21 de nov de 2012

Considerações sobre o “Alienado”


A palavra  alienado vem do latim alienatus, de alienare: alienar, que significa: transferido por alheação a outro dono. Por exemplo: alienar o prédio, a liberdade; alienar os sentidos; alienado do juízo etc. No século XIX, no Brasil, o termo ficou conhecido para designar o deficiente mental, o indivíduo que perdeu a razão, ou seja: o louco. Como forma de separar essas pessoas do convívio social e lançá-los à margem da sociedade, ergueu-se, por exemplo, em São Paulo, o Hospício dos Alienados, estabelecimento criado pela lei provincial nº 12, de 18 de Setembro de 1848, sendo sua instalação datada do dia 14 de maio de 1852. O Hospício funcionou primitivamente em um prédio na rua de São João (atual Avenida São João), à época, “Freguezia de Santa Iphigenia”. Muitos outros estabelecimentos semelhantes foram criados no país, onde inclusive eram internados muitas pessoas alcoólatras, como foi o caso nosso escritor Lima Barreto, que sempre fez uso deste tema em suas obras, como neste exemplo, do conto “O falso D. Henrique V”: “De norte a sul, sucediam-se epidemias de loucuras, umas maiores, outras menores. Para debelar uma, foi preciso um verdadeiro exército de vinte mil homens. No interior era assim; nas cidades, os hospícios e asilos de alienados regurgitavam. O sofrimento e a penúria levavam ao álcool, “para esquecer”; e o álcool levava ao manicômio”. Machado de Assis também insere o tema da “alienação” em suas obras. Um dos seus mais conhecidos contos tem por título “O Alienista”, do qual extraímos um pequeno enxerto, a título de ilustração, sobre a internação dos alienados: “Os alienados foram alojados por classes. Fez-se uma galeria de modestos, isto é, dos loucos em quem predominava esta perfeição moral; outra de tolerantes, outra de verídicos, outra de símplices, outra de leais, outra de magnânimos, outra de sagazes, outra de sinceros, etc. Naturalmente, as famílias e os amigos dos reclusos bradavam contra a teoria; e alguns tentaram compelir a Câmara a cassar a licença. A Câmara, porém, não esquecera a linguagem do vereador Galvão, e se cassasse a licença, vê-lo-ia na rua, e restituído ao lugar; pelo que, recusou. Simão Bacamarte oficiou aos vereadores, não agradecendo, mas felicitando-os por esse ato de vingança pessoal.”


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É isso!

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