16 de dez de 2012

A origem da “Apatia”


A palavra apatia vem do grego apátheia: insensibilidade, calma estóica, através do francês apathie e apathique, que eram termos adotados na linguagem científica ou entre doutores e intelectuais. Apathie exprime a carência de paixões, a incapacidade de sentir afeto algum, a estóica insensibilidade de determinadas pessoas, as quais não se deixam abalar por nada; e  apathique denota a pessoa que é insensível, que não tem afetos, que é incapaz de paixões, o homem desleixado, inerte, indolente etc. Exemplos da Literatura: Manuel Antônio de Almeida, de Memórias de um Sargento de Milícias: “Luisinha, uma vez extinto o entusiasmo que, suscitado pelas emoções que  experimentara na noite do fogo, a acordara da sua apatia, voltara de novo ao seu antigo estado”;  de Domingos Olímpio, “Luzia Homem”: “Alexandre livre, remido da infâmia, radiante de ternura a lhe sorrir com amor. Tinha estremecimentos de júbilos comedidos; a efêmera visão fugia com as colunas de pó desfeitas, e a pobre recaía desiludida numa dolorosa apatia de quem espera em vão”; de Aluísio Azevedo “Casa de Pensão”: “E como estas, outras e outras recordações foram-se enfiando e desenfiando pelo espírito sensual e mesquinho do vaidoso, até deixá-lo mergulhado na apatia dos entes sem ideais e sem aspirações”; de  José de Alencar, em “Senhora”: “Esta ânsia de festa e distrações sucedendo a uma inexplicável apatia e recolhimento, faria desconfiar que Aurélia buscava na sociedade, não o prazer, mas talvez o esquecimento”;  de Euclides da Cunha, em “Os Sertões”: “E a histórica paragem, liberta da apatia do muslim inerte, transmuda-se volvendo de novo à fisionomia antiga”; de Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”: “Cada século trazia a sua porção de sombra e de luz, de apatia e de combate, de verdade e de erro, e o seu cortejo de sistemas, de idéias novas, de novas ilusões; cada um deles rebentavam as verduras de uma primavera, e amareleciam depois, para remoçar mais tarde.”


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É isso!

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