19 de nov de 2012

O que quer dizer “Pandemônio”?



Este nome foi criado por Milton, de duas palavras gregas que significam domínio e tudo, do latim  pandemonium, para designar o palácio de Satanás. É no primeiro canto de seu “Paraíso Perdido” que o poeta descreve este edifício fantástico, cujo nome veio a ter uma significação mais ampla, denotando o conluio de indivíduos para fazer mal ou armar desordens, sendo sinônimo de  balbúrdia, tumulto e confusão. Exemplos: de José do Patrocínio, em “Os Retirantes”: “As crianças, esfaimadas e nuas, tentando romper a aglomeração compacta, eram maltratadas e atropeladas; as mulheres, não podendo caminhar, choravam e maldiziam. Do meio desse pandemônio de lágrimas, de maldições, de ais doridos, sobressaíam de quando em quando gargalhadas estentoreas, assovios e gritos perseguindo ladrões”; de Júlio Diniz, em “Os Serões da Província”: “Era um oceano de cabeças, ruidoso, agitado, ameaçador! De onde como de um pandemônio, partia a gargalhada, o grito, a aclamação, o insulto, o apupo, a ameaça, os vivas e os morras que a curiosidade revolvia, e fazia ondular em grandes e imponentes marés”; Bernardo Guimarães, em “A Escrava Isaura”: “Instalado naquele vasto pandemônio do luxo e dos prazeres, Leôncio raras vezes, e só por desfastio, ia ouvir as eloqüentes preleções dos exímios professores da época, e nem tampouco era visto nos museus, institutos e bibliotecas”; de José de Alencar, em “O Guarani”: “Um coro de gritos, imprecações e gemidos roucos e abafados, confundindo-se com o choque das armas, se elevava desse pandemônio, e ia perder-se ao longe nos rumores da cascata”; de Alexandre Herculano, em “O Pároco da aldeia”: “Era, como no lugar competente deixei especificado, grande o tráfego no moinho á chegada do prior: duas récuas de machos a enquerir à porta; moços para dentro e moços para fora; sacos de farinha a rolarem e a empoeirarem a atmosfera; bulha, encontrões, sapateada, arres, xós, pragas, diabos; um pandemônio, enfim, em miniatura”; de Coelho Neto, em “A Conquista”: “Como que vinha na brisa o grande rumor da vida agitadíssima daquele pandemônio, misterioso para os sertanejos que chegavam dos campos e das serras, tendo deixado a grande e rude natureza agreste”; de Aluísio de Azevedo, em “Girândola de amor”: “Olímpia sentiu-se aturdida no meio daquele pandemônio. De repente, um grito uníssono partiu da multidão; estalaram de novo as palmas, choveram os chapéus, agitaram-se os lenços, arremessaram-se os leques, os ramalhetes e as bengalas.”

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É isso!

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