19 de nov de 2012

Etimologias das Estações



A palavra outono segundo alguns etimologistas vem do latim autumnus, que seria derivado de auctus, que significa aumentado, em referência ao fato de que, nesta estação, acumulam-se com as grandes colheitas o trabalho dos lavradores. No calendário, outono é a estação do ano que precede o inverno e que no hemisfério norte vai de 22 de setembro a 21 de dezembro e no hemisfério sul de 21 de março a 21 de junho. Denota, simbolicamente: decadência, declínio, ocaso. Exemplo de José de Alencar, em “Senhora”: “A formosa moça trocara seu vestuário de noiva por esse outro que bem se podia chamar trajo de esposa; pois os suaves emblemas da pureza imaculada, de que a virgem se reveste quando caminha para o altar, já se desfolhavam como as pétalas da flor no outono, deixando entrever as castas primícias do santo amor conjugal”.

A palavra primavera remete à expressão latina primo vere: no princípio do verão. Entre os romanos a primavera sagrada era um solene sacrifício que se faziam aos deuses no instante de maior atribulação.  No calendário é a estação do ano caracterizada pela renovada vegetação e que vai de 21 de março a 21 de junho no hemisfério norte e de 22 de setembro a 21 de dezembro no hemisfério sul.  Denota, simbolicamente: juventude, aurora, flor da idade. Exemplo de José de Alencar, em “Encarnação”: “Ela bem sabia, que depois de haver gozado da mocidade, no fim de sua esplêndida primavera, teria de pagar o tributo à sociedade, e como as outras escolher um marido, fazer-se dona de casa, e rever nos filhos a sua beleza desvanecida”.

A palavra verão  vem da expressão latina veranum tempus: tempo primaveral, que se deriva de ver, veris: primavera. No calendário é a estação do ano que, no hemisfério sul, vai de 21 de dezembro a 21 de março e, no hemisfério norte, de 21 de junho a 22 de setembro. Tem o mesmo sentido de estio, simbolicamente a idade madura.

A palavra inverno, latim: hiemale tempus ou biberna tempora, designa, no calendário, a estação mais fria do ano, que se situa entre o outono e a primavera; sendo que: no hemisfério sul, estende-se do solstício de 21 junho ao equinócio de 23 setembro; e, no hemisfério norte, do solstício de 22 dezembro ao equinócio de 21 março. Denota, simbolicamente, a velhice, a decadência da vida. Exemplo de Almeida Garret, em “Folhas Caídas”: “Se dos meus se rirem, têm razão; mas saibam que eu também primeiro me ri deles. Poeta na primavera, no estio e no outono da vida, hei-de sê-lo no inverno, se lá chegar, e hei-de sê-lo em tudo. Mas dantes cuidava que não, e nisso ia o erro.”

Coelho Neto, em “A Conquista”, faz uso de uma interessante figuração para as estações do ano, que parece sintetizar toda a simbologia que as envolvem: “Eram inúmeras as roseiras encostadas a espeques, filas de caladios diversos, begônias, cravos, magnólias, gardênias, dálias, uma araucária esguia, várias palmeiras ornamentais e quatro figuras de louça, sobre pilastras, figurando as estações. A Primavera era uma graciosa e linda rapariga que sorria toucada de flores, pisando flores; o Outono era um ceifeiro moço com uma paveia de trigo aos pés, a foice ao ombro, os olhos no céu, satisfeito e feliz; o Estio era outra donzela, formosa e jocunda, que festejava uma borboleta pousada no seu ombro nu e o Inverno, metido entre árvores, era um velho tristonho, barbado e ferrenho, curvado sobre um cajado, com o gabão muito enrolado em volta do corpo magro e transido.” E, aqui, o nosso maravilhoso poeta Mário Quintana diverte-se com as estações, nos brindando com sua maestria poética:


Família desencontrada

O Verão é um senhor gordo, sentado na varanda,
[suando em bicas e reclamando cerveja.



O Outono é um tio solteirão que mora lá em cima no
[sótão e a toda hora protesta aos gritos: Que
[barulho é esse na escada?!

O Inverno é o vovozinho trêmulo, com a boina
[enterrada
[até os olhos, a manta enrolada nos queixos
[e sempre resmungando: Eu não passo deste agosto.
[eu não passo deste agosto...

A Primavera, em contrapartida
[- é ela quem salva a honra da família!
[é uma menininha pulando na corda cabelos ao
[vento
pulando e cantando debaixo da chuva
curtindo o frescor da chuva que desce do céu
o cheiro de terra que sobe do chão
o tapa do vento na cara molhada!

Oh! a alegria do vento desgrenhando as árvores
revirando os pobres guarda-chuvas
erguendo saias!

A alegria da chuva a cantar nas vidraças
sob as vaias do vento...

Enquanto
- desafiando o vento, a chuva, desafiando tudo -
no meio da praça a menininha canta
a alegria da vida
a alegria da vida!

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É isso!

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