13 de nov de 2012

O que é “Eclipse”


Eclipse vem do grego ékleipsis. Segundo o Dicionário Aurélio, trata-se de um “fenômeno em que um astro deixa de ser visível, totalmente ou em parte, ou pela interposição de outro astro entre ele e o observador, ou porque, não tendo luz própria, deixa de ser iluminado ao colocar-se no cone de sombra de outro astro”. O aparecimento do eclipse sempre impressionou a imaginação das pessoas. A primeira explicação para o fenômeno recai sobre o âmbito da religiosidade.  Dizia-se  que os deuses, indignados com os crimes da terra, lhe enviavam fenômenos terríveis para punir os delitos. O eclipse seria assim um presságio de desgraças. No correr dos séculos,  vez ou outra aparecia alguém que tentava entender o fenômeno não pelo viés da crença nos deuses. Péricles, no momento de embarcar com o seu exército, vendo os soldados aterrados por um eclipse, e o piloto recusar-se a guiar o navio, com receio da punição dos deuses, caso se pusessem em marcha com tão maus presságios, soube reanimar-lhes o brio e restituir-lhes a confiança. Cobrindo com o seu manto a cabeça do piloto, disse-lhe: — crês que isto seja um presságio de desgraça? — Não, decerto. — Pois bem! continuou o general, que pode pressagiar-te o corpo que te oculta o sol, e que não tem outra propriedade senão a de ser maior que este manto? Péricles parecia conhecer a causa dos eclipses, e, explicando o fenômeno, mostrava o ridículo do terror inspirado por eles; mas nem todos os homens  instruídos da antiguidade tinham visão semelhante. Muitos contentavam-se em saber que o fenômeno era natural, e importavam-se pouco com a sua explicação. Não obstante, alguns sábios conheceram a verdade, e muitos eclipses foram preditos na antiguidade. Serviam-se do ciclo de Méton, período de dezenove anos, dado pela observação, e que indica ao fim de quanto tempo os mesmos fenômenos luni-solares se reproduzem, proximamente nas mesmas épocas. Julga-se que nos seus cálculos não obtiveram maior aproximação que a de um quarto de hora. Conta-se que Cristóvão Colombo, tendo naufragado nas costas das ilhas, e achando-se carente de tudo, e entregue á ingratidão dos Espanhóis, valeu-se dos seus conhecimentos astronômicos, para satisfazer as primeiras necessidades da vida, e dispor a seu favor os ânimos dos índios. Chamou os principias deles e disse-lhes “que Deus, irritado com eles não os socorrerem, iria priva-los da luz da lua”. Os índios riram-se da “profecia”; porém, vendo o acontecimento realizar-se, vieram lançar-se aos pés do ilustre navegante, que, depois de ter fingido ser um enviado da divindade, lhes disse que o seu arrependimento tinha obtido o perdão de Duos, e que a lua iria aparecer outra vez. O que efetivamente aconteceu. Desde esse momento, Colombo teve de tudo em abundância. Numa de suas crônicas, escrita no dia 16 de abril 1883, o nosso maravilhoso escritor Machado de Assis, ironiza o fenômeno, realçando a façanha do homem em poder prevê-lo: “Há hoje um eclipse do sol. Está anunciado. Os astrônomos chegaram a esta perfeição de descrever antecipadamente esta casta de fenômenos, com o minuto exato do princípio e do fim, o primeiro e o último contato. Não há mais que aguardá-lo e mirá-lo, mais ou menos, segundo ele for total ou parcial. E assim se vai o melhor da vida, que é o inopinado. O incerto é o sal do espírito. Ah! Bons tempos em que os eclipses não andavam por almanaques, e queriam dizer alguma coisa, tais quais os cometas, que eram um sinal da cólera dos deuses. Os deuses foram-se levando a cólera consigo. Assim pagaram as oferendas e os poemas que receberam de milhões e milhões de criaturas.”

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É isso!


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Referência Bibliográfica:
Almanach familiar para Portugal e Brazil: 1º anno, publicado por: Gualdino Valladares e Augusto valladares. Tipografia de A.B. da Silva. Braga, 1868.

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