29 de out de 2012

As Escolas Literárias: o “Modernismo”


A palavra Modernismo vem do francês modernisme, que, conforme definição do Michaelis, foi a denominação genérica de vários movimentos literários e artísticos: futurismo, cubismo, expressionismo, dadaísmo, surrealismo etc. E, no Brasil, destaca-se o movimento literário brasileiro iniciado na Semana de Arte Moderna, em 1922.  A história do Modernismo começa, a rigor, com o movimento saudosista de Teixeira de Pascoaes e outros, instalado em torno da revista A Águia (1910.1930), órgão da “Renascença Portuguesa”. E o Modernismo propriamente dito inicia-se em 1915, quando se publicou a revista Orpheu, que aglutinou um punhado de jovens insatisfeitos, de idéias futuristas, como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, Rui Coelho, Alfredo Guisado e Armando Cortes-Rodrigues. Reagindo contra as fórmulas estacionárias e passadistas de arte, pregavam o inconformismo e a deificação do ato poético. Tal espírito vigorou até 1927, quando surgiu a revista Presença, que a um só tempo continuava e renovava o pensamento órfico...(Massaud Moisés: “A Literatura Portuguesa através dos textos”). No Brasil: O Modernismo, enquanto movimento renovador, apresenta, didaticamente falando, dois momentos:   1922-1930  - período de agitação e combate, com a primeira geração modernista preocupada em difundir as novas idéias, não recuando diante das polêmicas e exibindo em muitas obras um tom bastante agressivo e irônico com relação à literatura tradicionalista; 1930-1945 - passada a polêmica da fase inicial, surge uma geração de novos escritores que consolidarão, com suas obras, o movimento literário renovador. Apesar de se beneficiar do clima de aceitação criado pelo esforço dos primeiros modernistas, esta nova geração impôs-se, principalmente, pelo talento e pela visão de mundo madura revelada em suas obras  (Douglas Tufano: “Estudos de Língua e Literatura”). Quanto ao autores inseridos no Modernismo, destaca-se, em Portugal: Fernando Antônio Nogueira Pessoa (1888-1935), cuja vida transcorre parte na África do Sul, parte em Portugal. Deixou obras em inglês Antinuos, 35 Sonnets, English Poems e em português Mensagem. Pela contribuição trazida na lírica e pela profunda, larga e duradoura influência que vem exercendo sobre as letras de língua portuguesa, Fernando Pessoa é comparado a Camões. A nota mais original na obra de Pessoa são os seus “heterônimos”, que não são simples pseudônimos, segundo ele mesmo explica: “A obra pseudônima é do autor em sua pessoa, salvo no nome que assina; a heterônima é do autor fora de sua pessoa; é duma individualidade completa fabricada por ele, como seriam os dizeres de qualquer personagem de qualquer drama seu”. As poesias assinadas com os diferentes heterônirnos são diferentes entre si e também diferentes daquelas que ele assina com seu próprio nome (“Enciclopédia do Ensino Integrado e Supletivo”). E, no Brasil, destacam-se: Manuel Bandeira (1881-1968): A trajetória poética de Manuel Bandeira mostra uma busca constante de novas formas de expressão... Percorrendo de um extremo a outro dessa trajetória, é importante notar: a) A cinza das horas (1917) é o primeiro livro de Bandeira, ainda com predominância de elementos parnasianos e simbolistas; b) Carnaval (1919) marca o início da liberdade formal, que se tornaria uma das mais importantes características de sua poesia. Nesse livro está o poema “Os sapos”, verdadeiro manifesto de um poeta inconformado e rebelde diante das limitações impostas pelas regras parnasianas. O poema foi lido numa das noites da Semana de Arte Moderna, por Ronald de Carvalho, e provocou escândalo, principalmente porque criticava os parnasianos, até então considerados como modelos de expressão. A partir dessa segunda obra, toda a poesia de Bandeira constrói-se em torno de uma progressiva liberdade de expressão, a ponto de torná-lo um dos mais importantes cultivadores do verso livre na poesia brasileira; c) Em Ritmo dissoluto (1924), cujo nome já indica tratar-se de um livro integrado ao espírito modernista, aparece um dos temas que iria ser freqüente na obra de Bandeira: a incorporação do corriqueiro, do cotidiano como material poético (“Faraco e Moura: “Língua e Literatura”). Graciliano Ramos (1892-1953): Diferentemente dos autores que você estudou até agora, não fez faculdade, embora tenha exercido o jornalismo e a política, chegando a prefeito de Palmeira dos Índios, Alagoas. Em 1936 foi preso como subversivo, fato que gerou seu romance Memórias do cárcere. Foi militante do Partido Comunista (1945) e presidente da Associação Brasileira de Escritores (1951). Seu livro Viagem (1953) relata suas experiências de visita à Rússia e países socialistas. Principais obras: Vidas secas; Caetés; São Bernardo; Angústia; Memórias do cárcere (Beth Griffi: “Português: Literatura, Gramática e Redação”). João Guimarães Rosa (1908-1967). Faz os primeiros estudos em sua cidade natal. Transfere-se, em seguida, para Belo Horizonte, onde se destaca no estudo de línguas e dos animais. Forma-se em Medicina e clinica em Itaguara. Retorna a Belo Horizonte e serve como médico na Força Pública. Em 1934, decide entrar para a carreira diplomática. Estava em Hamburgo, Alemanha, por ocasião do início da Segunda Guerra Mundial. Regressa à pátria em virtude de uma troca de diplomatas, após a declaração de guerra do Brasil ao Eixo. Em 1963, é eleito para a Academia Brasileira de Letras. O povo e a vida do sertão mineiro inspiraram Guimarães Rosa a produzir obras inovadoras de conteúdo universal, fato que o levou a ser considerado um dos escritores de maior importância e prestígio da literatura brasileira do século XX... Grande Sertão: Veredas, a obra- prima desse autor, é um dos mais louvados e analisados romances da literatura brasileira. Conta a história do jagunço Riobaldo e de seu bando, ambientada no sertão: um sertão que representa o mundo. A narrativa é lírica, mas há momentos épicos: a gesta dos jagunços assemelha-se às gestas dos cavaleiros medievais. Apaixonado por Diadorim, a quem serve, Riobaldo chega a pactuar com o demônio por seu amor. Possui uma só preocupação: saber se Satanás existe mesmo, ou não (Maria da Conceição Castro: “Língua e Literatura”).

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