29 de out de 2012

As Escolas Literárias: o “Romantismo”


No que concerne à origem da palavra Romantismo (francês: romantisme), como o próprio nome já faz entender, vem de romântico com o acréscimo do sufixo ismo. Romântico, conforme definição do Michaelis diz respeito aos escritores e artistas que, no começo do século XIX, se afastaram das regras clássicas, denotando predominância da sensibilidade e da imaginação sobre a razão. Originário da Escócia e da Alemanha, o Romantismo foi introduzido em Portugal por Garret, em 1825, com a publicação do poema Camões. Seu término ocorre por volta de 1865, quando se instala a reforma realista. Durante esses quarenta anos, três são as configurações assumidas pela estética romântica: a primeira, em que ainda permanecem atuantes alguns valores neoclássicos, é representada por Garrett, Herculano e Castilho, e transcorre mais ou menos entre 1825 e 1838; a segunda, em que se aglutina o chamado Ultra-Romantismo, é representada especialmente por Soares de Passos e Camilo Castelo Branco, e vigora entre 1838 e 1860; a terceira, em que se opera a transição para o Realismo,é representada sobretudo por João de Deus e Júlio Dinis, e ocupa a década de 60. O Romantismo português acompanha as linhas gerais do movimento europeu, mas adaptando-o à conjuntura sócio-econômico-cultural delineada nos capítulos precedentes (Massaud Moisés: “A Literatura Portuguesa através dos textos”). Concernente à Literatura romântica em sua vertente brasileira: Didaticamente falando, o ano de 1836 marca o início do Romantismo brasileiro, quando Gonçalves de Magalhães publica seu livro de poesias Suspiros poéticos e saudades, considerada nossa primeira obra romântica. Nesse mesmo ano é lançada, em Paris, a revista Niterói, por iniciativa de Araújo Porto-Alegre, Torres Homem, Pereira da Silva e Gonçalves de Magalhães, a qual se torna uma espécie de porta-voz das novas idéias românticas  (Douglas Tufano: “Estudos de Língua e Literatura”). Existe um signo que marca a vida, a obra e a atitude romântica: a força do sentimento através do qual o homem da época expressa seu individualismo, a exaltação de seu “eu”. Os românticos enfrentam mundo e muitas vezes, em suas obras e na realidade, fogem dele. Alguns, entretanto, querem reformar a sociedade, e seguem lutando por isso; outros apóiam-se nos valores nacionais e populares. Também em atitude de desafio. Porque individualismo não é egoísmo. O romântico ocupa-se do “eu e seu contorno”. Sente-se centro do mundo e, ao mesmo tempo, “uma de suas criaturas”, interessando-se pelo que o homem tem de singular, pelas complexidades distintas e originais de cada alma humana (A. Medina Rodrigues, Dácio A. de Castro e Ivan P. Teixeira: “Antologia da Literatura Brasileira”). São as características do Romantismo: Nacionalismo: As fontes de inspiração clássica (mitologia, universalidade etc.) foram substituídas por outras: tradição, folclore, história, índio, heroísmo, pátria, língua; Subjetivismo: Do homem-universalista do Classicismo passou-se para o homem-individualista do Romantismo, onde o culto do eu (subjectum) predomina sobre a perspectiva do outro (obectum); Sentimentalismo: O sentimento passou a predominar sobre a razão, o inverso do que ocorria no Classicismo. De início, o sentimentalismo parecia equilibrado, mas depois chegou ao exagero, degenerando numa tristeza vaga e mórbida, caracterizando o chamado “mal do século”; Culto da Natureza: A Natureza, lugar de paz e tranqüilidade, inspirou o artista e alimentou o sonho do poeta. O mar, a floresta, os rios, as ruínas, a noite, o mistério, tudo passou a ser tema poético para o romântico; Idealização do mundo: Os escritores buscavam um mundo perfeito e ideal, onde houvesse compensação para o seu sofrimento. Enquanto a mulher somava todas as qualidades humanas, os heróis detinham todos os predicados possíveis. O exagero, a ânsia de glória, a imaginação hiperbólica perpassam as obras românticas da época; Liberdade criadora: Se agora o individual predominava sobre o coletivo, era evidente que a liberdade no ato da criação para o artista assumia proporções primordiais. O romântico arrogava a si o direito de julgar o belo e o verdadeiro. Ele queria, enfim, dar livre curso ao gênio criador e renovador que estava dentro dele J. Milton Benemann e Luís A. Cadore: (“Estudo Dirigido de Português: Língua e Literatura”). Em relação aos autores inseridos nessa escola literária, destacam-se, em Portugal: Almeida Garret (1799-1854), em Portugal: seu verdadeiro nome era João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett. Estudou Direito na Universidade de Coimbra. Suas idéias liberais levaram-no ao exílio na Inglaterra quando um golpe aboliu a Constituição de 1822. Depois de um segundo exílio, no mesmo país, exerceu os cargos de diplomata e deputado. Garrett é considerado o iniciador do teatro nacional português. Sua produção tipicamente romântica concentra-se em Folhas caídas, livro de poema inspirado no seu rumoroso caso de amor com a Viscondessa da Luz. Camilo Castelo Branco (1825-1890): Camilo é o representante mais típico do ultra-romantismo português. Suas obras mais conhecidas são as novelas acima citadas. A novela passional era um gênero muito ao gosto do público da época, e Camilo foi o seu grande realizador. Se em Amor de perdição as personagens principais morrem pela perda do amor “Faraco e Moura: (“Língua e Literatura”).  No Brasil, destacam-se, entre outros: José de Alencar (1829-1877), na prosa: José de Alencar é o mais importante dos romancistas românticos, devido à diversidade e extensão de sua obra, à sua linguagem rica e poética, e aos temas de caráter nacional que utilizou. Segundo Raquel de Queirós, “Alencar é o verdadeiro pai do nosso romance”. O estilo alencariano é uma das grandes contribuições à literatura brasileira incipiente. Alencar preocupa-se com o problema da língua e do estilo. A sua obra traduz particularidades sintáticas e vocabulares do falar brasileiro. Enriquece a língua literária de inúmeros tupinismos e brasileirismos. Além disso, seu estilo é sonoro e brilhante, um tanto declamatório, ao gosto da época (Maria da Conceição Castro: “Língua e Literatura”). Antônio Gonçalves Dias (1923-1864), na poesia: Embora seja um dos melhores poetas líricos de nossa literatura, seu nome é freqüentemente associado ao Indianismo, pois foi o único a dar realmente uma dimensão poética ao tema do indígena. Nessa linha, destacam-se os poemas "I-Juca Pirama"; "Canção do Tamoio"; "Marabá"; "Leito de folhas verdes"; "Canto do Piaga" "Deprecação"  (Douglas Tufano: “Estudos de Língua e Literatura”).


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É isso!

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