6 de abr de 2010

O “Trabalho" liberta?


No hebraico, a palavra trabalho (avodah) é formada a partir da raiz avad, da qual se originam as palavras escravo, servo, criado. Desta mesma raiz origina-se ainda os nomes próprios Obede (servo, escravo), Obadias (servo de Jeová), Abdão (servidor, aquele que serve), Abdeel (servo de Deus), Abdi (meu servo) etc. Avodah também significa adoração ou culto a Deus.
No latim, trabalho vem de tripaliu, que era um instrumento de tortura formado de três paus (tri: três e paliu: paus).
É bom lembrar que na antiguidade o trabalho não era assim visto com muito bons olhos. Naquele tempo quem trabalhava eram apenas os escravos e os pobres. Somente a partir do século XIV, é que a labuta da vida passou a ter o sentido que empregamos hoje em nossos dias, ou seja, o exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa, o esforço, a labutação, a lida, a luta e por aí vai. Trabalho hoje é dignidade. Quem diria!

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É isso!

Um comentário:

  1. Lindo o sentido hebraico do trabalho, como ação litúrgica humana, meio de transcendência e reflexo da Imago Dei, pois Deus é o que cria com o seu trabalho e nos concedeu esta capacidade, marca de nossa semelhança com Êle. Com o pecado (Gn.3) veio a exploração e a servidão, a exploração do trabalho de uns por outros o que K. Marx tão bem estudou denunciando a alienação cometida contra o trabalhador que é tributário de um capitalista. É bem o sentido latino do Tripaliu, instrumento de tortura e não de realização do potencial humano. A consequência histórica é sentida nas escaramuças entre grupos que detém o poder e extraem as riquezas dos demais, subjugados ao nível da subsistência muitas vezes.

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