29 de out de 2012

As Escolas Literárias: o “Trovadorismo”


A origem do termo Trovadorismo remonta aos antigos trovadores medievais. O trovador era um poeta lírico, geralmente uma pessoa culta, que escrevia em linguagem provençal. O nome  trovadorismo é dado à época do florescimento das cantigas, isto é, poemas feitos para serem cantados ao som de instrumentos musicais, como a flauta, a viola, o alaúde e outros. Trovador era o nome que geralmente se dava ao autor das cantigas; ao cantor costumava-se chamar de jogral (Douglas Tufano: “Estudos de Língua e Literatura”).  A primeira época da história da Literatura Portuguesa inicia-se em 1198 (ou 1189), quando o trovador Paio Soares de Taveirós dedica uma cantiga de amor e escárnio a Maria Pais Ribeiro, cognominada A Ribeirinha, favorita de D. Sancho I, -  e finda em 1418, quando D. Duarte nomeia Fernão Lopes para o cargo de Guarda-Mor da Torre do Tombo, ou seja, conservador do arquivo do Reino. Durante esses duzentos anos de atividade literária, cultivaram-se a poesia, a novela de cavalaria e os cronicões e livros de linhagens, nessa mesma ordem decrescente de importância (Massaud Moisés: “A Literatura Portuguesa através dos textos”). A cultura trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder espiritual do clero. O período histórico em que surgiu o Trovadorismo foi marcado por um sistema econômico e político chamado feudalismo, que consistia numa hierarquia rígida entre senhores: um deles, o suserano, fazia a concessões de uma terra (feudo) a outro indivíduo, o vassalo. O suserano, no regime feudal, prometia proteção ao vassalo como recompensa por certos serviços prestados (Maria da Conceição Castro: “Língua e Literatura”). Nesse período, além da vassalagem social - que era a fidelidade do servo ao senhor - havia uma outra vassalagem: a religiosa. Acreditava-se que Deus fosse o centro do universo (teocentrismo). Essa crença fazia que o homem justificasse a vida através desse princípio religioso, não acreditando que a vida pudesse ser transformada pela vontade humana. A Igreja era uma autoridade que divulgava a supremacia da vida eterna sobre a vida terrena, explicando, assim, o sofrimento do vassalo como uma forma de se atingir o paraíso eterno. O sofrimento ligado à salvação espiritual era uma forma de adiar uma mudança social e econômica: era uma forma de criar vassalos espirituais e sociais (Paschoalin e Spadoto: “Literatura, Gramática & Redação”). A produção poética da primeira época medieval da literatura portuguesa pode ser organizada em dois grupos: a poesia lírica e a satírica. No gênero lírico, encontram- se as cantigas de amigo e as de amor; no satírico, sobressaem-se as cantigas de escárnio e as de maldizer. A poesia lírica caracteriza-se por uma linguagem afetiva ou sentimental e trata predominantemente de relações amorosas. Sobressai na lírica a função emotiva da linguagem. A poesia satírica serve à crítica de personagens ou comportamentos e utiliza uma linguagem humorística que quase sempre ridiculariza o objeto retratado (William Roberto Cereja e Thereza A. C. Magalhães: “Português: Linguagens”). Concernente à decadência do Trovadorismo, segundo Douglas Tufano, citando Rodrigues Lapa, foram duas as principais causas: 1º - o fim do apoio dos nobres: “O lirismo galego-português, apesar da sua feição nativa, fora cultivado no meio simpático das cortes de príncipes cultos, que davam o exemplo (Afonso X, D. Dinis). Com o fim desses mecenas, a produção poética acaba desaparecendo; 2º - o intenso desenvolvimento do comércio em Portugal: “Realizada a unidade geográfica, pacificado o reino, o país começou a expandir-se e a revelar um vigoroso espírito mercantil. Em tempos de D. Fernando (1367-1383), Lisboa era já um grande empório comercial. Esse novo sentido da vida, virado para as realidades concretas, não favorecia manifestamente o trabalho da imaginação.”


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É isso! 

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