do cacete”, “a lei do mais forte”; a lei por meio de "clubs" ou mediante a violência. 

Um "club-man ", que, no sentido figurado e corrente, é o sócio de um "club" (ou de mais de um), é aquele que vive a vida dos "clubs ", que os frequenta, que neles é assíduo, que deles faz o seu lar etc.; no sentido literal é "um homem armado de maça”, um “homem que anda de cacete", disposto para o uso da força, para a agressão. 

“Club-fisted" é aquele que "tem a mão pesada ", que tem "o punho grosso”. O “Club-fist " é um " brutal”.

Considerações sobre o "bom dia" e o "adeus"


Considerações sobre o "bom dia" e o "adeus"

Duas são as grandes formas comunicação verbal entre os homens, quando se aproximam ou se afastam: — Bom Dia, forma principal de saudação e Adeus, forma comum de despedida.

Expressam ambas a mesma ideia: um voto de felicidade pelo próximo, dirigido à Divindade. Insinuam a caridade fraterna. Tocam a natureza espiritual do homem. Vem da religião.

Do Radical bon originou-se ben e deste bênção. Dia vem de diu, que também serve de raiz Deus. A saudação Bom dia traduz, destarte uma "Bênção de Deus", que o homem deseja ao seu semelhante.

O fato não é exclusivo das novilatinas. A expressão bretã Good-morning tomada ao pé da letra  é: Boa manhã, do helênico mene através do latim mane, equivale precisamente a Dia, a Deus. O cumprimento resposta do ameríndio anauê, prende-se à mesma origem. Palavra composta de ene e yauê, traduz-se por bom dia. Ene em tupi, é bom e yauê, tem toda a semelhança fonética com o hebraico Iavé, Ieová (Deus).

Quanto à forma de despedida Adeus, empregada equivalentemente em todas as línguas, significa voto a Deus, expressivo do fraternal desejo dos que se despedem. Não foge à regra  o inglês God-bye, como passamos a ver. Originalmente era: God be with ye, forma que traduz literalmente o latim Dominus Vobiscum: O Senhor seja convosco.

Processou-se a derivação do seguinte modo: 1) queda da preposição with e junção do pronome ao verbo; ficou: God-beye; 2) síncope fonemo sonoro verbal, interessando a pronúncia, ficando: God-bye; 3) substituição de God, Deus, por good, bom, bem, bênção, felicidade, voto. Análoga inconteste com a forma de saudação Good-moming. Na expressão Good-bye, portanto, o bye nenhuma relação tom com preposição by, como podia parecer. Oriunda do latim AB, por interessante processo derivativo, em que a hipértese desempenhou papel dominante, BY, preposição, difere morfologicamente de BYE, componente da despedida anglicana.

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Pelo Padre: J. O'Grady de Palvra

A origem da palavra “Banho”


A origem da palavra “Banho”

Talvez na história da humanidade, o banho tenha tido fase de maior esplendor, mesmo de culto, como a que assinala a história antiga, entre os gregos e romanos.

É curioso observar que a nossa palavra banho se origina de uma raiz grega que significava "afastar a tristeza da mente". Isso mostra bem que ideia poética e sutil tinham os homens dos “ginásios” e das “ágoras" com relação ao banho. Realmente, o banho não é somente limpeza do corpo. É alegria física e é alegria para a alma. Quando certos anunciantes de sabonetes falam do banho como fonte de alegria, talvez não saibam que se prendem a uma tradição de mais de dois mil anos atrás.

A origem das “Paradas"


A origem das “Paradas “


Quando as tropas romanas eram inspecionadas antes de entrar em combate, a cerimônia começou a ser chamada “paro” (preparar-se). Tal a origem da palavra parada, para significar um desfile militar.

O que é "Meerschaum"


O que é "Meerschaum"

Esta substância leve, usada na confecção de cachimbos, é geralmente encontrada à flor d'água quando está seca. Tal circunstância fez crer aos antigos que era espuma de mar petrificada. Recebeu, por isso, seu nome do alemão "meer” (mar) e "schaum" (espuma) .

A origem das “Regatas”

A origem das “Regatas”

Costumavam os antigos venezianos realizar anualmente uma corrida de gondoleiros e, como isso fosse motivo de reunião dos barqueiros, a corrida ficou sendo chamada “regatta". Tal a origem da palavra que indica qualquer corrida náutica, seja a remo ou a vela.

A origem do "Cocktail"


A origem do "Cocktail"

Este nome que a uma bebida misturada tem origem em várias lendas. Uma delas nos conta que, durante a guerra com o México, um oficiai norte-americano foi recebido pelo chefe azteca que ordenou à filha, chamada servisse uma bebida ao visitante. O Oficial achou-a tão saborosa que a chamou de "cocktail", em homenagem à jovem mexicana.

A Letra "N"


A Letra "N"

O hieróglifo egípcio equivalente a esta letra é uma linha simulando a superfície da água. Os fenícios a adaptaram como um peixe e chamaram-na "non" Os gregos a denominaram "nu", de onde os romanos tiraram o "en" e os espanhóis e portugueses “ene", para, denominar a letra "N" do alfabeto moderno.

A origem do “cadarço”

A origem do “cadarço”

As mulheres da Suméria, 4.500 anos A. C. , usavam sapatos sem saltos, feitos de couro curtido e amarrados com cordões semelhantes aos que usamos em nossos dias. Estes foram os primeiros sapatos com cordões que se conheceram.

"Brasil, o celeiro do mundo"

"Brasil, o celeiro do mundo"

Esta frase, aplicada ao Brasil devido à fertilidade de seu solo e a suas inesgotáveis riquezas naturais, se deriva de uma declaração feita pelo geógrafo e explorador Alexandre Humboldt, o famoso naturalista alemão, que classificou o nosso país como o "tesouro do mundo."


A origem do “peão”

A origem dos “peões”

Este sistema de escravidão teve início no antigo Egito, quando os devedores que não pagavam tinham que trabalhar exclusivamente para credor, até que saldassem suas dívidas. O nome "peão'" significava "soldado a pé", e tem origem na palavra latina pes () .

A lenda do “Bigode”

A lenda do “Bigode”

Contava-se antigamente que um alemão, retorcendo a barba crescida do lábio superior, dizia: “Bey Gott... bey Gott”, invocando o nome de Deus, para que esse o ajudasse numa dificuldade. E daí teria provindo a origem do “bigode”.

A origem do “cidadão?”

A origem do “cidadão?”

O título de “cidadão” remonta aos primeiros dias do mês de outubro de 1774. Nasceu nas seguintes circunstâncias...

Beaumarchais (autor de O Casamento de Fígaro) tendo tido um processo com um conselheiro, defendeu ele mesmo sua causa diante do Parlamento e fez o primeiro chamado à opinião pública:

 "Sou um cidadão, quer dizer que não sou nem um financista, nem um abade, nem um cortesão, nem um favorito, nem nada que se chame um poderoso...  Sou um cidadão, quer dizer qualquer coisa de novo, de desconhecido, de espantoso na França. Sou um cidadão, quer dizer o que deveriam vocês ser há duzentos anos e que serão daqui a vinte anos talvez.”

A defesa de Beaumarchais teve grande repercussão. A datar daquele momento, o título de cidadão foi adotado por todos os espíritos liberais.

Considerações sobre o “Gaúcho”


Considerações sobre o “Gaúcho”

Segundo C. Jackes, em artigo na revista Estação de 1902, a palavra gaúcho era o nome de uma das tribos indígenas, em tudo semelhante aos índios charruas, minuanos, puelches, que habitavam a Patagônia. Estas tribos tornaram se notáveis pela destreza com que faziam uso do cavalo, o qual fora de vital relevância nas lutas destes povos.  Deitados no dorso destes animais ocultavam-se eles do inimigo para atacá-lo de improviso à lança e à bandeira. Sobre o dorso do cavalo, montados ou deitados, percorriam as mais longínquas regiões, vencendo os obstáculos e atravessando a nado os grandes rios. Fizeram-se assim temer pelos conquistadores espanhóis.

Forçados pela lei da necessidade os primeiros povoadores das regiões platinas e rio-grandense, o camponês valoroso, franco, sincero e leal se denominou gaúcho, e como o gaúcho reúne estas grandes qualidades, tanto no Prata quanto no Rio Grande, tornou-se esta palavra o maior título de honra.

O significado de “Jaraguá”

O significado de “Jaraguá”

Segundo Martius, em sua Glossaria da lingua brazilia, este nome significa morro que domina o campo; já o sábio viajante Augusto de Saint'Hilaire dizia significar água que murmura.

Foi no monte Jaraguá que teve lugar a primeira descoberta de minas de ouro (em 1590) pelo paulista Afonso Sardinha e seu filho Pedro Sardinha, a qual foi empreendida depois da malograda expedição de Cananeia, por ordem de Martim Afonso em 1532. A mina de Jaraguá foi tão abundante naquele tempo de sua exploração que se chamou Peru do Brasil.

O que significa “Mameluco”


O que significa “Mameluco”

Mamelucos era o nome com que eram designados, na capitania de São Vicente (e em todas as demais), os descendentes de pais europeus e de mães indígenas desta terra. Tal grupo étnico era de ordinário considerado mais robusto que os seus pais, e formavam a milícia mais preparada para a conquista dos sertões. Foram eles os que atacaram e destruíram, no século XVII, as reduções jesuíticas entre o Paraguai o Paraná, pelo que os discípulos de Loyola os qualificaram com os nomes mais afrontosos em seus escritos, estendendo o seu ódio a todos os habitantes da capitania de São Vicente.

O que são as Janeiras?

O que são as Janeiras

Os antigos chamavam Janeiras às cantigas e músicas que certos homens entoavam às portas dos amigos e pessoas de qualidade, no primeiro dia de Janeiro.

O mesmo nome também era dado aos presentes do dia de ano bom, sendo portanto as Janeiras a mesma coisa que os franceses chamam étrennes.

Diogo do Couto, na Década refere-se a este assunto, pela forma seguinte:

Uma novidade contarei que não acho nas histórias, digna de se saber, e de cuja origem não há poder-se achar rastro algum, que é esta. Todos os primeiros dias de Janeiro, em saindo novos vereadores e Oficiais da câmara (portuguesa), logo vão visitar el-rei de Cochim, e lhe levam um português de oiro, o que até hoje (1616) dura; e nem os mesmos vereadores sabem a razão por que jazem aquilo. O que eu presumo é que se lhe dá a modo de pitança, que lhe oferecem quando lhe vão dar os bons anos, em gratificação da cidade que nos deu; ou também se lhe oferecerá por peça que naquele tempo que descobrimos a Índia, se lhe costumava a dar de Janeiras.

Ainda no princípio do século XVIII se chamava “dar as Janeiras”, ao que hoje se diz: “dar as boas festas”.

23 de out de 2018

A origem do "chocolate"


A origem do chocolate

A famosa noz de cacau só foi importada em França no reinado de Luís  XIII e vulgarizada sob Luís XIV pela  rainha Maria Teresa que, apreciando  muito particularmente essa deliciosa  bebida, fê-la saborear por toda a corte.  

Muito antes da França, os habitantes  de Guatemala conheciam as propriedades dos grãos de cacau.  

Havia duas espécies bem diferentes:  o “patelux", cacau grosso, de cor avermelhada, sabor acre e amargo, e o "socouascho", um pouco amargo, mas muito perfumado. Este era considerado tão precioso que, sob a sua forma de amêndoa, servia de moeda corrente. Nesse tempo, servia-se o cacau em copos de casco de tartaruga e incrustado de ouro e pedrarias.

Os espanhóis, depois da conquista do novo Mundo, importaram o cacau, e dele fizeram um uso considerável. O pó de cacau, misturado com leite, tinha sido batizado com o nome de chocolate. As ricas crioulas faziam-se servir dele, no ofício do meio-dia, por seus escravos, mas esse hábito foi logo interdito pelos oficiantes. As belas, porém, preferiram renunciar à missa a abandonar o seu chocolate. É, pelo menos, o que conta um historiador, que aproveita a ocasião para dar a entender que as mulheres foram sempre mais ou menos gulosas.

Os grãos de cacau ficaram desconhecidos na Europa, até que negociantes holandeses e ingleses, reconhecendo todo o valor desse fruto, o importassem para o velho continente pelo século XVII.

No fim desse século, o chocolate foi  objeto de vivas discussões, nas quais tomaram parte madame de Maintenon e a princesa de Ursins.

Tratava-se de saber se essa nova beberagem quebrava ou não o jejum da quaresma. As opiniões divergiram muito. Os jesuítas, contudo, declararam que o chocolate, feito na água, não passava de simples bebida, que podia ser ingerida, mesmo na quaresma.

Graças a essa publicidade, o chocolate entrou rapidamente na moda. Fizeram-se então os bolos, as peças montadas e os deliciosos bombons, que todos apreciamos hoje e que provocam tantos pecadinhos de gula entre os meninos.

Sob Luís XV, todos os senhores possuíam uma "bonbonnière" cheia de pastilhas de chocolate e, pelo ano de 1705, criou-se mesmo um novo cargo, o de "chocolateiro da rainha", cargo muito invejado, que tinha por missão fornecer à Sua Majestade guloseimas delicadas e variadas todos os dias.


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Fonte:
Revista Vamos Ler!, edição de 05/01/1939.

31 de ago de 2018

O emprego do TH: “enfeitando o pavão”


O emprego do TH: “enfeitando o pavão”

Especialmente a partir dos anos 90 do século passado tornou-se comum fazer uso da combinação “th” para a formação de nomes próprios, como no exemplo clássico: Matheus. Embora em tempos remotos da história da nossa língua o seu uso tenha tido um caráter oficial (como em theologia), não existe, hoje, qualquer justificativa linguística que faça valer essa prática ortográfica. A utilização de tal combinação só pode ser entendida pelo viés cultural, oriunda da nossa eterna mania de supervalorizar os estrangeirismos das línguas influentes, como é o caso do inglês.    É bom esclarecer, que, quando outrora empregado em nosso idioma, o th se justificava por corresponder à  letra theta dos gregos; usávamos como os latinos, somente nas palavras de etimologia grega.

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É isso!

A Origem da palavra “Chile”


A Origem da palavra “Chile”

Vem este nome da palavra "frio" que em Peru se dizia chili, em razão das regiões frígidas e nevoadas dos Andes, as quais eram obrigados a transpor os que desejavam ir do Peru para lá. Se dermos crédito aos escritores, aquele frio ali era tão intenso que tolhiam os cavalos com os cavaleiros, endurecendo-os como mármore. Os chilenos são antecos dos castelhanos. Experimentam as chuvas, os raios e as variações do ano em intervalos distintos, como na Europa, com a diferença de que, pela inversão dos solstícios, é para eles estio, quando para nós é inverno. Pode observar-se o polo antártico por causa da translação de uma nuvenzinha branca em torno dele.

A Origem do nome “Pernambuco”


A Origem do nome “Pernambuco”

Sobre a etimologia de Pernambuco assim disserta Teodoro Sampaio: "PERNAMBUCO, paranãmbuca, o furo ou entrada do lagamar; alusão à brecha natural do recife por onde o lagamar se comunica com o mar. O nome paranambuca era comum na costa do Norte, no trecho dela tomado pelos recifes, e o sentido que os índios lhe davam era o de furo, entrada, passagem natural aberta na muralha do recife. No tupi do Norte, no Nheengatu, paranã-mbuca quer dizer jorro do mar, alusão à embocadura por onde ele se escapa. Mui acertadamente escreve a propósito o autor do Castrioto Lusitano, Frei Rafael de Jesus, ao tratar do Porto do Recife: “...uma abertura à qual os naturais chamam Pernambuco, que, em sua língua, é o mesmo que pedra furada ou buraco que fez o mar de que se forma a garganta da barra...” O vocábulo — paranã = para + nã — traduz-se semelhante ao mar; é lagamar formado na junção dos rios Capiberibe e Beberibe e o furo, a abertura,  a quebrada".

“O Pai dos velhacos”


 “O Pai dos velhacos”

Havia antigamente em Lisboa uma espécie de magistrado de polícia, a quem se dava o nome de pai dos velhacos. Era o mister deste magistrado o indagar dos moços vadios que havia na cidade, ou a ela vinham ter de outras partes do reino, aos quais devia prover de amos ou mestres, que lhes ensinassem ofícios. A mesma espécie de magistratura existia na cidade do Porto, como se vê de uma provisão real existente no cartório da câmara, e passada no ano de 1535. Por este documento consta que aquele cargo era dado a um cidadão honrado, que por este serviço vencia ordenado, ou mantimento, pago por el-rei.

A origem do "Século"


A origem do "Século"

A palavra século não teve sempre a mesma significação. Os antigos tinham duas espécies de séculos: o natural e o civil. É provável que o século natural fosse em princípio a duração média da vida. Mais tarde, não foi senão, como o século civil, um período de convenção. Na origem, foi o século natural muito grande: atribui-se-lhe uma duração de 112 até 116 anos. Depois diminuiu rapidamente até aos tempos de Plínio, em que se lhe dava apenas de 25 a 30 anos. Enquanto ao século civil, de valor puramente convencional, variou-se-lhe muito a duração; e é difícil determinar-se-lhe um valor exato. Horácio, por exemplo, dá ao século 110 anos.  Atualmente dá-se ao século um valor fixo e determinado: é um espaço ide 100 anos. Tem o século de hoje maior utilidade nos usos cronológicos do que os séculos dos antigos. Serve para fixar acontecimentos de todas as épocas históricas. Remedeia os inconvenientes que os gregos quiseram evitar, criando as Olimpíadas; e tem sobre este período a vantagem de ser maior, e não exigir cálculo da parte do leitor para a determinação exata da época em que os acontecimentos tiveram lugar.

O sentido de “Lustro”


O sentido de “Lustro”

O período de 4 anos, a que os gregos davam o nome de olimpíada, era chamado lustro entre os romanos. Foi criado com o mesmo fim que as olimpíadas, e participa dos mesmos  inconvenientes. Não teve sempre o lustro a mesma duração. Sendo, a princípio, de 4 anos; prevaleceu depois o uso de se lhe darem 5: e é neste sentido que se deve tomar a palavra lustro, na época da decadência do império romano. Embora raro, ainda se atualmente se diz um lustro, para se designar um período de 5 anos. Designava esta palavra, na origem, uma festa expiatória, instituída por Sérvio Túlio, e celebrada em épocas regulares. E daí veio por extensão a significação, que geralmente se lhe dá.

Lendas Brasileiras: Sobre a "Mani"


Lendas Brasileira: Sobre a Mani
Nas lendas indígenas, Mani é uma criança branca, filha de uma índia virgem, que viveu pouco tempo. No local em que foi enterrada nasceu uma planta, a mandioca. Os índios acharam a raiz curiosa e  a comeram, passando a mandioca a ser um alimento comum em todas as tribos.

Candomblé: Quem é Iemanjá


Candomblé: Quem é Iemanjá

Iemanjá é tida como a Rainha do Mar. Cultuada nos dias de sábado, ela é identificada com Nossa Senhora do Rosário ou Nossa Senhora da Piedade. Na Bahia, seu dia é o Dois de Fevereiro, quando dezenas de embarcações despejam ao mar os presentes e oferendas: flores, espelhos, pentes, fitas e perfumes, entre outras coisas. No Rio de Janeiro, a deusa é homenageada no último dia do ano. A "Mãe D'Água" adora peixe de escama, arroz, feijão fradinho, feijão preto, xinxim de galinha e milho branco cozido, além de banana frita, coco, ovo cozido, abará, acarajé e abóbora.

Candomblé: Quem é Oxalá


Candomblé: Quem é Oxalá

Oxalá, considerado o mais importante dos orixás (deuses africanos), é a personalidade do céu. Seu fetiche é representado por conchas e limão verde dentro de um círculo de chumbo. Também conhecido como obatalá, é cultuado às sextas-feiras e, na religião cristã é identificado com o Senhor do Bonfim. Segundo os entendidos, Oxalá governará o ano de 1988. O branco é a sua cor e, de acordo com a religião afro-brasileira, seu discernimento e equilíbrio são os grandes responsáveis pela paz e tranquilidade. Oxalá gosta de milho branco, arroz cozido em água, acaçá branco, mel de abelhas, tudo servido em prato branco com rosas brancas.

Lendas Brasileiras: Sobre o Curupira


Lendas Brasileira: O Curupira

Na mitologia tupi o Curupira é um espírito da floresta, uma entidade protetora da caça que tem a forma de um anão com pés voltados para atrás. Já no Nordeste, ele é um espírito maligno da mata e identificado com o demônio da tradição cristã. O Curupira é muitas vezes confundido com a Caapora que, na tradição amazônica, é também um espírito florestal, representado por um caboclinho com um cachimbo na boca. Quem o vê, dizem, fica sem sorte o resto da vida, por isso é sinônimo de pessoa azarenta.

Candomblé: Quem é Iansã


Candomblé: Quem é Iansã

Iansã é a esposa de Xangô na mitologia negra. Orixá dos ventos e das tempestades, é cultuada às quartas-feiras. Vermelho é a sua cor predileta. Iansã aprecia o caruru, feijão fradinho cozido com camarão seco, azeite de dendê com acarajé e abará, tudo servido em prato de barro com pétalas de rosas vermelhas ou sempre-vivas.

Candomblé: Quem é Oxumaré


Candomblé: Quem é Oxumaré

Oxumaré é a serpente arco-íris. Na Bahia, Oxumaré é sincretizado como São Bartolomeu. Os dedicados a Oxumaré usam colares de contas de vidro amarelas e verdes. Seu dia é a terça-feira. Seus discípulos carregam uma serpente de ferro forjado. A Oxumaré são feitas oferendas de patos e pratos de comida onde se misturam feijão, milho e camarões cozidos no azeite de dendê.

Lendas Brasileiras: Sobre o "São Longuinho"


Lendas Brasileira: "O São Longuinho"

Longuinho é um santo da devoção do povo do Nordeste. Perdeu alguma coisa, peça ao Longuinho que logo o objeto aparece. Trata-se da versão da religiosidade popular de Longinus, cinco santos mártires registrados sob esse nome no Vaticano.

Candomblé: Quem é Obá


Candomblé: Quem é Obá

Obá é divindade do rio do mesmo nome, na África. No Brasil, quando aparece num candomblé, ata-se um turbante em sua cabeça a fim de esconder uma de suas orelhas que, conforme a lenda, foi decepada por ela mesma a fim de servi-la cozida a Xangô. Ela é sincretizada como Santa Catarina, mas não se sabe ao certo se de Alexandria, Bolonha, Gênova ou Siena. Suas oferendas em cabras, patos e galinhas d’angola.


Lendas Brasileira:  Sobre a "Igupiara"

A Igupiara é também conhecida como Iara: dona das águas. Este mito fundiu-se com outros de tradição indígena como a mãe-d'água ou o boto, espécie de golfinho que nos dias de lua cheia transforma-se em um homem bonito para seduzir as donzelas. A lenda foi sincretizada também com a tradição europeia das sereias e com o mito negro africano de Iemanjá.

Quem é "Ogum"


Candomblé: Quem é "Ogum"

Ogum é o Orixá das guerras e das lutas. Admirador do galo caipira com acaçá branco, milho vermelho, cebola e purê de inhame coberto com mel. Ogum prefere o prato de vidro. Seu culto é realizado nas terças-feiras. Na religião católica, o Orixá identifica-se com São Jorge e Santo Antônio.

Lendas Brasileira: O Negrinho do Pastoreio


Lendas Brasileira:  O Negrinho do Pastoreio

O Negrinho do Pastoreio é uma lenda gaúcha segundo a qual a alma de um "moleque" guardador de gado vaga pelos campos do pastoreio. Os vaqueiros do Sul do país acreditam que acendendo velas ao Negrinho, os animais ou objetos perdidos reaparecem.

Candomblé: Quem é “Exu”


Candomblé: Quem é “Exu”

Exu é um Orixá de múltiplos e contraditórios aspectos. É o que ensina Pierre Verger, etnólogo franco-baiano. De caráter violento, ele gosta de provocar discussões e disputas. É astucioso, grosseiro, vaidoso e indecente, a ponto dos missionários o terem comparado ao Diabo. Exu, contudo, tem seu lado bom se é tratado com consideração. É o mais humano dos Orixás, nem completamente mau, nem completamente bom. Uma espécie de intermediário entre os homens e os deuses.

Lendas Brasileira: Sobre o “Urutau”


Lendas Brasileira: Sobre o “Urutau”

Segundo a lenda do Urutau, ao entrar na puberdade, toda donzela é obrigada a sentar-se três dias seguidos sobre a pele seca dessa ave noturna. Este mito é chamado também de "chora lua" pois consta que, quando a lua surge, o canto do Urutau torna-se tão triste que a própria lua se põe a chorar. O rito tem a função de preparar as indiazinhas para o ingresso na vida sexual.

Candomblé: Quem é “Ossain”


Candomblé: Quem é “Ossain”

Ossain é a divindade plantas medicinais e litúrgicas. Suas contas são verdes e brancas e sábado é o dia consagrado ao seu culto. Suas oferendas são compostas de bode, galo e pombo. A ciência das folhas para todo tipo de uso é o forte de Ossain, que está presente em todos os rituais. Não há correspondente para ele na religião católica.

Lendas Brasileiras: Sobre o “Japu”

Lendas Brasileiras: Sobre o “Japu”

Diz a lenda que, no princípio do mundo, os tupis não conheciam o fogo e no inverno sentiam frio. O pajé da tribo escolheu então o bravo guerreiro Japu para transformá-lo num pássaro azul e buscar o fogo do raio do céu. Depois de intensa luta, o pássaro Japu conseguiu trazer o raio e foi recebido com muito entusiasmo. Ao ser desencantado, porém, Japu ficou com o rosto deformado, queimado que estava pelo fogo do céu. Ele pediu, então para o pajé transformá-lo em pássaro novamente, decepcionado que ficou com o aspecto desagradável de suas feições.

Candomblé: Quem é Xangô


Candomblé: Quem é Xangô

Xangô é o Orixá dos raios e trovões. Cultuado às quintas-feiras seus animais prediletos são o galo e o carneiro que devem ser servidos com milho vermelho, bastante camarão seco, cebola branca, feijão preto e acaçá de milho vermelho. Os vasilhames de Xangô são de barro cozido.

A Origem da festa de São João


A Origem da festa de São João
As origens das festas juninas estão entre rituais pagãos, sobretudo, os que lidavam com o elemento fogo. Eram cerimônias destinadas a conjurar maus espíritos, responsáveis pelas pragas das lavouras, a ausência de chuvas e outros males que afetam a colheita. Tanto que eram realizados em fins de junho, quando começa o verão no Hemisfério Norte e também a colheita. O cristianismo adaptou estes hábitos populares pagãos, associando as festividades ao nascimento de São João Batista, em 24 de junho. Foram os portugueses que trouxeram para o Brasil.

15 de ago de 2018

Mais de 250 livros de Poesia em PDF

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25 de mai de 2018

A etimologia de "Farroupilha"


A etimologia de "Farroupilha"

A abonação mais antiga deste termo, em documentos oficiais do século XVIII, foi encontrada pelo indefesso pesquisador rio-grandense Aurélio Porto, a quem a história pátria já deve tantos esclarecimentos. Chamavam-se ali, depreciativamente, farroupilhas uns descontentes nas proximidades do Rio de Janeiro, que vieram à capital protestar contra medidas do governo daquele “tempo do onça”.

O que significava esse termo, diz-nos em 1727 o pai da lexicografia portuguesa, o Pe. Bluteau, no Supplemento ao Vocabulario: “FARROUBILHA: Termo chulo. O que anda mal vestido e desfarrapado; pobretão." Neste primeiro registro da palavra, o qual parece ter passado despercebido até hoje, o bom Bluteau enganou-se decerto, quanto ao b em vez do p de farroupilha, bem como no d insólito antes de esfarrapado.

Em 1813 escreve o carioca Moraes Silva na celebrada 2ª edição do seu Diccionario: "FARROUPILHA: pessoa esfarrapada", ao que a última 9ª edição só acrescentou: "maltrapilho, pelintra". O Diccionario de Constâncio, cuja 1ª edição é de 1836, dá também “FARROUPILHA: pessoa esfarrapada", o que copiaram fielmente os de Faria e Lacerda. De 1837 data o Diccionario de Synonymos de José da Fonseca, que mais tarde Roquete e Faria acrescentaram aos seus. Eis que lá se acha: "Farroupilha, esfarrapado, farrapão, maltrapilho".

Evidencia-se daí que já antes e independentemente da revolução rio-grandense de 1835, vivia farroupilha qual termo geral português. Não há dicionário posterior que o não registre, como naturalmente também o de Domingos Vieira de 1873. Contemporâneo de 1881 dá até uma abonação de Castilho, não influenciado, decerto, pela revolução gaúcha: "Acolho um farroupilha, dou-lhe a minha alma, e ele, até a mulher, me quis roubar." Farroupilha não é, pois, somente termo regional ou nacional brasileiro, mas genuíno português d'aquém e d'além mar.

Farroupilha derivaria de farroupo? Esta palavra, segundo o Elucidário de Viterbo, que com mais correção escreve farropo (autorizado também por Gonçalves Viana), designou no século XV provavelmente carneiro (grande e castrado), como em Turquel, perto de Alcobaça na Extremadura, ainda é o cordeiro (Cândido de Figueiredo). Hoje, porém, "em algumas terras" (Viterbo), sobretudo "no Alentejo" (Conde de Ficalho), passou a significar o porco (grande e castrado). Moraes, já em 1813, cita a respeito o "Regimento dos verdes e montados": "Farroupo é o porco que ainda não passa de ano". Acrescenta também o diminutivo Farroupinho, o porco de menos de um ano, que já não é bácoro; o marranito ou bacorote, como diz José da Fonseca.

Esse farroupo, ou antes farropo, vem possivelmente do árabe charuf ou charof (carneiro, cordeiro), dum modo semelhante como de al-charrub tiramos alfarroba. Em todo caso, farroupo parece termo raro, quase obsoleto, só em algumas regiões de Portugal usado para porco e antigamente para carneiro.

Derivar desse nome regional, quase desconhecido, o universal farroupilha, já de antemão se afigura improvável. Só Aulete aventurou, dubitativamente e em segundo lugar, para farroupilha uma "formação da raiz farrapo (ou farroupo?)”

Mas, neste último caso, era de esperar o masculino farroupilho, significando porquinho ou primitivamente carneirinho, sendo daí difícil a passagem semântica para o sentido esfarrapado, indicado por todos desde Bluteau. Tanto mais que farrapo estava à mão, admitido também expressamente por Constâncio, Faria, Lacerda, pelos competentes Adolfo Coelho e Gonçalves Viana, por Figueiredo, Lemos, Jackson, Silva Bastos, Brunswick, Séguier, Antenor Nascentes, o próprio Aulete em primeiro lugar, por todos enfim! E veremos adiante como essa etimologia de farrapo, ou antes farpa, plenamente se justifica.

Vejamos agora a etimologia de farrapo ou farpa, para preparar a de farroupilha. Sem entrarmos em minúcias, aqui numerosas e complicadas, basta dizer que a última ciência etimológica, representada sobretudo pela 3ª edição, agora em 1935 terminada, do Romanisches Etymologisches Wóterbuch de Meyver-Lübke, corrobora cada vez mais a probabilidade de virem tanto farrapo, como farpa e felpa dum mesmo radical galo-romano. Como tal adopta Meyer-Lübke, segundo glossários do X século, o latim medieval faluppa, (palhinha) modificado também para falapa, frapa, farupa, etc. Daí viriam o italiano frappa, igual ao nosso farpa, ao antigo francês frepe, ferpe, felpe, de onde tiramos felpa, etc. Farrapo mesmo será um substantivo verbal de farpar, que se alargou para fa(r)rapar, usado por Gil Vicente. O rr dobra do português farrapo aparece ainda simples no correspondente espanhol harapo, mas com tendência de duplicar-se em arrapo e des(h)arrapado. O antigo espanhol haldrapa, haldraposo, insinua uma influência de drapo = trapo (francês drap), que determinou talvez também a forma masculina harapo, farrapo, a despeito de farpa feminina.

Pode derivar-se agora, de um modo mais inteligível, farroupilha de farrapo ou antes farpo, o que no fundo vale o mesmo. A terminação diminutiva ilha, propriamente feminina, pressupõe um étimo feminino, como também farpela, pela mesma razão, deve ser derivada antes de farpa que de farrapo. Pois bem, por analogia de farpela, “roupa reles”, admitamos farpilha, de sentido semelhante. Esta forma alargou-se, porém, fa(r)ropilha, quase como farpar para farrapar, farrapo, só que tomou o o: farropilha (sendo ou de farroupilha capricho ortográfico. Esse o se explica: ou por certa predileção da labial (p) por o, do que Cornu dá bastantes exemplos, sendo conhecidíssimo: por em vez de per, ou por um regresso, marcado com formas hoje extintas, aos étimos antigos foluppa, faruppa, faropa etc. Corresponde assim, por exemplo, no mesmo radical, ao piemontês flapa (casulo), o toscano-lombardo falopa. Não se esqueça, aliás, que farropilha é forma popular, chula segundo Bluteau, onde as vogais variam às vezes como ao acaso, não admirando assim a mudança de farpilha para farropilha. Comparem-se as formas populares francesas, do mesmo radical e sentido (= farropilha, maroto): antigo frapaille, moderno frapouille ou fripouille.

O significado de farropilha teria sido, na origem, quase o mesmo que farpella ou “roupa esfarrapada”. Cedo, porém, passou o termo a designar um homem1 vestido de tal roupa, um esfarrapado, tornando-se assim também masculino. Disto não faltam exemplos, até da mesma desinência: o pandilha é o cumplice duma pandilha ou “panelinha conluiada”; o potrilha é propriamente um atacado da potra (ou da potrilha); o bigorrilha parece corruptela popular do figurilha (que faz uma figurilha ou figura pequena, um vil ou miserável). Significativo é que Cândido de Figueiredo explica tanto o pandilha, como o potrilha por farroupilha e bigorrilha! Usa-se no sul do Brasil também o americanismo espanhol: o cajetilha, para designar um habitante presumido das cidades, nome derivado de cajetilla (caixinha), talvez por significar (caixinha), de cajeta (de trinque).

Lembremos ainda que também o galego tem farroupeiro (esfarrapado ou farropilha) Ponderando tudo, convencer-nos-emos de que farropilha é tuna antiga herança da língua popular portuguesa, herança que faríamos mal em trocar por um artificial farrapilha que como tal nunca viveu.

Por fim, a questão da ortografia exata: farroupilha ou farropilha? Sem dúvida alguma, à vista da derivação exposta, não se vê em nada justificado o ou, que deveria representar um au, al, oc ou o-i primitivos, que aqui nunca existiram. Por qualquer capricho, começou-se a escrever uma vez farroupilha, talvez por instintiva assimilação a roupa. E assim ficou, graças à rotina ou à célebre lei da inércia. Já vimos que, no diferente farroupo, Viterbo citou dos documentos a forma correta farropo, não aceita contudo. E temos mais o toucinho, a garoupa ou choupa etc., com ou indevidos.

Mas neste tempo da simplificação ortográfica, poderíamos e deveríamos restabelecer a grafia correta: farropilha, farropo etc. Vemos, porém, que se alteram a talante símbolos antiquíssimos, fundados na história da língua e aconselhados pelo bom senso já para distinguir mas formas meramente arbitrárias, introduzidas por acaso e por capricho mantidas, conservam-se carinhosamente, sem utilidade nem razão. Receemos que também farroupilha vá gozar desse privilégio, embora este, como outras regalias nunca tenham entrado nas aspirações dos verdadeiros farropilhas!

J. A. Padberg-Drenkpol
Revista "Excelsior", abril de 1935.

O significado de "Consoada"


O significado de "Consoada"

Interessante é a origem da palavra consoada, que é um banquete realizado na véspera de Natal, ou um “presente que se dá desde o Natal aos Reis”, e, em geral, qualquer "refeição ligeira que se toma à noite nos dias de jejum" (Lelo Universal). Desde Constâncio (1836) pensaram muitos, até Aulete e ainda Cândido de Figueiredo, numa derivação de consolar, como se a consoada fosse para consolar-se do jejum precedente. Domingos Vieira viu em consoar, uma modificação de con-cear (cear juntos). Outros propuseram como étimos até o latim contio de conventio (reunião), ou simplesmente con-sonare, sendo a consoada uma espécie de consonância.

A verdadeira origem, porém, ficou revelada pela grande romanista germano-portuguesa Carolina Michaëlis de Vasconcellos. Aponta ela o advérbio arcaico suum (suû, sum) que não é outra coisa senão o latim subunum = in unum: juntamente, em companhia, e que ocorre precedido de em, de, de com: em suum, de suum, de consuum. Desta última locução antiga deriva consoar ou propriamente consuar (consubunare: coadunar-se), sendo, pois, a consoada no fundo uma reunião cordial, uma espécie de ágape, ou como bem traduziu Bento Pereira há centenas de anos: symposium: banquete em comum.


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É isso!