12 de nov de 2012

Etimologia de “Boteco”


A palavra boteco é derivação regressiva de botequim, que, por sua vez, é o diminutivo de botica. O termo boteco, para quem imagina o contrário, não é assim tão recente. Monteiro Lobato, por exemplo, já fazia uso dele, como se pode observar no seu “Negrinha”: “Outro era bêbedo profissional - e talvez pela mesma razão: informar à roda sobre o que é a vida do clã de adoradores do álcool que passam a vida nos "botecos”. Todavia, o termo mais usual em nossa literatura sempre foi botequim, como se pode notar nesses exemplos: de Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”: “Tivemos lutas de uma e duas horas, no botequim do Nicola, a glosarmos, no meio de palmas e bravos”; Aluísio de Azevedo, em “O Cortiço”: “Às duas horas da tarde entrou no botequim do Garnisé, uma espelunca, perto da praia, onde ele costumava beber de súcia com o Porfiro”; de Almeida Garret, em “Viagens na Minha Terra”: “Vieram três limões que me pareceram de uns que pendiam, quando eu vinha a férias, à porta do famoso botequim de Leiria”; de Eça de Queiroz, em “As Cidades e as Serras”: “Enquanto o adorável, desejado Infante penou no desterro de Viena, o barrigudo senhor corria, sacudido na sua sege amarela, do botequim do Zé Maria em Belém à botica do Plácido nos Algibebes, a gemer as saudades do anjinho, a tramar o regresso do anjinho”; de Lima Barreto em “Histórias e Sonhos”: “O espanhol Santiago Ximénez, principal barbeiro da localidade, proprietário do Salão Verdun, aparecia, às vezes, na tertúlia; recitava um pouco de Campoamor ou citava Escrich; mas despedia-se logo, a fim de ir para o botequim do Cunha, onde podia unir o útil ao agradável, isto é, juntar o parati ou a genebra ao poeta de sua paixão - Campoamor - ou ao romancista de sua admiração – Pérez Escrich.”

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É isso!

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