6 de nov de 2012

A origem do “Feriado”


A palavra feriado vem do latim feriatus:  aquilo em que está em festa. Para nós designa o dia em que se suspende o trabalho, por prescrição civil ou religiosa. Sabe-se que outrora os dias feriados eram em número bem superiores aos atuais. Com o advento da Revolução Industrial, porém,  uma houve supressão acentuada deles, embora os capitalistas de hoje ainda vejam nos feriados um estorvo para o progresso. Em seu “O Direito à Preguiça”, o revolucionário socialista francês Paul Lafargue tece alguns comentários sobre a questão: “No Antigo Regime, as leis da Igreja garantiam ao trabalhador 90 dias de descanso (52 domingos e 38 dias feriados) durante os quais era estritamente proibido trabalhar. Era o grande crime do catolicismo, a causa principal da irreligião da burguesia industrial e comercial. Na Revolução, mal esta foi senhora da situação, aboliu os dias feriados e substituiu a semana de sete dias pela de dez. Libertou os operários do jugo da Igreja para melhor os submeter ao jugo do trabalho. O ódio pelos dias feriados só aparece quando a moderna burguesia industrial e comerciante ganha corpo, entre os séculos XV e XVI. Henrique IV pediu a sua redução ao Papa; este recusou, porque "uma das heresias que correm atualmente diz respeito às festas" (carta do cardeal d'Ossat). Mas, em 1666, Perefixe, arcebispo de Paris suprimiu 17 na sua diocese. O protestantismo, que era a religião cristã adaptada às novas necessidades industriais e comerciais da burguesia, preocupou-se menos com o descanso popular; destronou no céu os santos para abolir na terra as suas festas. A reforma religiosa e o livre pensamento filosófico não eram senão pretextos que permitiram à burguesia jesuíta e voraz escamotear os dias de festa do popular.” Exemplo da nossa Literatura: José de Alencar, em “Ao Correr da Pena”: “Logo que os homens aprenderam por experiência própria quanto custavam os tais seis dias de trabalho, assentaram que era preciso pelo menos dois ou três dias de descanso. Daí veio que os antigos, pensando sobre a gravidade do caso, inventaram os dias santos para iludirem o preceito da Bíblia; e modernamente se instituiu nas semanas em que não há dias santos, o feriado da quinta-feira para estudantes e lentes, porém especialmente para estes.”

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É isso!

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