1 de dez de 2012

O que é “Eufemismo”


A palavra eufemismo tem origem no grego euphemismós, formada dos elementos eu, ev (bem, bom) e phemi (falar). Trata-se de uma figura de linguagem, que consiste no uso de palavras ou expressões agradáveis, em substituição àquelas de sentido grosseiro ou desagradável. Por exemplo: faltar à verdade (em vez de mentir), traseiro (no lugar de bunda), toalete (por mictório), bater as botas (em substituição a morrer), tumor maligno (em vez de câncer). Exemplos da Literatura: de Machado de Assis, em “A Mão e a Luva”: “Guiomar chegou daí a pouco e achou-os na “saleta de trabalho”, eufemismo elegante, que queria dizer literalmente — saleta de conversação entremeada de crochet”; em “A Semana”: “O que não podemos tolerar é a obrigação. Obrigação é eufemismo de cativeiro: tanto que os antigos escravos diziam sempre que iam à sua obrigação, para significar que iam à casa dos senhores”; em “Balas de Estalo”: “Nenhum particular diria tal coisa. Querendo vender a vaca, o particular poria no anúncio qualquer eufemismo delicado; diria que era uma vaca menos que regular, uma vaca com defeito, uma vaca para serviços leves. Jamais confessaria que a vaca era muito ruim”; de Euclides da Cunha, em “Os Sertões”: “Está nele a sua feição verdadeiramente nacional. Fora disto mal a vislumbramos nas cortes espetaculosas dos governadores, na Bahia, onde imperava a Companhia de Jesus com o privilégio da conquista das almas, eufemismo casuístico disfarçando o monopólio do braço indígena”; de Lima Barreto, em “Marginalia”: “Quiseram ver nela o símbolo do nosso roceiro, do nosso sertanejo - "o caboclo" - como se diz por eufemismo, porquanto nele há, de fato, muito de índio, mas há, em compensação, alguma coisa mais”; de Joaquim Nabuco, em “O Abolicionismo”: “Esse oráculo sibilino em que o engenhoso eufemismo elemento servil amortecia o efeito da referência do chefe de Estado à escravidão e aos escravos – a instituição podia existir no país, mas o nome não devia ser pronunciado do alto do trono em pleno Parlamento - foi como a explosão de uma cratera”; de Júlio Ribeiro, em “A Carne”: “O amor é filho da necessidade tirânica, fatal, que tem todo o organismo de se reproduzir, de pagar a dívida do antepassado segundo a fórmula bramática. A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio”; de José Saramago, em “Ensaio sobre a Lucidez”: “Há quem diga que os quinhentos reclusos continuam, de acordo com o conhecido eufemismo policial, a colaborar com as autoridades com vista ao esclarecimento dos fatos.”


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É isso!

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