23 de out de 2012

Quem era o “Cínico”?



Segundo o etimologista Luiz A. P. Victoria, em seu interessante livro “Origem e Evolução das Palavras”, o termo cínico, que denota  a pessoa a qual ostenta princípios e atos imorais, vem do grego kinikos, que significa cão. Empregava-se esse adjetivo para qualificar uma antiga seita de filósofos que se jactavam de desprezar as conveniências sociais e cujo emblema era o cão. Segundo outros, o nome de cínico veio diretamente do local kinosarges, perto de Atenas, onde Antístenes, discípulo do Sócrates, fundara sua escola. De entre os cínicos mais célebres, surge Diógenes, o Cínico, o qual perguntado porque tomara ele esse nome, assim respondeu: porque adulo os que dão, ladro para os que não dão e mordo os maus.

Em seu delicioso “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o nosso genial Machado de Assis brinca com o termo cínico, “injustamente” atribuído ao nosso Brás Cubas:

Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me leem, há aí uma alma sensível,  
que está de certo um pouquito agastada com o capítulo anterior, começa a tremer pela sorte de Eugênia, e talvez.., sim, talvez, lá no fundo de si mesma, me chame cínico. Eu cínico, alma sensível? Pela coxa de Diana! Esta injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue lavasse alguma coisa nesse mundo. Não, alma sensível, eu não sou cínico, eu fui homem; meu cérebro foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as bufonerias, um pandemônio, alma sensível, uma barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver tudo, desde a rosa de Esmirna até a arruda do teu quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o recanto da praia em que o mendigo tirita o seu sono. Cruzavam-se nele pensamentos de vária casta e feição.”

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É isso!

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