12 de nov de 2012

O que é “Epifania”



A palavra epifania vem do latim epiphania, que quer dizer aparição. Trata-se da celebração católica em que se comemora a aparição divina aos reis Magos. Antigamente neste dia era comum partir-se e comer-se, em família, um bolo, de composição e de formato especial, chamado “bolo rei”, no qual se incluía  uma fava, símbolo da realeza.  Cortava-se o bolo em tantas partes quanto havia de convidados, sobrando um pedaço à parte, que se chamava “quinhão de Nossa Senhora”, o qual deveria ser dado a um pobre. A pessoa que ficava com o  pedaço em que se encontrava a fava era proclamado rei ou rainha. Esta tradição não se usa mais nos dias de hoje. O nosso escritor João do Rio, em sua obra “A Alma Encantadora das Ruas”, faz menção da festa, relatando o episódio bíblico dos reis magos: 

Que sabemos nós da Epifania? Homens de leve erudição e de fé sem vigor, andamos a sutilizar velhos textos e antigos costumes, e tanto sutilizamos que a dúvida acomete o nosso espírito e a confusão perturba a viagem dos três Reis com os vestígios das saturnais e das bodas de Caná. Nem os sacerdotes nos altares nem os eruditos em livros fartos, ninguém hoje conseguirá explicar claramente a suave aparição e a festa simples que o povo realiza, fazendo vir de alta montanha, guiados por uma estrela loira, Gaspar, Melchior e Baltasar com a oferenda de ouro, incenso e mirra para o menino que Herodes perseguirá.
Há os versículos de Mateus: “Jesus nasceu em Belém de Judá, nos tempos do rei Herodes. Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”; sabe-se que presepe significa etimologicamente estrebaria ou jaula. Os gnósticos vêm, com esses dois elementos, simbólicos, confusos; os sábios indagam de mais e, enquanto estes esterilmente escrevem páginas estéreis, os povos criam a legenda suave, e a legenda perdura, cresce, aumenta, esplende numa doce apoteose de perfumes e de bem.
Os presepes são uma criação popular. Antes dos artistas de Paris e Viena, que expõem nos salões do Campo de Marte e no Kunstlerhaus, o povo criou nos presepes o anacronismo religioso, o anacronismo que, segundo la Sizeranne, é a fé; pôs, como Breughel nos Peregrinos de Emaús e Beraud na Madalena entre os Fariseus, homens de hoje nas cenas do Velho Testamento.

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É isso!

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