29 de out de 2012

As Escolas Literárias: o “Realismo”


Quanto à origem etimológica da palavra Realismo, vem de real, do latim res: coisa, fato, e do sufixo ismo, que designa partido, gênero, doutrina, crença, profissão etc. A época do Realismo em Portugal inicia-se em 1865, com a  “Questão Coimbrã”, deflagrada pelo posfácio de Castilho ao Poema da Mocidade, de Pinheiro Chagas, no qual proclamava acerbas restrições aos estudantes de Coimbra adeptos da Idéia Nova. E esmorece por volta de 1890, quando Eugênio de Castro, publicando Oaristos, desencadeia o aparecimento da estética simbolista. Numa visão mais profunda dos fatos, percebe-se que a instalação do Simbolismo não obstou que o ideário realista permanecesse atuante pelo menos até 1915. Durante o seu fastígio, o Realismo em Portugal deu origem à única geração literária que merece este nome além-Atlântico. E afora única, notabilizou-se por reunir uma plêiade de homens superiores e talentosos como jamais houve antes ou depois na história da Literatura Portuguesa. Em qualquer das direções seguidas pela atividade literária na época realista (a poesia, a prosa de ficção, o jornalismo doutrinário, a historiografia, a crítica e a historiografia literária) é possível encontrar estrelas de primeira grandeza (Massaud Moisés: “A Literatura Portuguesa através dos textos”). O termo realismo designa a tendência que caracteriza os autores fortemente apegados à chamada descrição “fiel” das coisas e da sociedade. Toma-se, portanto, como o contrário de romantismo. O movimento realista surgiu como desgaste e superação da literatura romântica. Aliás, grandes realistas, como Balzac ou Standhal, Gogol ou Charles Dickens, tinham sido românticos e quase naturalmente foram chegando a formas menos idealizadas da vida, até retratarem a sociedade moderna em sua nudez crua e opressiva. Esse é o caso de Machado de Assis, a partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), que inaugura nosso realismo (A. Medina Rodrigues, Dácio A. de Castro e Ivan P. Teixeira: “Antologia da Literatura Brasileira”). Dentre os autores inseridos no Realismo, destacam-se, em Portugal: José Maria Eça de Queirós (1845-Paris), na prosa: Foi um dos maiores escritores portugueses. Nasceu em Póvoa de Varzim, em 1845. Filho ilegítimo um advogado e da filha de um militar, passa a primeira infância com a madrinha e em internatos. vem a conhecer os pais aos dez anos. Esse fato explica a sua sensibilidade face à hipocrisia moral; denuncia, em seus romances, a contradição entre a religiosidade aparente os sentimentos reais de suas personagens. Eça de Queirós forma-se em Direito, em 1866, pela Universidade de Coimbra. Vai para Lisboa onde começa a escrever. Cabe-lhe a glória de ter sido o criador do Realismo nacional. A sua personalidade literária define-se nos folhetins publicados na Gazeta de Portugal, reunidos num livro póstumo chamado Prosas Bárbaras (Maria da Conceição Castro: “Língua e Literatura”); Antero de Quental (1842-1891), na poesia: Seu nome completo era Antero Tarquínio de Quental. Estudou Direito em Coimbra. Depois da Questão Coimbrã, foi para Paris. Retornando a Portugal, exerceu atividades políticas, ligando-se ao Partido Socialista. A morte do pai levou-o de volta à cidade natal (nos Açores), onde, após uma enfermidade e muitas crises existenciais, veio a se matar. Obras: Odes modernas (1865); Primaveras românticas (1872); Raios de extinta luz (1892). Distinguindo-se sobretudo como sonetista, um dos maiores de Portugal, Antero produziu uma obra que tem como traço característico um profundo pessimismo diante da vida  (“Faraco e Moura: “Língua e Literatura”). E, no Brasil, destaca-se: Joaquim Maria Machado de Assis (1839- 1908), na prosa. Filho de um pintor mulato e de uma lavadeira portuguesa, no chegou a realizar seus estudos regulares. Trabalhou como tipógrafo e revisor, tornando-se mais tarde intenso colabora-dor na imprensa da época. Casou-se em 1869 com Carolina Augusta Xavier de Novais, companheira que muito o ajudou na carreira literária. Juntamente com Joaquim Nabuco, fundou a Academia Brasileira de Letras, em 1897, tendo sido eleito unanimemente como seu primeiro presidente. Machado de Assis não é um escritor: é um grande escritor. De origem humilde, órfão desde cedo, gago e epiléptico, funcionário público, tímido e reservado, modelo de autodidata, transformou-se no melhor prosador de nossas letras. Sua obra não cabe na classificação de uma escola ou no estreito compartimento de um gênero. Ele é universal (J. Milton Benemann e Luís A. Cadore: (“Estudo Dirigido de Português: Língua e Literatura”). Machado de Assis estreou como romancista em 1872, publicando Ressurreição. Entre esse primeiro livro e o último, Memorial de Aires (1908), percebe-se uma lenta evolução que faz de sua obra uma das mais importantes de nossa literatura.  Seus quatro primeiros romances - Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e laia Garcia (1878) - representam, por assim dizer, a primeira fase da produção de Machado de Assis. Embora estejam presentes traços românticos na representação das personagens e na estruturação do enredo, essas obras já revelam, ainda que timidamente, as características que marcarão a fase realista e madura do autor, como o interesse na análise psicológica das personagens, um certo humorismo, os monólogos interiores e os cortes na ordem linear das narrativas  (Douglas Tufano: “Estudos de Língua e Literatura”).


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É isso!

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