8 de mai de 2016

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27 de out de 2015

Quem é Autômato?

Autômato é uma figura, que imita os movimentos dos seres animados; máquina que parece mover-se de si mesmo, por efeito de suas molas, pesos, rodas, com os relógios; pessoa inconsciente, cujos atos obedecem à vontade alheia ou não são precedidos de reflexão; a gente estúpida, que fala, opina e executa, como uma máquina, sem vontade própria. Tal palavra vem do grego autômatos: espontâneo, voluntário, que obra por si; composto de autos: si mesmo, e mao: desejar, querer.

Exemplos de uso:
Da mesma sorte que os autômatos, obedecendo à pressão da mola que os põe em movimento, executam evoluções regulares, o corpo dos homens de têmpera vigorosa tem a propriedade de reter em si os impulsos da vontade e dirigir-se por essa norma, ainda quando a alma entra em repouso e abandona por assim dizer o invólucro de sua materialidade” (José de Alencar: “O Sertanejo”). / “Nos primeiros dias de julho, em lugar dos vinte malfeitores que dantes trazia mais ou menos ligados consigo, contava o Tunda-Cumbe número superior a duzentos; e por tal forma lhes havia imposto a sua autoridade, que a seu grado os dirigia e movia tão bem como se foram puros autômatos” (Franklin Távora: “O Matuto”). / — De estatura menos que meã, alcachinada e torpe, balouçava à frente o tronco em perros movimentos de autômato, atirando ao acaso as pernas, desarticulando em bruscos sacões o arcabouço descarnado” (Abel Botelho: “Amanhã”).


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É isso!

A origem do Autóctone

Autóctone (latim autochthones) vem do grego autos: si mesmo, e chthon: terra, país, ou seja: da mesma terra, do mesmo país, indígena. Autóctonos era como chamavam os gregos aos primeiros habitantes de um país, para diferenciá-los dos povos que se estabeleciam em outra parte. Uma “língua autóctone” é a primeira de um país, aquela falada por seus primeiros habitantes.

Exemplos de uso: 
A face primordial da questão ficou assim aclarada. Que resultem do "homem da Lagoa Santa" cruzado com o pré-colombiano dos sambaquis; ou se derivem, altamente modificados por ulteriores cruzamentos e pelo meio, de alguma raça invasora do Norte, de que se supõe oriundos os tupis tão numerosos na época do descobrimento — os nossos silvícolas, com seus frisantes caracteres antropológicos, podem ser considerados tipos evanescentes de velhas raças autóctones da nossa terra” (Euclides da Cunha: “Os Sertões”). / “A lei   pombalina da abolição da servidão dos autóctones melhorou as condições de vida destes, apesar das muitas violências que ainda se praticaram no decurso da segunda metade do século contra os desprotegidos e ingênuos habitantes das antigas aldeias do real padroado” (Visconde de Taunay: “História da Cidade de São Paulo”). / “Aceitando a aparição do homem sobre a Terra na época terciária, no período do eoceno, segundo os mais ousados antropologistas, nada se sabe de positivo sobre os habitantes pré-históricos da Península Ibérica. Têm-se de admitir ali populações autóctones, que viriam prolongando-se pelos períodos geológicos seguintes – mioceno, plioceno, pós-plioceno” (Sílvio Romero: “História da Literatura Brasileira”).

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O significado de Aqueronte

Aqueronte é um termo utilizado na mitologia para designar o inferno.  Vem do grego acheos: dor, e rhoos: rio, do verbo rheo: eu corro, eu fluo, significando: rio das dores ou rio do infortúnio.

No clássico “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, no Canto III, vemos que é o local onde vive Caronte (Caron), que se incumbe de conduzir almas perdidas até lá: “Chegam os Poetas à porta do Inferno, na qual estão escritas terríveis palavras. Entram e no vestíbulo encontram as almas dos ignavos, que não foram fiéis a Deus, nem rebeldes. Seguindo o caminho, chegam ao Aqueronte, onde está o barqueiro infernal, Caron, que passa as almas dos danados à outra margem, para o suplício. Treme a terra, lampeja uma luz e Dante cai sem sentidos.”

Exemplos de uso:

"Do mar temos corrido e navegado
Toda a parte do Antártico e Calisto,
Toda a costa Africana rodeado,
Diversos céus e terras temos visto;
Dum Rei potente somos, tão amado,
Tão querido de todos, e benquisto,
Que não no largo mar, com leda fronte,
Mas no lago entraremos de Aqueronte” (Camões: “Os Lusíadas”).

No mar de fogo lúgubres deságuam:
Ódios mortais ali o Estígio rola;
O atro Aqueronte de pesar se impregna;
Em seu álveo choroso ouve o Cocito
Alto clamor, e dele assim se chama;
O Flegetonte em si feroz impele
Raiva enrolada em borbotões de flamas” (John Milton: “O Paraíso Perdido”, tradução)

De minha rouca voz, confusa e lenta,
Qual torvão espantoso e violento
De repentina e hórrida tormenta;
Ao Rio de Aqueronte turbulento,
Que em sulfúreas burbulhas arrebenta,
Passe com tal vigor, que imprima espanto
Em Minos riguroso e Radamanto” (Bento Teixeira: “Prosopopéia”).


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O que é um Apólogo

Apólogo, do latim apologus, do grego apologos, é formado de apo, que expressa fim ou intenção, e logos: discurso, palavra. O apólogo é uma alegoria moral ou instrutiva, em que figuram, falando, animais ou coisas inanimadas.

A nossa Literatura apresenta em exemplo clássico. Trata-se do conto “Apólogo”, do nosso genial Machado de Assis, que transcrevemos a seguir, na íntegra:

Um Apólogo, de Machado de Assis:

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:


— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

O significado de Anômalo

Anômalo, do latim anomalus, é formado de a (prefixo grego de negação) e homalos, que significa: igual, parecido, semelhante, ou seja: não-semelhante, não-igual. Há, porém, quem o faz derivar de a (sem) e nomos: lei, regra, isto é: sem regra, não regular, irregular. Os dicionários apresentam, entre outros, os seguintes sentidos para este termo: oposto à ordem natural, anormal, aberrante, desigual, excepcional. Da mesma origem resulta anomalia: anormalidade, desigualdade, irregularidade, monstruosidade, exceção à regra, aberração etc.

Exemplos de uso:
As leis naturais pelo próprio jogo parecem extinguir, a pouco e pouco, o produto anômalo que as viola, afogando-o nas próprias fontes geradoras” (Euclides da Cunha: “Os Sertões”). / “No tempo da conciliação, a política imperial, aliás com intenções louváveis, longe de promover a restauração dos antigos ou criação de novos partidos até certo ponto concorreu para agravar esse estado anômalo, com a conhecida repugnância de usar da prerrogativa de dissolver a câmara” (José de Alencar: “Escritos Políticos”). / “O professor estudou no gabinete; consultou as obras dos mestres, coligiu observações alheias, e arranjou um sistema sobre o que não sofre regras: sobre a paixão cuja essência é o imprevisto, o anômalo, o indefinível” (José de Alencar: “A Pata da Gazela”).

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20 de out de 2015

Quem é o Anacoreta?

Trata-se de um termo latim anachoreta, do grego anachoreo: eu me retiro, composto do prefixo ana: para trás, para dentro, e choreo: eu vou. Anacoreta é o solitário, emitirão, que vive  afastado das relações sociais e que se entregou à virtude e à penitência.

Exemplos de uso: 
... E surgia na Bahia o anacoreta sombrio, cabelos crescidos até aos ombros, barba inculta e longa; face escaveirada; olhar fulgurante; monstruoso, dentro de um hábito azul de brim americano; abordoado ao clássico bastão em que se apóia o passo tardo dos peregrinos...” (Euclides da Cunha: “Os Sertões”). / “Ainda que sem fé a princípio, e sem esperança alguma de resultado - e talvez por isso mesmo - entregou-se como outrora às práticas do mais austero ascetismo, e na solidão de sua cela deu-se à vida de penitência e contemplação com uma exaltação e fervor dignos dos antigos anacoretas dos desertos da Calcida, da Nitria e da Tebaida” (Bernardo Guimarães: “O Seminarista”). / “Mandou-lhe o mestre abrir a boca, na qual havia três dentes, um à frente, que me parecia uma sentinela da saúde, para não deixar ninguém chegar ali sem primeiro fazer quarentena com receio de peste. Outro num lado, que me parecia um anacoreta pelo solitário e amarelo; e outro do outro lado, que me pareceu destes bonecos da China, que em se lhe mexendo ficam a dar com a cabeça por algum espaço” (Antônio Manuel Policarpo da Silva: “O Piolho Viajante”).


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O que é Almíscar

Almíscar é uma substância aromática que se extrai de um pequeno quadrúpede por nome almiscareiro (capreolus moschi ou moschiferus), a qual utilizada como fixativo para perfumes. Diz-se em latim moschum, mosschus; em grego: moschos; em árabe: mosch ou musch (al-musch), da qual procede a castelhana almizcle, a catalã almesc e a portuguesa almíscar. Dessa mesma origem temos: almiscarado (muito perfumado), almiscarar (perfumar com almíscar), almiscareira (planta geraniácea, de aroma semelhante ao do almíscar) e almiscareiro (o animal asiático, da ordem dos ruminantes, que tem sob o ventre uma bolsa natural, donde se extrai a substância denominada almíscar).

Exemplos de uso:
“Quanto ao âmbar, que devia ser cinzento, não duvidava das suas virtudes; mas tinha ele inventado umas superiores pastilhas de almíscar para uso de três paxás de duas caudas, seus amigos muito particulares” (Camilo Castelo Branco: “A caveira mártir”). / “Conduzindo a vela e deixando tudo às escuras, passava a criada alemã, gorda, corada, rochochuda, bem junto ao grande leito do Elesbão, feito no Lopes, deixando após si um perfume de almíscar irritante” (José Simões Lopes: “A Mandinga”). / “Quando recolhíamos ao quarto, alumiados pelo Gonçalves, passou por nós, bruscamente, no corredor, uma senhora, grande e branca, com um rumor forte de sedas claras, espalhando um aroma de almíscar (Eça de Queirós: “A Relíquia”). / “Ao cheiro de terra pisada, de cachaça, de sarro de pito, sobrelevava dominante um cheiro humano áspero, aliáceo, um odor almiscarado forte, uma catinga africana, indefinível, que doía ao olfato, que cortava os nervos, que entontecia o cérebro, sufocante, insuportável” (Júlio Ribeiro: “A carne”).



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6 de out de 2015

Para além do Alentejo

A palavra Alentejo é composta de Alende e Tejo (Tajo), como significando “além do Tejo” (rio), “na outra parte” (do Tejo). Trata-se de uma região localizada em Portugal, compreendendo os distritos de Évora e Beja, Portalegre e partes dos distritos de  Setúbal e Santarém.

Exemplos de uso:
No Alentejo, pela Estremadura, através das duas Beiras, densas sebes ondulando pôr e vale, muros altos de boa pedra, ribeiras, estradas, delimitavam os campos desta velha família agrícola que já entulhava o grão e plantava cepa em tempos de El-Rei d.Dinis” (Eça de Qieirós: “A Cidade e as Serras”).  / “Falava-se nessa noite do Alentejo, de Évora e das suas riquezas, da capela dos ossos, quando o Conselheiro entrou com o paletó no braço” (Eça de Queirós: “O Primo Basílio”). / “O Titó lançou o vozeirão, desdenhando o Alentejo como uma película de terra de má qualidade, que, fora umas léguas de campos em torno de Beja e de Serpa, por um grão só dava dois, e, apenas esgaravatada, logo mostrava o granito...” (Eça de Queirós: “A Ilustre Casa de Ramires”).


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A origem de Alemanha

Segundo D. Pedro Felipe Monlau, em seu “Diccionario Etimologico", a palavra Alemanha origina-se do teuton  al, ale: todos, e man: homem, homens, isto é: reunião, irmandade, liga (de todos os homens ou de vários povos). Quanto ao termo Germânia, supõe-se ser uma corruptela do próprio termo Alemanha, que vale como: Al-hermania, Al-germania. Em alemão diz-se Deutschland. A Bundesrepublik Deutschland,  ou seja, a República Federal da Alemanha, é um país localizado na Europa central,  com um território medido em 357.021 quilômetros quadrados.

Exemplo de uso:
Era também intoleravelmente vaidoso da sua pátria. Sem cessar, erguendo o bico, sublimava a Alemanha, mãe espiritual dos povos; depois ameaçava-me com a irresistibilidade das suas armas. A onisciência da Alemanha! A onipotência da Alemanha! Ela imperava, vasto acampamento entrincheirado de in-fólios, onde ronda e fala do alto a Metafísica armada! Eu, brioso, não gostava destas jactâncias. Assim, quando no Hotel das Pirâmides nos apresentaram um livro, para nele registrarmos nossos nomes e nossas terras, o meu douto amigo traçou o seu Topsius, ajuntando por baixo, altivamente, em letras tesas e disciplinadas como galuchos: - ‘DA IMPERIAL ALEMANHA’" (Eça de Queirós: “A Relíquia”).


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A origem de África

Dizem alguns etimologistas que tal palavra vem do grego fhrike ou frike, precedido de a (ideia de privação),  significando: sem frio, referindo-se a um lugar de muito calor. Outros, entretanto, afirmam ser oriundo do latim apricum, que quer dizer: exposto ao sol, resguardado do frio etc.
África é o terceiro continente mais extenso da Terra, com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados.
Na língua portuguesa usa-se tal palavra, também, para designar proeza ou façanha,  como na expressão: “Realizar uma áfrica”.

Exemplos de uso:
As nossas donas ainda se não esqueceram de sentir emoção ao aspecto de um rosto queimado pelo Sol da África...” (Gonçalves Dias: “Leonor de Mendonça”). / “O mar estava tranquilo, e o ar puro e diáfano. As costas de África fronteiras, lá na extremidade do horizonte, pareciam uma orla escura bordada no manto azul do firmamento” (Alexandre Herculano: “Eurico, o Presbítero”). / “Todavia, bem que pudesse de um pulo saltar vinte ribeiras como aquela, foi-se direito à ponte; porque não era animal que fizesse áfricas escusadas” (Alexandre Herculano: “Lendas e Narrativas”).



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O que é Aforismo

Aforismo, do grego aphorismos, pelo latim aphorismus, significa separação, definição, formado de aphorizo: separar, definir, derivado de oros: limite. Diz-se de uma sentença breve, contendo uma regra ou um princípio de grande alcance. Do mesmo radical oros formam-se as palavras: aoristo (tempo da conjugação verbal grega) e horizonte (limitador, círculo máximo da esfera que separa ou limita a parte visível da que está abaixo ou invisível).

Exemplos de uso:
Mais tarde ele explicara a Raul por que assim procedera, começando por lhe citar um aforismo latino: ‘Cancri nunquam recte ingrediuntur’" (Lima Barreto: “Marginália”). / “Homens de guerra, sem lares, afeitos à vida solta dos acampamentos, ou degredados e aventureiros corrompidos, norteava-os a todos como um aforismo o ultra equinotialem non peccavi, na frase de Barleus” (Euclides da Cunha: “Os Sertões”). / “...outros conheciam as Sentenças da moral gnômica, Singvan, os aforismos ou ditados, que exercem justa autoridade nas resoluções da vida, porque condensam em breves frases, ás vezes num só verso, a experiência de séculos” (Teófilo Braga: “Viriato”).

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O que é Advérbio

Advérbio, do latim, adverbium, é composto de ad e verbum, ad-verbum, significando: colado, arrimado, junto (ao verbo). Gramaticalmente, diz-se  do termo invariável que expressa uma circunstância do verbo ou a intensidade da qualidade dos adjetivos ou reforça outro advérbio e, em alguns casos, altera substantivos. Exemplos: Talvez ela volte / A sobremesa era muito gostosa / Ele corria apressadamente / A cantora estava meio nervosa.

Exemplos de uso:
– Espantosamente, loucamente... Qual! Não há advérbios...” (Eça de Queiróz: “A Cidade e as Serras”). / “Felizmente — ah! um felizmente neste último capítulo de um caipora, é, na verdade, uma anomalia; mas vão lendo, e verão que o advérbio pertence ao estilo, não à vida; é um modo de transição e nada mais” (Machado de Assis: “Histórias sem data”). “Eu disse triplicemente, e para mostrar os fundamentos da aplicação do advérbio basta-me declinar os nomes dos florescentes lojistas franceses que celebrizaram essa casa” (Joaquim Manuel de Macedo: “Memórias da Rua do Ouvidor”).


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A origem e o significado de Adjetivo

Segundo alguns o termo adjetivo, do latim adjectivum nomen, vem de ad e juxta: junto a; outros afirmam originar-se de ad e jungere: juntado a; há os que dizem ser oriundo de ad e jaceo, es, jacere: estar deitado junto a; e, por último, há aqueles que o faz originar de ad e jacio, is, jacere: jogar, lançar, arremessar. Na gramática diz-se da palavra que  se ajunta a um substantivo para descrever-lhe uma ou mais qualidades. Por exemplo: homem bom, mulher bonita, menino inteligente, garota travessa, chá quente etc.

Exemplos de uso:
Nas duas ou três moléstias que o pequeno teve, a aflição de D. Carmo foi enorme. Uso o próprio adjetivo que ouvi ao Campos, conquanto me pareça enfático, e eu não amo a ênfase” (Machado de Assis: “Memorial de Aires”). / “E as virtudes do doutor Godinho voltavam, em passo de procissão, solenes e sublimadas, arrastando caudas de adjetivos nobres” (Eça de Qieirós: “O Crime do Padre Amaro”).  / “Se o leitor ainda se lembra do capítulo XXIII, observará que é agora a segunda vez que eu comparo a vida a um enxurro; mas também há de reparar que desta vez acrescento-lhe um adjetivo — perpétuo” (Machado de Assis: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”).

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Praticar um Ato

Ato vem do latim actus, de agere: obrar, praticar, estar em ação, produzir efeitos  ou resultados, conduzir. Desta mesma matriz latina (agein, agere), originam-se as palavras: ação, atitude, atividade, ativo, ator, atriz, atuação, atual, atualidade, atuante etc. No âmbito teatral, refere-se à divisão externa da peça, quando se interrompe a apresentação ou quando “cai o pano”.

Exemplos de uso:
O primeiro ato dessa série de atos foi um movimento de conservação: Humanitas tinha fome”. / “Contei-te um ato de desrespeito, e disse que era melhor cortar as relações, — aos poucos ou de uma vez”. / “No cemitério, não se contentou Rubião com deitar a pá de terra, ato em que foi primeiro, por solicitação de todos” (Machado de Assis: “Quincas Borba”).


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A origem dos Aborígenes

Forma-se tal palavra do prefixo ab, que equivale a sem, e origo, originis, significando: sem origem, sem outra origem que a primeira: quase absque alia quam prima origine nati. Os aborígenes são os primeiros habitantes, os naturais de um determinado país, em oposição aos colonizadores e aos outros povos que vieram de outra parte e que ali se estabeleceram.  Os aborígenes, na visão Ocidental, seria o equivalente ao que os antigos gregos denominavam de autóctonos.

Exemplos de uso:
Os índios arribaram a canoa, toda de encontro à margem direita do rio; o europeu e o africano desembarcaram; e os quatro aborígenes, metendo-se na água, vararam a canoa numa espécie de arealzito que mais para um lado se fazia, e tomando-a às costas, deitaram a caminhar ribeira acima, como se levassem umas andas”  (Almeida Garret: “Helena”). / “Em geral, aquela juventude esperançosa, eleita por Miranda e outros sertões lusitanos, não sabia topograficamente em que parte demoravam os povos seus comitentes, nem entendia que os aborígenes das serranias tivessem mais necessidades que fazerem-se representar, obrigados pelo regímen da constituição” (Camilo Castelo Branco: “A Queda de um Anjo”).

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30 de set de 2015

O “Ablativo” e a explicação de Machado de Assis

Deriva tal termo do latim ablativo, de ablativus, composto de ab e lativus, formado de latus (particípio passado de fero), que significa: levado, removido, transportado. Este caso de declinação é exclusivamente próprio do latim ablativus proprius est Romanorum.  Indica, portanto, circunstâncias de afastamento ou procedência. Em latim designa também causa, instrumento, modo, tempo, lugar etc.

O genial Machado de Assis dedicou uma de suas deliciosas crônicas sobre o assunto. Vejamos:

CAPÍTULO V - DO ABLATIVO

O modo com que alguma coisa se faz põe-se: Só com empenhos se obtêm empregos. Com espetáculos no Teatro Lírico é que o Ginásio há de levantar cabeça. Com esperanças no futuro é que muita gente se mete em especulações.

A causa por que alguma coisa se faz põe-se em ablativo. Ex.: O Vasques faz benefício porque não tem dinheiro. Há vereadores que foram eleitos por prometerem muita coisa. A imundícia em que está a cidade do Rio de Janeiro é devida a... (adivinhem).

O instrumento com que alguma coisa se faz, põe-se em ablativo. Ex.: O dinheiro. O amor. O descaro.

O tempo em que alguma coisa sucede, põe-se em ablativo. Ex.: O muro do Passeio Público começou a ser feito há mais de um século, e ainda não está pronto. O Teatro Lírico foi construído por três anos, em 1852, e ainda está em pé, aformoseando o campo. Desde que o Brasil é Brasil fala-se em desmoronar a montanha do Castelo. A Semana ILUSTRADA já completou dois anos de existência e há de durar muitos séculos.

O espaço de tempo, que alguma coisa dura, põe-se em ablativo. Ex.: A lama nas ruas do Rio de Janeiro dura até secar pelos raios do sol. A paciência dos Fluminenses é eterna a respeito da fiscalização municipal. O reinado dos ratoneiros dura todos os dias desde as 10 horas da noite até às 5 da madrugada.

A coisa em que alguém excede a outro, põe-se em ablativo. Ex. Um fiscal excede a uma preguiça em cuidados municipais. Os ratoneiros excedem à polícia em olho vivo. Os bailes do Oriente excedem a todos em pancadaria de zabumbas e de... pratos.

O preço por que alguma coisa se compra, ou vende, põe-se em ablativo. Ex.: Quanto custaram as obras do Passeio Público? Por quantos contos de réis se fez o grande depósito de água em Catumbi?! Quem comprará certas firmas que há na praça do Rio de Janeiro?

O princípio ou parte donde alguma ação procede, põe-se em ablativo. Ex.: A porcaria em que está a cidade de S. Sebastião procede da incúria de muita gente. A febre amarela e a colerina procedem do sono dos eleitos do povo. A falta de dinheiro, que todos sentem, procede dos mil e tantos regulamentos e decretos do tesouro.

A matéria de que alguma coisa se faz põe-se em ablativo. Ex.: De qualquer homem forma-se um preceptor de meninos das aulas da Correição. De qualquer imundícia faz-se aterro do campo de Santa Ana. De qualquer cego de pau e cãozinho faz-se um pedestre para apanhar os rapinadores de galinhas de gamelas de roupa.

O lugar onde alguém está, ou onde alguma coisa sucede, põe-se em ablativo. Ex.: Os Fluminenses estão em um depósito de pestes. A câmara municipal está em um céu de delícias. Os burros e os gatos morrem pelas ruas, e aí ficam dias inteiros. O centro do largo do Rocio é atravessado por quanto carro há, quando havia ordens em contrário.

O lugar donde alguém sai, ou vem, põe-se em ablativo. Ex.: Os tigres saem de todas as portas e a todas as horas. A descrença brota em todos os corações. A fome geral vem do pouco caso que se faz do povo, que só é considerado em vésperas de eleições.

O lugar por onde alguém vai, ou passa, põe-se em ablativo. Ex.: Pelo campo de Santa Ana ninguém pode passar. (Exceção da regra). A rua do Cattete está intransitável. (Não há mais exemplos para esta regra, porque no Rio de Janeiro por poucos lugares se pode andar e passar sem o lenço no nariz). A distância de um lugar a outro põe-se em ablativo. Ex.: Um burro e um carroceiro. O povo e os seus representantes. O começo destas preleções e o seu

PASSEIO PÚBLICO


28 DE SETEMBRO 1862.

A origem do “Abismo”

Segundo D. Pedro Felipe Monlau, em seu “Diccionario Etimologico”, vem tal palavra do grego abyssos, composto da letra a  + byssos ou bussos: fundo. Há, no entanto, quem afirme que se origine do latim ab-imo: ausência de fundo, afastamento indefinido do fundo, ou seja: sem fundo. Os dicionários dão-lhe, entre outros, os seguintes sentidos: lugar profundo, precipício,  caos,  a confusão primitiva (antes que se fizesse a luz), profundidade sem termo, inferno etc.

Na Bíblia encontramos vários exemplos, como estes: “Cerraram-se as fontes do abismo e as janelas do céu, e a chuva do céu se deteve” ( Gn. 8:2).  / “Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas” (Sl. 42:7).  / “Está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós” (Lc. 16:26).

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A origem do “Abecedário”

Do baixo-latim abecedarium ou abecedaruis (substantivo e adjetivo), designa a ordem ou série das letras de cada língua, e equivale a Alfabeto. Diz-se daquilo que pertence ou que é relativo ao ABC (alfabeto). Denota ainda o conjunto de signos especiais para a expressão dos determinados conceitos: abecedário dos cegos, abecedário telegráfico etc. Também se refere ao que é elementar, ignorante, insciente, medíocre etc.

Exemplos de uso: As sociedades em comandita, eis a questão do dia. O abecedário inteiro tem saído a campo; e cada letra é um novo campeão que desce à liça do combate” (José de Alencar: “Ao correr da Pena”). / “O Benício tinha não só um, como diversos abecedários de amigos; mas entre esses escolhia uma dúzia, que eram os do peito” (José de Alencar: “Sonhos d’Ouro”). / Repetiu então o Brás de cor o abecedário e uma parte da carta de sílabas e nomes” (José de Alencar: “Til”).

É isso!

O ABC...

O ABC (a-bê-cê) nada mais é do que a reunião das três primeiras letras do nosso Alfabeto, tendo o mesmo sentido de Alfabeto. Metaforicamente designa os primeiros rudimentos de qualquer ciência ou faculdade: "O ABC da Medicina" / "O ABC da Informática". / "O ABC dos Pedreiros" etc.


Exemplos de uso: Entretanto o compadre aplicava-se a trabalhar na realização de seus intentos, e começou por ensinar o ABC ao menino; porém, por primeira contrariedade, este empacou no F, e nada o fazia passar adiante” (Manuel Antônio de Almeida: “Memórias de um Sargento de Milícias”). / Chegou a ter novelas e a possuir, como as raparigas de quinze anos, na caixinha de adereços, o ABC dos namorados, décimas, corações com versos e pingos de tinta roxa, glosas, toda uma coleção de lirismo do anônimo gosto indígena” (Manuel de Oliveira Paiva: “Dona Guidinha do Poço”). / “Amélia sentava-se um instante aos pés do catre, perguntando-lhe se estudara o ABC, obrigando-a a dizer aqui e além o nome duma letra” (Eça de Queirós: “O Crime do Padre Amaro”).

É isso!

De onde vem o “Abdômen”?

Tem origem no latim abdo, abdere: ocultar, encerrar + omen, que antigamente significava ventre, ou omentum: omento, coifa. O abdômen é, portanto, a parte exterior e visível do baixo ventre.

Exemplos de uso: O sangue girava-lhe de novo em toda a extensão do sistema circulatório; e os frouxos, que lhe acometeram as pernas, desapareciam à maneira que o primo de sua mulher lhe garantia a inviolabilidade do seu abdômen (Camilo Castelo Branco: “A Filha do Arcediago”). / “Ao fundo, contra a parede salitrosa e verde, abancava junto à mesa o Silvério, tipo flácido de gordo, muito branco, timpânico o abdômen, as carnes empapadas, o cabelo ruivo já rareando, o nariz afogueado, e na larga insipidez da face rolando lascivos uns pequeninos olhos negros” (Abel Botelho: “Amanhã”). / “Viam-se deslizar pela praça os imponentes e monstruosos abdomens dos capitalistas; viam-se cabeças escarlates e descabeladas, gotejando suor por debaixo do chapéu de pelo...” (Aluísio Azevedo: “O Mulato”).

É isso!

O sentido de "Abandonar"

Segundo Ducange, tal termo vem do latim abandonum, abandum; para Pasquier é formado de a-ban-donar (donar ou dar a bando): expor à discrição do público; outros dizem originar de abundans donum: dar em abundância; há ainda os que o faz derivar de a + band: laço, vínculo, significando sem vínculo. Segundo dicionários, abandonar significa: deixar ao abandono, desamparar, renunciar, desistir de, deixar meio solto, afastar-se de, render-se.

Exemplos de uso: No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado” (Machado de Assis: “A Cartomante”). / “A Jovita foi, a princípio, criada; fugiu com um rapaz, abandonou-o e caiu na exploração da mendicidade com o sr. Alfredo” (João do Rio: “A Alma Encantadora das Ruas”). / “Camilo abandona Patrícia nesse mesmo ano, fugindo para casa da irmã, residente agora em Covas do Douro” (Camilo Castelo Branco: “A Caveira Mártir”).


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10 de jun de 2015

A origem da "Punheta"

Punheta é um termo considerado chulo (de baixo calão), que designa a masturbação masculina. Vem de "punho" (a mão fechada, pulso etc.) mais o sufixo "eta", que é característico de diminutivos, por exemplo: arvoreta (pequena árvore), banqueta (pequeno banco sem encosto), caixeta (caixa pequena) etc.  Ao pé da letra, portanto, a "punheta" seria uma pequena força gerada com o punho (ou algo assim). De "punheta" tem-se origem  o adjetivo "punheiteiro", que é o homem que se masturba ou que pratica o onanismo.

Temos um exemplo da Literatura, do  poema “O Elixir do Pajé”, do nosso escritor Benardo Guimarães:

Um cabaço! Que era este o único esforço,
única empresa digna de teus brios;
porque surradas conas e punhetas
são ilusões, são petas,
só dignas de caralhos doentios.


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5 de jun de 2014

Projeto Livro LIvre




O “Projeto Livro Livre” é uma iniciativa que propõe o compartilhamento, de forma livre e gratuita, de obras literárias já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, especialmente o livro em seu formato Digital. 

No Brasil, segundo a Lei nº 9.610, no seu artigo 41, os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao de seu falecimento. O mesmo se observa em Portugal. Segundo o Código dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos, em seu capítulo IV e artigo 31º, o direito de autor caduca, na falta de disposição especial, 70 anos após a morte do criador intelectual, mesmo que a obra só tenha sido publicada ou divulgada postumamente. 

O nosso Projeto, que tem por único e exclusivo objetivo colaborar em prol da divulgação do bom conhecimento na Internet, busca assim não violar nenhum direito autoral. Todavia, caso seja encontrado algum livro que, por alguma razão, esteja ferindo os direitos do autor, pedimos a gentileza que nos informe, a fim de que seja devidamente suprimido de nosso acervo. 

Esperamos um dia, quem sabe, que as leis que regem os direitos do autor sejam repensadas e reformuladas, tornando a proteção da propriedade intelectual uma ferramenta para promover o conhecimento, em vez de um temível inibidor ao livre acesso aos bens culturais. Assim esperamos!

Até lá, daremos nossa pequena contribuição para o desenvolvimento da educação e da cultura, mediante o compartilhamento livre e gratuito de obras sob domínio público, como estas que disponibilizamos gratuitamente em formato PDF.


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Iba Mendes
Iba@ibamendes.com

16 de jun de 2013

Quem era o "Adepto"?

A palavra adepto tem origem no latim adepthus, particípio de adipiscor, que significa: eu obtenho, eu consigo. Era o título ou qualificação que se davam àquele que se havia iniciado nos mistérios de uma ciência ou de uma seita. Denominavam-se adeptos alguns alquimistas que diziam possuir o segredo de transformar os metais em ouro, aquilo que  chamavam de “a pedra filosofal”. Segundo os dicionários, adepto significa: partidário, sectário, admirador, conhecedor dos princípios de uma seita, ciência, religião, doutrina, partido político etc. Exemplos da Literatura: de Joaquim de Macedo, em “A Luneta Mágica”: “Um homem que tem nas suas oficinas um mágico da força do armênio, e mágico que lhe oferece prodígios, teima em não querer experimentar ao menos a capacidade extraordinária, os trabalhos estupendos desse esclarecido adepto da cabala”; de Aloísio de Azevedo, em “O Cortiço”: “Alexandre, esse então não cochilava com os adversários: nas suas partes policiais figurava sempre o nome de um deles pelo menos, mas entre os próprios polícias havia adeptos de um e de outro partido”; de José de Alencar, em “Encarnação”: “Os processos e fórmulas do charlatanismo já se aperfeiçoaram de tal modo, que os adeptos não carecem mais de gênio inventivo; tudo está feito, desde o anúncio até a celebridade artificial”; de Moacyr Scliar, em “A Mulher que Escreveu a Bíblia”: “O papo de Povo Eleito acabaria, a nova religião procuraria conquistar adeptos entre todos os povos, terminando inclusive com aquela história de se distinguir dos outros pela circuncisão.”

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Quem é o "Acusador"?

Acusador, aquele que acusa ou incrimina, é um termo oriundo do latim, accusatoraccusatoris: delator, denunciador. Na antiga Grécia, mais exatamente em Atenas, a pessoa que acusava outro de algum delito, o fazia à base de um juramento, sendo que a desistência da acusação, ou a ausência da quinta parte dos sufrágios no processo do julgamento, somava uma multa de 1000 dracmas. Em determinadas ocasiões decretava-se a pena de morte contra aqueles que, havendo acusado outro cidadão de impiedade, não era capaz de provar o “delito”. Na Bíblia, o termo hebraico satan (satã ou satanás) significa acusador, adversário, sendo ele, na teologia cristã, considerado o inimigo de Deus que acusa o homem de seus pecados.

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O significado de “Acrópoles”

Acrópoles  é uma palavra formada pelos elementos gregos acro (alto, elevado, por exemplo:  acrofobia, acrobata) e pólis, pole (cidade, por exemplo: Petrópolis, metrópole, cosmópole). Ou seja: é a cidadela situada na extremidade ou a parte mais elevada de uma cidade. Sempre que um nome próprio de um povo grego ou romano precede a palavra acro, supõe que tinha uma cidadela em sua parte mais alta que sobressaía. Exemplos da Literatura: de Domingos Olimpio, em “Luiza Homem”: “As últimas palavras do sacerdote, recitando, de cor, o evangelho de São João, os fiéis se ergueram com sussurro, espraiaram-se pelo patamar, sob um sol intenso, e se dispersaram em todas as direções, descendo pelo suave declive do cúmulo, onde se ergue o templo, acrópole da cidade; de Euclides da Cunha, em “Contrastes”: “E dali voltando, lentos, perquirindo, na marcha fulgurante, um por um todos os pontos fortificados; demorando-se um instante sobre a ilha das Cobras, e mostrando uma visão de Acrópole, meio derruída, naquela ponta de granito arremessada fora das ondas”; de Olavo Bilac, em “Últimas Conferências”: “O Pireu era o golfo prodigioso do Comércio e da Civilização; as suas águas coalhavam-se de navios, que arfavam ao peso das mercadorias vindas de todos os pontos do mundo, e a industria florescia nas plagas em que formigavam multidões de Gregos e de forasteiros; mas, sobre aquela atividade febril, pairava a Acrópole serena...”


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