29 de out de 2012

As Escolas Literárias: o “Simbolismo”


A palavra Simbolismo é junção de símbolo com  acréscimo do sufixo ismo. As primeiras manifestações concretas em favor da instalação do Simbolismo em Portugal ligam-se a duas revistas: Os Insubmissos e Boêmia Nova, fundadas por estudantes de Coimbra, em 1889. No ano seguinte, Eugênio de Castro, um dos mentores desses periódicos, publica um volume de versos, Oaristos, enquadrado na nova estética importada da França. Correndo parelha com a última mutação realista (anunciada pelo grupo de “Os Vencidos da Vida”, em 1887) e com o aparecimento do Naturalismo (na pessoa de Abel Botelho, cujo O Barão de Lavos data de 1891), o movimento simbolista estendeu-se até 1915, quando, com a revista Orpheu, tem início o Modernismo. Ao longo de seu percurso, o Simbolismo exprimiu-se em poesia, em prosa e em teatro, mas em verdade a prosa e o teatro devem ser entendidos como departamentos ou configurações da poesia rosa poética e teatro poético). Além de Eugênio de Castro, merecem referência os seguintes nomes: Antônio Nobre, Camilo Pessanha, João Barreira, Manuel Teixeira-Gomes. Augusto Gil,  Afonso Lopes Vieira, Antônio Patrício, Carlos Malheiro Dias, manual laranjeira, Raul Brandão e Júlio Dantas  (Massaud Moisés: “A Literatura Portuguesa através dos textos”). São características do Simbolismo: 1 - Preocupação formal que se revela na busca de palavras de grande valor conotativo e ricas em sugestões sensoriais; o simbolista não pretende descrever a realidade, mas sugeri-la; 2 - Comparação da poesia com a música; 3 -. A poesia é encarada como forma de evocação de sentimentos e emoções; 4 -  Freqüentes alusões a elementos evocadores de rituais religiosos (incenso, altares, cânticos, arcanjos, salmos etc.), impregnando a poesia de misticismo e espiritualidade; 5 -Preferência por temas subjetivos, que tratem da Morte, do Destino, de Deus etc.; 6 - Enfoque espiritualista da mulher, envolvendo-a num clima de sonho onde predomina o vago, o impreciso e o etéreo  (Douglas Tufano: “Estudos de Língua e Literatura”). Reagindo contra o objetivismo parnasiano, os simbolistas propugnam por uma poesia, que é a expressão das camadas mais profundas do subconsciente humano. Como as descobertas do mais íntimo do “eu” são de difícil revelação, os poetas as sugerem, utilizando para tanto de uma linguagem metafórica, onde predominam os símbolos da coisa que se quer expressar, ao mesmo tempo em que, por meio de aliterações, cadências, ritmos bem estudados, faziam a poesia aproximar-se da música. Tal poesia era de elite, continuando popular, por ser mais fácil, o parnasianismo (“Enciclopédia do Ensino Integrado e Supletivo”). O termo simbolismo é convencionalmente aplicado para designar o último movimento poético do século XIX, e, de certa forma, o primeiro do século XX. De todas as escolas do século XIX, o Simbolismo é a que mais relações possui com o Modernismo. De fato, difícil é encontrar um poeta da primeira fase do Modernismo que não tenha começado a partir das sugestões dos simbolistas. Vem daí as primeiras rupturas com os padrões rígidos de composição e o restabelecimento dos vínculos entre poesia e existência, que os parnasianos haviam separado em favor de um tecnicismo alienante (A. Medina Rodrigues, Dácio A. de Castro e Ivan P. Teixeira: “Antologia da Literatura Brasileira”). Dentre os autores inseridos na escola simbolista, destaca-se: Eugênio de Castro e Almeida (1869-1944): Pertenceu a uma família nobre; ingressou na Diplomacia; vive algum tempo em Viena e depois em Paris, onde convive com alguns dos grandes simbolistas franceses. De volta a Portugal, lidera o grupo da revista Os Insubmissos e a seguir publica Oaristos. Depois de instalado o Simbolismo em Portugal, Eugênio de Castro continua a compor poesias, mas envereda por caminhos ortodoxos, mostrando inclinação por uma poesia clássica tradicional (Maria da Conceição Castro: “Língua e Literatura”). No Brasil destaca-se: Cruz e Sousa (1861-1898): Cruz e Sousa é considerado o mais importante escritor simbolista brasileiro. Focalizando o drama da condição humana a partir de sua vivência individual, Cruz e Sousa produziu uma poesia que procura expressar os elementos místicos, vagos e nebulosos da realidade. À medida que sua obra vai se tornando mais madura, Cruz e Sousa abandona o plano material, partindo para uma poesia metafísica, ligada às coisas do espírito (“Faraco e Moura: “Língua e Literatura”). Filho de escravos alforriados, teve uma vida cheia de padecimentos, em parte por preconceito de cor. Abolicionista, redige com Virgílio Várzea a Tribuna Popular (1882-9) e, em colaborações com ele, estréia em livro: Tropos e fantasias (1885). Professor e jornalista, foi barrado em suas aspirações de ascens5o social, devido ao preconceito de cor. No teve, assim, profissões certa. Em 1890, fixou residência no Rio de Janeiro, vivendo na miséria e de pequenos empregos. Juntou-se ao grupo simbolista da Folha Popular. Ainda que seu valor não tenha sido sempre reconhecido, mais tarde, foi elogiado pelos modernistas, sendo considerado um dos grandes nomes da poesia universal (J. Milton Benemann e Luís A. Cadore: (“Estudo Dirigido de Português: Língua e Literatura”).


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